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Crimes cibernéticos contra animais

O que podemos fazer como médicos-veterinários?

Matéria escrita por:

Rosangela Ribeiro Gebara

22 de maio de 2026


A violência contra animais ultrapassou as ruas, as rinhas, os criadores clandestinos e os cenários tradicionais de maus-tratos. Hoje, infelizmente, ela também circula e viraliza no ambiente digital – em vídeos, em transmissões ao vivo, em grupos fechados e em plataformas conhecidas que transformam sofrimento em conteúdo de alto engajamento.

Diante desse cenário alarmante, a Campanha Animal Safety chama a atenção de todos para esse triste fenômeno que coapta inclusive crianças e adolescentes.

A iniciativa, liderada pela Instituto Ampara Animal (e apoiada por 79 organizações de proteção animal), alerta para a crescente disseminação de conteúdos envolvendo tortura, exploração e morte de animais nas plataformas digitais. Segundo dados da Social Media Animal Cruelty Coalition (SMACC), mais de 83 mil links contendo material de crueldade animal foram identificados em 11 grandes plataformas digitais apenas em 2024. No Brasil, registros da Polícia Civil de São Paulo apontam crescimento de 120% nos casos de maus-tratos contra animais divulgados na internet entre 2024 e 2026.

A campanha propõe que empresas de tecnologia adotem protocolos específicos de Animal Safety, utilizando ferramentas já existentes de inteligência artificial e moderação automatizada – amplamente empregadas para detectar violações de direitos autorais, discursos de ódio e conteúdos impróprios para anunciantes – também para identificar, bloquear e remover conteúdos de crueldade animal.

Além da mobilização popular, o movimento também possui um eixo legislativo. Os organizadores concluíram a redação de um projeto de lei (PL 1.043/2026) voltado ao enfrentamento de crimes digitais envolvendo maus-tratos contra animais.

Para apoiar a campanha e o projeto de lei, o Instituto Ampara Animal criou uma petição “Pela prevenção e repressão aos crimes cibernéticos contra animais” que vêm mobilizando organizações, profissionais da saúde animal e a sociedade civil em defesa de uma resposta mais efetiva contra esse tipo de crime.

Para a medicina veterinária, o tema representa uma questão importante que vai mesmo além da proteção animal. Especialistas alertam que a exposição recorrente de crianças e adolescentes a conteúdos extremos de violência pode contribuir para dessensibilização emocional, normalização da crueldade e reprodução de comportamentos agressivos (Teoria do Elo). O médico-veterinário de modo geral, e ainda especialmente aquele envolvido com medicina veterinária legal, bem-estar animal, comportamento e saúde pública, passa a ocupar um papel estratégico na conscientização social, na identificação precoce de casos de maus-tratos e zoosadismo, e no apoio técnico pericial às investigações.

Se você identificar que um animal atendido está passando por tortura dentro de casa, é seu dever alertar todos os membros da família, sobre um possível caso de tortura animal.

Outro ponto relevante é que os crimes digitais frequentemente estão associados a redes organizadas de exploração animal, monetização de conteúdo violento e estímulo coletivo à crueldade. A lógica algorítmica das plataformas pode amplificar conteúdos chocantes justamente pelo potencial de engajamento, criando um ciclo perigoso onde sofrimento animal gera visualizações, compartilhamentos e lucro.

A campanha também evidencia uma mudança importante na própria compreensão do conceito de maus-tratos. Se antes a violência era restrita ao espaço físico, hoje ela também se perpetua pela gravação, compartilhamento e consumo digital dessas imagens. Nesse contexto, denunciar, compartilhar evidências de forma responsável e pressionar plataformas e autoridades tornam-se medidas fundamentais.

A petição já reúne milhares de assinaturas e busca alcançar 1 milhão de apoiadores para ampliar a pressão institucional e acelerar medidas legislativas e tecnológicas de enfrentamento. Mais do que uma mobilização virtual, o movimento representa um chamado para que a proteção animal acompanhe os desafios da era digital, e a medicina veterinária não pode ficar de fora. Acesse a petição em https://animalsafety.org/.

 

 

 



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