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Associação Brasileira de Saúde e Causa Animal – Abraesca

II Fórum Uma Só Saúde reuniu 400 médicos-veterinários no Rio e o III Fórum já está programado para Uberlândia, MG

Saúde humana, animal e ambiental, além de leishmaniose visceral abrangeram os principais temas

Matéria escrita por:

Clínica Veterinária

13 de set de 2026


O II Fórum Uma Só Saúde, promovido pela Associação Brasileira de Saúde e Causa Animal (Abraesca), nos dias 13 e 14 de agosto, no Rio de Janeiro, reuniu mais de 400 médicos-veterinários presencialmente, além de especialistas, gestores públicos, representantes de instituições e autoridades, para discutir os desafios do enfrentamento das zoonoses a partir da integração entre saúde humana, animal e ambiental.

Realizado durante o Agosto Verde, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento das leishmanioses, o Fórum reforçou uma mensagem central: o controle das zoonoses não pode depender de uma única medida, muito menos ter o controle populacional dos animais como principal estratégia de prevenção. É necessário avançar em políticas públicas de Saúde Única, com prevenção, educação, diagnóstico, tratamento quando indicado, vigilância, monitoramento e controle dos diferentes fatores envolvidos na transmissão.

A leishmaniose visceral, doença negligenciada e importante desafio para a saúde pública brasileira, pois exige ações permanentes e baseadas em evidências científicas foi um dos temas mais importantes.

O Rio de Janeiro pode avançar na proteção dos cães e entre as estratégias discutidas esteve a necessidade de ampliar, no município, a proteção dos cães contra a picada do mosquito-palha, vetor da leishmaniose visceral.

O Ministério da Saúde estabelece critérios para a incorporação de coleiras impregnadas com deltametrina a 4% como estratégia de prevenção e controle da doença. A medida deve ser integrada às demais ações de vigilância e controle, com planejamento, monitoramento epidemiológico, profissionais capacitados e educação em saúde.

Entre os dados apresentados, de janeiro e junho de 2026, foram realizados 615 inquéritos caninos, com 139 resultados positivos e 111 investigações epidemiológicas concluídas.

O Fórum reforçou, diante desse cenário, a importância de o município do Rio de Janeiro estruturar e formalizar um plano de ação para avançar na estratégia de encoleiramento de cães, observando os critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Para Tifanny Pinheiro Pires, presidente e fundadora da Abraesca, a discussão precisa avançar do campo conceitual para a implementação de políticas públicas baseadas em evidências.

“A ciência demonstra que a prevenção precisa atuar diretamente sobre a cadeia de transmissão. Proteger os cães contra a picada do mosquito-palha é uma das estratégias que precisam ser consideradas dentro de uma política integrada de controle da leishmaniose. O controle populacional dos animais não pode ser tratado como sinônimo de prevenção. Precisamos investir em vigilância, controle do vetor, proteção dos animais, diagnóstico e educação em saúde.”

Segundo Tifanny, o médico-veterinário tem papel estratégico nesse processo. “O médico-veterinário está no centro da Uma Só Saúde. É ele quem acompanha os animais, identifica sinais, produz informações e participa diretamente das ações de prevenção e vigilância das zoonoses. Precisamos transformar esse conhecimento em dados e esses dados em políticas públicas.”

A programação reuniu representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, do grupo de estudos Brasileish, da OAB-RJ e do CRMV-RJ, entre outras instituições, aproximando ciência, gestão pública, órgãos reguladores e entidades profissionais.

A agenda terá continuidade em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no dia 13 de setembro, com uma nova edição do Fórum Uma Só Saúde. A iniciativa amplia para Minas Gerais o debate sobre prevenção, diagnóstico e vigilância das zoonoses.

A escolha da região chama a atenção para a leishmaniose, uma doença ainda pouco percebida por parte da população local, o que pode contribuir para a percepção equivocada de que não existem casos. Minas Gerais apresenta casuística expressiva da doença, reforçando a necessidade de informação e atualização dos profissionais.

Ganha destaque a atuação do CRMV-MG, especialmente por meio de seu Programa de Educação Continuada, que amplia o acesso dos médicos-veterinários do estado à atualização técnica e científica e aproxima o conhecimento da realidade epidemiológica de cada região. A realização do III Fórum em Uberlândia, por meio do edital do CRMV-MG, reforça esse compromisso com a capacitação profissional e com o enfrentamento das zoonoses a partir de informação, ciência e prevenção.

O Fórum Uma Só Saúde não termina com a programação presencial. O programa educacional da Abraesca terá continuidade online, com conteúdos que serão disponibilizados no site da associação, ampliando o acesso à capacitação para todos os profissionais.

A proposta é fazer com que o conhecimento compartilhado no Fórum ultrapasse o espaço do evento e contribua para qualificar a prevenção e a vigilância das zoonoses.

A Abraesca reforça que Uma Só Saúde precisa sair do discurso e se transformar em ações concretas. No enfrentamento da leishmaniose e de outras zoonoses, isso significa substituir respostas isoladas por estratégias integradas, baseadas em ciência, informação, prevenção, diagnóstico, vigilância e monitoramento. Prevenir zoonoses é proteger vidas – humanas e animais – e o ambiente em que todos vivem.

 

Abraesca

https://simposiouberlandia.abraesca.com.br/