Mariana Silva
Missão FeLV Zero: uma missão pela conscientização e prevenção da leucemia viral felina
A Boehringer Ingelheim Saúde Animal, uma das líderes globais em saúde animal, lançou a campanha Missão FeLV Zero, uma iniciativa que busca ampliar a conscientização sobre a leucemia viral felina (FeLV) e reforçar a importância da medicina veterinária preventiva no Brasil. Considerada uma das principais doenças infecciosas que acometem os gatos, a FeLV ainda representa um desafio significativo para médicos-veterinários e responsáveis.
Mariana Silva, consultora técnica esclarece como a campanha, por meio de ações de educação, capacitação e disseminação de conhecimento científico, pretende mobilizar profissionais, especialistas e o mercado veterinário em torno de um objetivo comum: aumentar a conscientização e contribuir para que cada vez mais gatos estejam protegidos contra a doença.
Revista Clínica Veterinária (CV) – A FeLV continua sendo um dos principais desafios da medicina felina. O que motivou a criação da campanha Missão FeLV Zero?
Mariana Silva (MS) – A criação da Missão FeLV Zero foi motivada pela necessidade de ampliar a conscientização sobre a leucemia viral felina e reforçar a importância da medicina preventiva no Brasil, considerando que a FeLV permanece como uma das principais doenças infecciosas que acometem gatos e ainda representa um desafio relevante para médicos-veterinários e responsáveis. A iniciativa também nasce da urgência de mobilizar clínicos, especialistas e todo o mercado veterinário em torno de um objetivo comum: aumentar o conhecimento técnico e contribuir para que mais gatos estejam protegidos contra a doença.
CV – Qual é o cenário atual da FeLV no Brasil e por que o tema merece tanta atenção?
MS – O cenário brasileiro exige atenção ainda maior porque a FeLV está presente em gatos de todas as regiões do país, trazendo alto impacto na saúde felina. Os estudos publicados reforçam que não existe uma prevalência única para a doença, pois os dados variam conforme população, metodologia diagnóstica, manejo e contexto regional; ainda assim, o Brasil apresenta um cenário preocupante, com dados citados pela diretriz da ABCD – Guideline for Feline Leukaemia Virus Infection indicando 10% de prevalência em gatos saudáveis e 28% em gatos doentes. No entanto, a prevalência de infecção por FeLV, principalmente em países desenvolvidos, supostamente diminuiu durante os últimos 25 anos, presumivelmente como resultado da implementação de programas de testagem amplos e esforços de vacinação, o que infelizmente não é a realidade no Brasil.
CV – Qual é o principal objetivo da campanha Missão FeLV Zero?
MS – O principal objetivo da campanha Missão FeLV Zero é aumentar a conscientização técnica e prática sobre a FeLV, estimulando uma abordagem preventiva mais consistente na rotina clínica. A campanha busca reforçar a relevância e alta prevalência da doença no país, apoiar a educação dos médicos-veterinários e incentivar a incorporação da testagem e vacinação contra FeLV de forma mais adequada aos protocolos vacinais, sempre com base em risco e decisão clínica individualizada.
CV – Como os especialistas em medicina felina participam dessa iniciativa?
MS – Os especialistas em medicina felina têm um papel central nessa iniciativa, contribuindo para dar legitimidade científica à mensagem da campanha, ampliar a discussão sobre a necessidade de vacinação contra FeLV e apoiar a construção de conteúdos técnicos. A campanha prevê a participação de KOLs e especialistas em palestras, congressos, roadshows, materiais técnicos, vídeos e discussões relacionadas a consenso de vacinação felina no Brasil.
CV – Quais ações estão previstas dentro da Missão FeLV Zero ao longo do ano?
MS – Ao longo do ano, a Missão FeLV Zero contempla a produção e divulgação de conteúdos científicos, treinamentos, materiais técnicos, palestras, participação em congressos, ações em plataformas veterinárias, visitação presencial e vídeos para redes sociais. Entre as iniciativas já realizadas, destaca-se o evento First to Know, onde tivemos o prazer de realizar no Conexão Onça Pintada, reunindo importantes referências da medicina felina, incluindo a palestra do professor Archivaldo Reche sobre o cenário da FeLV no Brasil. O projeto também conta com o apoio de líderes de opinião e com materiais desenvolvidos ou revisados por especialistas da área, além de ações voltadas à conscientização e engajamento dos médicos-veterinários sobre a importância da testagem e da vacinação contra a FeLV para a redução dos casos da doença no país.
CV – A educação continuada é um dos pilares da iniciativa. Qual a importância desse trabalho para a medicina felina?
MS – A educação continuada é essencial porque muitos desafios relacionados à FeLV envolvem diagnóstico insuficiente, baixa cobertura vacinal, dúvidas sobre interpretação de testes, ausência de padronização de condutas e necessidade de adaptação dos protocolos à realidade brasileira. Ao oferecer eventos com conteúdo científico de qualidade, trazendo o respaldo dos principais especialistas na área, além de materiais técnicos relevantes que apoiam a conscientização do clínico, a campanha apoia o médico-veterinário na tomada de decisão clínica, fortalecendo a medicina preventiva atualizada e baseada em evidências.
CV – Qual é o papel da vacinação no combate à FeLV?
MS – A vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção contra a FeLV, especialmente quando orientada por avaliação de risco e decisão clínica individualizada. Portanto, a testagem, a segregação dos animais FeLV positivos e a vacinação dos negativos são parte de uma estratégia relevante para reduzir a circulação do vírus, proteger gatos suscetíveis e diminuir o risco de transmissão, principalmente em cenários de alta prevalência, como é o caso do Brasil.
CV – Dentro desse contexto, qual é a relevância da linha Purevax® para a campanha?
R: A linha Purevax® tem relevância estratégica para a campanha por oferecer soluções vacinais de alta eficácia e alinhada às necessidades específicas dos gatos. A linha apresenta volume reduzido de apenas 0,5 mL, proporcionando maior facilidade e menor desconforto, principalmente considerando os locais recomendados para aplicação de vacinas em gatos. Todas as vacinas da linha são livres de adjuvantes graças a sua inovadora tecnologia recombinante contra FeLV e induzem grau de imunidade altamente eficaz. A linha Purevax® oferece um portfólio flexível contemplado por 4 vacinas (tríplice, quádrupla, quíntupla e monovalente FeLV), permitindo ao médico-veterinário adequar o protocolo de vacinação ao estilo de vida e risco de cada paciente, afinal cada gato é único.
CV – A linha Purevax® conta atualmente com duas vacinas voltadas à proteção contra a FeLV. Quais são os principais diferenciais dessas soluções?
MS – A linha Purevax® oferece duas opções para a proteção contra a FeLV: Purevax® RCPCh FeLV, vacina quíntupla que protege contra rinotraqueíte, calicivirose, panleucopenia, clamidiose e leucemia viral felina, e Purevax® FeLV, vacina monovalente indicada exclusivamente para a prevenção da leucemia viral felina. Ambas utilizam a exclusiva tecnologia recombinante contra FeLV, são livres de adjuvantes e possuem volume reduzido de aplicação (0,5 mL), características que contribuem para uma experiência mais amigável ao gato e ao médico-veterinário. Além disso, as vacinas Purevax® possuem o selo Easy to Give da ISFM, que reconhece a facilidade de administração. A disponibilidade de uma vacina monovalente e de uma combinação quíntupla amplia a flexibilidade na elaboração de protocolos vacinais individualizados, permitindo adequar a proteção ao risco de exposição, estilo de vida do gato e às necessidades de cada paciente.
CV – Como a tecnologia utilizada na linha Purevax® contribui para a proteção dos gatos?
MS – A linha Purevax® utiliza a tecnologia recombinante com vetor canarypox, que transporta apenas o material genético necessário para estimular a resposta imune contra a FeLV. Por se tratar de um vírus de ave, espécie-específico e incapaz de se replicar em gatos, essa tecnologia oferece um elevado perfil de segurança. Além disso, a vacina mimetiza uma infecção natural, promovendo uma resposta imunológica robusta, com estímulo tanto da imunidade celular quanto da humoral. Essa combinação de segurança e eficácia contribui para uma proteção consistente dos gatos contra a leucemia viral felina.
CV – Quais são hoje os maiores desafios para ampliar a prevenção e a vacinação contra a FeLV no Brasil?
MS – Os principais desafios incluem baixa cobertura vacinal, diagnóstico ainda insuficiente, falta de padronização de protocolos preventivos, limitações econômicas dos responsáveis, baixa testagem na prática clínica, formação heterogênea do clínico geral em medicina felina e alta frequência de ambientes multicat, resgates e adoções sem triagem adequada, além da falta de conhecimento sobre guarda responsável e sobre a importância de restringir o acesso de animais à rua. Esses fatores tornam essencial uma abordagem educativa, prática e adaptada à realidade brasileira.
CV – De que forma a conscientização dos responsáveis pode impactar o controle da doença?
MS – A conscientização dos responsáveis pode impactar diretamente o controle da FeLV, pois ajuda a aumentar a adesão à testagem, à vacinação e às medidas de prevenção, além de reforçar a importância de cuidados em ambientes com múltiplos gatos, adoções e introdução de novos animais. Muitos responsáveis ainda optam por não restringir o acesso dos animais à rua e a não testar ou não vacinar, o que contribui para a manutenção do risco de transmissão.
CV – Qual é a importância da união entre indústria, especialistas e médicos-veterinários para o sucesso de iniciativas como essa?
MS – A união entre indústria, especialistas e médicos-veterinários é fundamental porque permite transformar conhecimento científico em ações práticas de prevenção. A indústria contribui com produtos inovadores alinhados as características individuais da espécie, materiais promocionais e educação a partir de eventos científicos; os especialistas fortalecem a credibilidade científica e ajudam na construção de consensos; e os médicos-veterinários aplicam esse conhecimento na rotina clínica, adaptando a recomendação ao risco, contexto e realidade de cada paciente.
CV – Quais resultados a Boehringer Ingelheim espera alcançar com a Missão FeLV Zero nos próximos anos?
MS – A Missão FeLV Zero tem como objetivo promover uma transformação duradoura na forma como a FeLV é percebida e prevenida no Brasil. Nos próximos anos, a Boehringer Ingelheim espera ampliar a conscientização sobre a importância da testagem e da vacinação, fortalecer a educação continuada dos médicos-veterinários e estimular a adoção de medidas preventivas baseadas em evidências científicas. Com isso, a iniciativa busca contribuir para a redução da prevalência da doença no país, aumentando a qualidade e a expectativa de vida dos gatos. Mais do que uma campanha, a Missão FeLV Zero representa um movimento em prol da saúde felina, com o propósito de tornar a prevenção da FeLV uma prioridade na rotina de todas as clínicas veterinárias do pais.
CV – Para finalizar, o que representa a Missão FeLV Zero para o futuro da saúde felina no Brasil?
MS – A Missão FeLV Zero representa um movimento de conscientização, educação e prevenção que busca transformar a forma como a FeLV é discutida e enfrentada na medicina felina brasileira. Mais do que uma campanha, a iniciativa reforça o compromisso com a saúde dos gatos, com a prática clínica baseada em evidências e com a construção de um futuro em que a prevenção da FeLV seja cada vez mais valorizada por veterinários e responsáveis.