Márcio Barboza
Médico-veterinário e gerente técnico de animais de companhia da MSD Saúde Animal, explicou os mecanismos de ação e as vantagens resultantes do tratamento com emprego de Numelvi®
A MSD Saúde Animal, unidade de negócios global de saúde animal com mais de 130 anos de existência, é comprometida com ciência inovadora para animais mais saudáveis a partir de inovação contínua para desenvolver medicamentos, vacinas e tecnologias revolucionárias. Partindo desse ideal, a empresa entrou no segmento dermatológico para animais de companhia no Brasil, com o lançamento de Numelvi®, solução de última geração para o tratamento de dermatite alérgica canina, com destaque para a dermatite atópica canina (DAC).
Márcio Barboza, médico-veterinário (CRMV-SP: 12.624) e gerente técnico de animais de companhia da MSD Saúde Animal, conversou com a revista Clínica Veterinária para explicar os mecanismos de ação e as vantagens resultantes do tratamento com emprego de Numelvi®.
Clínica Veterinária (CV) – Qual é o impacto da dermatite alérgica na vida dos cães, principalmente da dermatite atópica (DAC)?
Márcio Barboza (MB) – Essa é uma pergunta fundamental. Primeiro, é importante entender que as dermatites alérgicas podem ser classificadas, de forma geral, em três categorias principais: a dermatite alérgica à picada de pulgas, a hipersensibilidade alimentar (ou alergia alimentar) e a dermatite atópica. Embora cada uma possa apresentar características clínicas próprias, todas compartilham um sinal em comum: o prurido.
O principal impacto dessas doenças está ligado ao prurido, que pode comprometer de forma significativa a qualidade de vida do animal. Em muitos casos, a coceira é tão intensa que o cão deixa de realizar atividades normais do seu dia a dia para se coçar. Ele poderia estar brincando, interagindo com seus responsáveis ou descansando, mas a necessidade constante de se coçar acaba se sobrepondo a essas atividades.
Como consequência, observamos alterações importantes no comportamento desses animais. Eles podem se tornar mais estressados, ansiosos e, em alguns casos, até mais agressivos. Além disso, a coceira pode prejudicar o sono e reduzir o interesse por brincadeiras e interações sociais, afetando diretamente o bem-estar do pet.
Outro ponto importante é que, dependendo da gravidade da dermatopatia alérgica, podem ocorrer alterações visíveis na pele e na pelagem do animal, impactando também sua aparência. Em alguns casos mais severos, isso pode influenciar até mesmo a relação entre o pet e sua família, já que alguns responsáveis acabam se sentindo constrangidos com o aspecto do animal ou preocupados com a percepção de outras pessoas.
Por isso, o impacto da dermatite alérgica vai muito além dos sinais clínicos observados na pele. Trata-se de uma condição que afeta a qualidade de vida do animal, seu comportamento, seu bem-estar emocional e também a dinâmica da família com a qual ele convive. Em outras palavras, não é apenas o pet que sofre as consequências da doença, mas todo o ambiente familiar ao seu redor.
CV – Existem animais mais predispostos a apresentar essas dermatites?
MB – Quando falamos da dermatite alérgica à picada de pulgas, qualquer animal está sujeito a desenvolvê-la, pois basta estar exposto às pulgas. A reação alérgica ocorre devido às proteínas presentes na saliva do parasita. Assim, se o animal apresentar uma resposta imunológica mais intensa aos antígenos da saliva da pulga, ele poderá desenvolver a doença. Como as pulgas são endêmicas em nosso país, qualquer cão ou gato exposto a elas pode apresentar esse tipo de dermatopatia alérgica.
Já nos casos de hipersensibilidade alimentar e dermatite atópica, existe a possibilidade de um componente genético estar envolvido. No caso da dermatite atópica, essa predisposição genética é muito mais bem estabelecida e comprovada cientificamente do que na hipersensibilidade alimentar, embora também se acredite que fatores hereditários possam contribuir para o desenvolvimento desta última.
Na dermatite atópica, observamos claramente uma maior predisposição em determinadas raças. Entre elas, o shih-tzu se destaca como uma das mais acometidas. Além dele, outras raças frequentemente associadas à doença incluem maltês, bulldog francês, bulldog inglês, labrador retriever e golden retriever.
Portanto, embora qualquer animal possa desenvolver dermatites alérgicas em determinadas circunstâncias, no caso da dermatite atópica existe uma importante influência genética que aumenta a predisposição de algumas raças ao desenvolvimento da doença.
CV – Por ser uma condição crônica e sem cura, como a medicina veterinária vem tratando esses animais?
MB – Essa é uma excelente pergunta. Embora a dermatite atópica seja uma condição crônica e sem cura, a medicina veterinária tem evoluído significativamente ao longo dos anos, tanto na compreensão da fisiopatologia da doença quanto no desenvolvimento de estratégias e tratamentos capazes de proporcionar melhor controle dos sinais clínicos e, consequentemente, proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes.
Hoje, entendemos muito melhor os mecanismos envolvidos na doença, o que permitiu o desenvolvimento de terapias cada vez mais direcionadas. A tecnologia tem contribuído de forma importante nesse processo, e as empresas vêm investindo no desenvolvimento de medicamentos mais específicos para o controle da coceira e da inflamação, com um perfil de segurança cada vez melhor e menos efeitos colaterais a longo prazo.
Esse aspecto é especialmente relevante porque estamos falando de uma condição crônica. Muitos desses animais precisam ser medicados por períodos prolongados e, em alguns casos, ao longo de toda a vida. Por isso, é fundamental contar com tratamentos eficazes e seguros para uso contínuo.
No entanto, é importante destacar que, especialmente no caso da dermatite atópica — uma das dermatopatias alérgicas mais comuns na rotina clínica —, não existe um tratamento único ou um medicamento capaz de resolver sozinho todos os aspectos da doença. O manejo desses pacientes deve ser sempre multimodal.
Isso significa que o tratamento não se resume apenas ao controle da coceira e da inflamação. Também é necessário adotar medidas complementares, como o controle rigoroso de ectoparasitas, especialmente pulgas, o manejo de infecções secundárias, que são muito frequentes nesses pacientes, e a preservação da barreira cutânea.
Os cães atópicos apresentam alterações na barreira da pele, o que favorece a perda de hidratação e a entrada de agentes irritantes e alérgenos. Por isso, estratégias voltadas à hidratação da pele e à manutenção de sua camada lipídica também fazem parte do tratamento a longo prazo.
Todo esse conceito de manejo integrado reflete justamente o avanço do conhecimento sobre a doença. Hoje sabemos que não existe uma solução única ou um “medicamento milagroso”. O sucesso terapêutico depende da combinação de diferentes abordagens, ajustadas às necessidades de cada paciente.
Nesse contexto, os medicamentos mais modernos para o controle das dermatopatias alérgicas, como os inibidores de JAK, representam um importante avanço da medicina veterinária. Eles surgiram a partir de um entendimento mais profundo da fisiopatologia da doença e permitem uma atuação mais específica nos mecanismos envolvidos na coceira e na inflamação, proporcionando eficácia clínica com menor risco de efeitos colaterais em tratamentos de longo prazo — algo essencial para pacientes que, muitas vezes, precisarão de acompanhamento e controle por toda a vida.
CV – Como funciona o sistema Janus quinase (JAK)?
MB – Essa é uma pergunta muito interessante e está diretamente relacionada ao avanço da terapêutica veterinária nos últimos anos. O sistema Janus quinase, ou sistema JAK, é conhecido pela ciência há bastante tempo e desempenha um papel fundamental na transmissão de sinais dentro do organismo.
Atualmente, sabemos que essa família é composta por quatro enzimas principais: JAK1, JAK2, JAK3 e a tirosina quinase 2 (TYK2). Essas enzimas participam tanto de processos relacionados ao desenvolvimento dos sinais clínicos das dermatopatias alérgicas quanto de diversas funções fisiológicas do organismo.
De forma simplificada, o sistema JAK funciona como um transmissor de mensagens. Ele é ativado por determinadas substâncias do organismo e a mensagem é transmitida para o interior das células, desencadeando uma resposta específica. Em outras palavras, ele atua como uma espécie de mensageiro molecular, traduzindo comandos biológicos em ações.
No caso das dermatopatias alérgicas, por exemplo, determinadas substâncias relacionadas à inflamação e à coceira ativam esse sistema. A partir daí, a mensagem é transmitida e o resultado final é a manifestação do prurido e da inflamação que observamos clinicamente. Ou seja, o sistema JAK participa diretamente da comunicação que leva o organismo a desencadear essas respostas.
Mas sua atuação não se limita às doenças alérgicas. Esse mesmo mecanismo está envolvido em diversas funções normais do organismo. Por exemplo, sinais responsáveis pela produção de células sanguíneas também utilizam o sistema JAK para transmitir suas mensagens e promover a formação dessas células.
Hoje sabemos que cada uma dessas enzimas possui funções predominantes específicas. A JAK1 é considerada a principal enzima envolvida na transmissão dos sinais relacionados à coceira e à inflamação. A JAK2 está mais associada à produção de células sanguíneas. Já a JAK3 e a TYK2 atuam principalmente em processos relacionados ao sistema imunológico e às respostas de defesa do organismo.
Portanto, o sistema Janus quinase pode ser entendido como uma rede de enzimas responsável por transmitir mensagens essenciais para o funcionamento do organismo. Ele recebe sinais biológicos e os converte em respostas celulares específicas, orientando o corpo a executar diferentes funções, sejam elas fisiológicas ou relacionadas a processos inflamatórios e alérgicos.
CV – Como os medicamentos que existiam até agora atuavam no sistema JAK?
MB – Os primeiros medicamentos inibidores de JAK lançados no mercado não possuíam seletividade específica para uma única enzima da família Janus quinase. Eles atuavam sobre todas as enzimas dessa família, embora em diferentes níveis de intensidade. Por isso, são conhecidos como inibidores de JAK de primeira geração ou inibidores não seletivos, também chamados de pan-JAK.
Na prática, esses medicamentos conseguiam inibir a JAK1, que é a principal enzima envolvida na transmissão dos sinais de coceira e inflamação, proporcionando o controle dos principais sintomas das dermatopatias alérgicas. No entanto, ao mesmo tempo, também atuavam sobre outras enzimas da família, como a JAK2, a JAK3 e a TYK2, que estão relacionadas a funções fisiológicas importantes do organismo.
Dessa forma, embora fossem eficazes no controle da inflamação e do prurido, esses medicamentos podiam interferir em processos biológicos normais. Entre os possíveis efeitos adversos estavam alterações hematológicas, como anemia e trombocitopenia – ou seja, redução de células sanguíneas –, além de possíveis impactos sobre o sistema imunológico.
CV – Qual é a inovação no mecanismo de ação que Numelvi® apresenta em relação aos medicamentos já existentes e por que essa especificidade no mecanismo é importante?
MB – Com a evolução do conhecimento científico, tanto a medicina humana quanto a medicina veterinária passaram a buscar moléculas cada vez mais seletivas. O objetivo é inibir especificamente a enzima responsável pela transmissão da mensagem que desencadeia a doença, preservando aquelas envolvidas em funções benéficas e essenciais para o organismo.
Nesse contexto surge o Numelvi®, o primeiro inibidor de JAK de segunda geração da medicina veterinária. A proposta dessa nova geração de medicamentos é justamente aumentar a seletividade da ação terapêutica, atuando prioritariamente sobre a enzima relacionada à coceira e à inflamação – a JAK1 – e poupando as demais enzimas da família, que participam de processos como a produção de células sanguíneas e a resposta imunológica.
Portanto, a evolução dos inibidores de JAK caminha na direção de tratamentos cada vez mais específicos, capazes de controlar os sinais clínicos das dermatopatias alérgicas de forma eficaz, com menor interferência nos processos fisiológicos normais do organismo e, consequentemente, com um perfil de segurança mais favorável para tratamentos de longo prazo.
A principal inovação do Numelvi® está justamente na sua seletividade de ação. Complementando o que foi explicado anteriormente sobre os inibidores de JAK, o Numelvi® é um inibidor de segunda geração que apresenta alta seletividade para a enzima JAK1.
Estudos demonstram que ele é pelo menos dez vezes mais seletivo para a inibição da JAK1 quando comparado às demais enzimas da família Janus quinase. Essa característica é particularmente importante porque a JAK1 é a principal enzima envolvida na transmissão dos sinais relacionados à coceira e à inflamação nos quadros alérgicos em cães.
Ao atuar de forma mais específica sobre a JAK1, o medicamento consegue controlar os principais sinais clínicos das dermatopatias alérgicas, como o prurido e a inflamação, ao mesmo tempo em que preserva, em maior grau, a atividade de outras enzimas da família JAK, como a JAK2, a JAK3 e a TYK2.
CV – Numelvi® é indicado para cães e gatos?
MB – De forma geral, todos os inibidores de JAK atualmente disponíveis no mercado brasileiro possuem indicação em bula para uso em cães. Embora alguns médicos-veterinários utilizem essa classe de medicamentos em gatos, isso ocorre em caráter de uso extra bula, ou seja, fora das indicações oficialmente aprovadas.
Portanto, do ponto de vista regulatório e de acordo com a bula do produto, o Numelvi® é um medicamento indicado para o tratamento de cães.
CV – Existem raças de cães para as quais Numelvi® não é indicado?
MB – Até o momento, não há contraindicações relacionadas a raças específicas de cães para o uso de Numelvi®. O medicamento pode ser utilizado em cães de diferentes raças, desde que sejam respeitadas as recomendações de bula e a avaliação clínica realizada pelo médico-veterinário responsável.
CV – A partir de que idade Numelvi® pode ser indicado?
MB – Essa é uma excelente pergunta. O Numelvi® pode ser indicado para cães a partir dos seis meses de idade e com peso mínimo de três quilos. Atualmente, ele é o único inibidor de JAK disponível na medicina veterinária com indicação para uso a partir dessa faixa etária.
Os demais inibidores de JAK presentes no mercado possuem indicação para cães a partir de 12 meses de idade, também com peso mínimo de três quilos. Dessa forma, o Numelvi® oferece a possibilidade de intervenção terapêutica mais precoce em pacientes que já apresentam sinais clínicos da doença.
Esse diferencial é especialmente importante porque muitos animais alérgicos desenvolvem manifestações clínicas ainda quando filhotes. É relativamente comum observar cães com sintomas de dermatite atópica antes de completarem um ano de idade. Nesses casos, a possibilidade de iniciar o tratamento a partir dos seis meses amplia as opções terapêuticas disponíveis para o médico-veterinário e permite que esses pacientes recebam um manejo adequado mais cedo.
Portanto, além de ser uma característica importante da bula do produto, a indicação para cães a partir dos seis meses de idade atende a uma necessidade clínica relevante, considerando que muitos pacientes alérgicos já apresentam sinais da doença nessa fase da vida.
CV – O que fazer no caso de uma raça muito pequena que não atinge os 3 kg?
MB – De acordo com a bula aprovada no Brasil, a recomendação é que o Numelvi® seja utilizado em cães com peso mínimo de 3 kg. Essa é a orientação oficial da empresa e a informação que será fornecida pelos canais de atendimento e suporte técnico.
No entanto, existem experiências internacionais que ampliam essa perspectiva. Na Europa, por exemplo, o produto é utilizado com segurança em cães a partir de 2 kg de peso, conforme descrito nos estudos e materiais técnicos disponibilizados naquele mercado.
No Brasil, a indicação registrada permanece a partir de 3 kg. Já em situações envolvendo cães com peso entre 2 kg e 3 kg, a decisão sobre o uso do medicamento deve ficar a critério do médico-veterinário responsável, que avaliará individualmente cada caso, considerando as necessidades do paciente e sua condição clínica.
Portanto, a recomendação oficial no país é seguir a bula e utilizar o produto em cães a partir de 3 kg. Entretanto, existe experiência internacional demonstrando o uso seguro do medicamento em animais a partir de 2 kg, informação que pode auxiliar o médico-veterinário em sua tomada de decisão clínica.
CV – Fêmeas gestantes e lactantes podem receber o medicamento?
MB – Até o momento, não foram realizados estudos específicos de segurança para avaliar o uso de Numelvi® em fêmeas gestantes e lactantes. Por esse motivo, o medicamento não é recomendado para uso nessas fases da vida.
É importante destacar que essa restrição não está relacionada à identificação de efeitos adversos graves conhecidos em gestação ou lactação. A recomendação ocorre porque ainda não existem dados científicos suficientes que comprovem a segurança do produto nessas condições.
Portanto, na ausência de estudos específicos, a orientação é não utilizar o medicamento em fêmeas gestantes ou lactantes, seguindo as recomendações de segurança estabelecidas para o produto.
CV – Como é a apresentação de Numelvi®? O medicamento pode ser fracionado?
MB – O Numelvi® será disponibilizado em oito apresentações comerciais. Serão quatro versões em embalagens com 30 comprimidos (um blister) e quatro versões em embalagens com 90 comprimidos (três blísteres de 30 comprimidos).
Além disso, o produto estará disponível em quatro diferentes concentrações, permitindo que o médico-veterinário escolha a apresentação mais adequada de acordo com o peso do animal e facilite a administração da dose recomendada.
A dose indicada varia de 0,8 mg/kg a 1,2 mg/kg, sendo a dose média de referência de 1 mg/kg. Com isso, na maioria dos casos, os cães receberão apenas um comprimido ou meio comprimido por administração, dependendo do seu peso e da apresentação escolhida.
Em relação ao fracionamento, sim, o medicamento pode ser dividido. Os comprimidos possuem sulco, o que facilita a quebra e permite que o animal receba meia dose quando necessário. Dessa forma, o ajuste da dose é realizado de maneira prática e precisa, conforme a recomendação do médico-veterinário.
CV – Nulmevi® pode ou deve ser oferecido junto com alimentos?
MB – Sim. A recomendação é que o Numelvi® seja administrado junto com a alimentação ou próximo aos horários das refeições. Isso porque a presença de alimento aumenta significativamente a biodisponibilidade do medicamento, favorecendo sua absorção pelo organismo.
Esse é um ponto importante da administração do produto, pois contribui para que o animal obtenha o melhor aproveitamento da dose prescrita e, consequentemente, uma resposta terapêutica mais adequada.
Por isso, sempre que possível, recomenda-se oferecer o medicamento associado à alimentação ou logo antes ou após a refeição.
CV – Qual é a indicação de dose e frequência de Numelvi®?
MB – A dose recomendada de Numelvi® varia de 0,8 mg/kg a 1,2 mg/kg, sendo a dose média de referência de 1 mg/kg de peso corporal.
Em relação à frequência de administração, o medicamento é utilizado uma vez ao dia desde o início do tratamento. Esse é um diferencial importante da terapia, pois o protocolo não exige uma fase inicial com administração mais frequente.
Comparativamente, alguns produtos disponíveis no mercado requerem administração duas vezes ao dia no início do tratamento, antes de passarem para uma dose diária. Com o Numelvi®, o esquema terapêutico já começa com uma única administração diária, o que traz mais praticidade para os responsáveis e favorece a adesão ao tratamento a longo prazo.
Portanto, a recomendação é a prescrição pelo médico-veterinário da dose dentro da faixa de 0,8 a 1,2 mg/kg, uma vez ao dia desde a primeira dose.
CV – A partir de quanto tempo é possível perceber os efeitos do tratamento?
MB – O Numelvi® apresenta início de ação rápido. Em geral, entre duas e quatro horas após a administração, já é possível observar uma redução da coceira, proporcionando alívio precoce para o animal.
Além da rápida ação inicial, os resultados clínicos tendem a ser consistentes ao longo do tratamento. Dados demonstram que, na primeira semana de uso, mais de 80% dos cães apresentam melhora clínica, com redução significativa dos sinais associados às dermatopatias alérgicas.
No gráfico a seguir é possível verificar a redução da coceira ao longo da primeira semana de tratamento.
CV – Há quanto tempo Numelvi® vem sendo usado em outros países?
MB – O Numelvi® foi lançado oficialmente na Europa em setembro de 2025, durante o Congresso Europeu de Dermatologia Veterinária. Apesar de ser um produto relativamente recente no mercado internacional, sua expansão tem sido bastante rápida.
Atualmente, o medicamento já está sendo comercializado em 38 países, demonstrando uma ampla adoção em diferentes mercados e reforçando o interesse da comunidade veterinária por terapias cada vez mais específicas para o controle das dermatopatias alérgicas em cães.
CV – Quantas doses de Numelvi® a MSD já comercializou em todo o mundo?
MB – Não há, até o momento, informação disponível para compartilhamento sobre o número total de doses de Numelvi® comercializadas globalmente. A MSD Saúde Animal poderá fornecer esse dado oportunamente, caso haja divulgação oficial.
CV – Como vem sendo a adesão nesses países?
MB – A adesão ao Numelvi® tem sido muito positiva nos países onde o produto já foi lançado. De acordo com a experiência observada até o momento, a aceitação por parte dos médicos-veterinários e responsáveis tem superado as expectativas em diversos mercados.
O desempenho comercial do produto vem sendo bastante expressivo desde o seu lançamento, refletindo o interesse por uma alternativa terapêutica mais específica para o controle das dermatopatias alérgicas em cães. No Brasil, os resultados iniciais também têm sido muito positivos e acompanham a tendência observada internacionalmente.
A procura pelo produto tem sido tão significativa que, em alguns momentos, trouxe desafios relacionados ao planejamento de demanda e à capacidade de produção. Trata-se, porém, de um desafio positivo, decorrente de uma aceitação acima da prevista e que reforça a receptividade do mercado à inovação proposta pelo Numelvi®.
CV – Numelvi® apresenta efeitos colaterais? Quais?
MB – Como qualquer medicamento, o Numelvi® pode apresentar efeitos adversos. Os eventos observados com maior frequência durante os estudos clínicos e também na prática veterinária, e que estão descritos em bula, são letargia, diarreia e vômito.
No entanto, é importante destacar que esses efeitos ocorrem em uma frequência relativamente baixa. De maneira geral, cerca de 3% dos animais podem apresentar algum desses sinais durante o tratamento.
Outro ponto relevante é que, na maioria dos casos, esses efeitos são autolimitantes, ou seja, tendem a desaparecer espontaneamente sem a necessidade de intervenção específica. Quando ocorrem, costumam ser observados principalmente nas primeiras administrações do medicamento, com resolução natural à medida que o tratamento prossegue.
Dessa forma, embora letargia, diarreia e vômito estejam entre os possíveis efeitos adversos do Numelvi®, eles são considerados incomuns e, quando presentes, geralmente são leves e transitórios, permitindo a continuidade do tratamento sem maiores intercorrências.
Na imagem a seguir é possível analisar dados de baixa presença de reações adversas
CV – Existe produto semelhante para gatos em outros países?
MB – Não. Até o momento, não existe um produto semelhante ao Numelvi® aprovado para gatos em outros países.
Trata-se de uma área de grande interesse para a medicina veterinária, e há expectativa de que novas opções terapêuticas possam ser desenvolvidas futuramente para essa espécie. No entanto, atualmente, não há produtos com essa proposta e mecanismo de ação disponíveis ou aprovados especificamente para gatos.
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