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Isabella Parra

Da superação ao propósito: a trajetória de uma veterinária que encontrou na nutrição uma nova forma de transformar vidas

Matéria escrita por:

Clínica Veterinária

19 de jul de 2026

Médica-veterinária Isabella Straceri Parra. Créditos: Isabella Straceri Parra Médica-veterinária Isabella Straceri Parra. Créditos: Isabella Straceri Parra

Isabella Straceri Parra é médica-veterinária (CRMV-SP 61.437), e realizou pós-graduação em nutrição de cães e gatos e patologia clínica veterinária. Atua com nutrição clínica de pequenos animais, com foco em prevenção, doenças crônicas e alimentação natural individualizada. Realiza atendimentos online para todo o Brasil e presenciais em Santos, SP. Sua trajetória é marcada pela superação de uma lesão de plexo braquial, que a levou a desenvolver ainda mais resiliência, disciplina e determinação para alcançar o sonho de se tornar referência nacional em nutrição veterinária.

 

Revista Clínica Veterinária (CV) – Como surgiu o sonho de ser médica-veterinária?

Isabella Parra (IP) – Desde muito pequena, sempre tive uma ligação forte com os animais. Passei boa parte da infância em contato com eles, especialmente nas visitas ao sítio dos meus bisavós. Gostava de observar, cuidar e estar perto dos animais, mas os cavalos sempre tiveram um lugar especial na minha vida.

Quando criança, pratiquei equitação por alguns anos e, mais tarde, voltei a montar. Em 2018 comprei minha primeira égua e, posteriormente, meu cavalo, passando a treinar a modalidade de três tambores. Naquela época, meu sonho era me tornar médica-veterinária de equinos e construir minha carreira trabalhando diretamente com eles.

Mas durante o ensino médio minha família, especialmente meu pai, me incentivava a seguir a medicina humana. Como ele já atuava e ainda atua como médico, acreditava que seria um caminho com muitas oportunidades e especialidades para eu escolher. Segui seus conselhos, fiz cursinho preparatório e me dediquei aos vestibulares pensando nessa possibilidade.

No entanto, ao longo desse processo, percebi que meu interesse genuíno estava em outra direção. Sempre que imaginava meu futuro profissional, era trabalhando com animais que eu me sentia realizada. Entendi que a medicina veterinária não era apenas uma opção, mas uma verdadeira vocação.

Hoje não me arrependo nem por um instante dessa decisão. A medicina veterinária me permitiu unir ciência, cuidado e propósito de uma forma que faz sentido para mim. Encontrei na profissão a oportunidade de impactar positivamente a vida dos animais e de suas famílias, e posteriormente descobri na nutrição veterinária uma área pela qual me apaixonei profundamente. Olhando para trás, tenho a certeza de que escolhi o caminho certo.

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Isabella Straceri Parra desde a infância já sonhava em cuidar de animais. Créditos: Isabella Straceri Parra

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CV – Sua história também é marcada por um desafio pessoal importante. Gostaria de compartilhar essa experiência?

IP – Em dezembro de 2020, quando eu tinha 21 anos e ainda estava na faculdade de medicina veterinária, sofri um acidente enquanto treinava três tambores com meu cavalo. O acidente resultou em uma avulsão de plexo braquial, causando uma limitação permanente dos movimentos do meu braço direito. Além dos desafios físicos, precisei lidar com o impacto emocional de ver meu futuro profissional mudar completamente. Durante muito tempo, meu maior sonho era trabalhar com equinos, mas precisei aceitar que aquele caminho talvez não fosse mais possível.

Foi um período de muitas dúvidas, medos e adaptações. Precisei reaprender a realizar atividades simples do dia a dia, continuar a faculdade e encontrar novos caminhos dentro da medicina veterinária. Houve momentos em que não sabia exatamente qual seria meu futuro profissional, mas nunca deixei de acreditar que ainda poderia construir uma carreira de que me orgulhasse.

Hoje entendo que o acidente mudou meus planos, mas não meus sonhos. Ele me ensinou resiliência, persistência e capacidade de adaptação. Aprendi que nem sempre podemos escolher o que acontece conosco, mas podemos escolher como reagir. Foi justamente essa experiência que me tornou mais forte, mais empática e determinada a ajudar outros animais e suas famílias por meio da profissão que escolhi.

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Isabella Straceri Parra quando treinava na modalidade de três tambores. Créditos: Isabella Straceri Parra

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CV – De que forma essa experiência influenciou sua atuação profissional?

IP – Essa experiência mudou completamente a forma como enxergo os desafios. Depois do acidente, precisei renunciar ao sonho de atuar com equinos e encontrar novos caminhos dentro da medicina veterinária. Passei pela patologia clínica, repensei meus objetivos profissionais mais de uma vez e, posteriormente, encontrei na nutrição veterinária a área em que realmente me identifiquei.

Todo esse processo me ensinou a ser resiliente, a me adaptar às mudanças e a não desistir diante das dificuldades. Também me tornou uma profissional mais empática, porque entendo que cada paciente e cada responsável enfrentam desafios únicos. Hoje procuro enxergar além da doença, buscando compreender a realidade de cada família para oferecer um atendimento mais humano e individualizado.

 

CV – Houve momentos em que você precisou reconstruir seus sonhos profissionais?

IP – Sim, mais de uma vez. Antes do acidente, meu objetivo era atuar com equinos. Quando percebi que minhas limitações físicas dificultariam esse caminho, precisei renunciar a um sonho que carregava desde a adolescência. Durante a faculdade encontrei na patologia clínica uma nova possibilidade, pois era uma área em que conseguia realizar diversos procedimentos de forma independente. Fiz uma pós-graduação e me dediquei muito aos estudos. Porém, ao longo da formação, percebi que também existiam limitações que dificultariam minha atuação da maneira que eu imaginava.

Foi um período de muitas dúvidas, porque eu precisava novamente repensar meu futuro profissional. Quando morava em São José do Rio Preto, antes de mudar para Santos, meu primeiro trabalho após o acidente foi em uma pet shop chamada Mercadão Agropet. A cada três meses participávamos de treinamentos promovidos por diferentes fabricantes de alimentos para cães e gatos, e foi nesse ambiente que comecei a me interessar pela composição dos alimentos e pela forma como eram desenvolvidas as dietas para diferentes necessidades.

Nessa mesma época, eu tinha um cachorrinho chamado Bolota, que convivia com diversas enfermidades. Ao acompanhar seu tratamento, senti a necessidade de ajudá-lo além da terapia medicamentosa, buscando na nutrição uma forma de proporcionar mais conforto, saúde e qualidade de vida. Naquele momento encontrei meu propósito. Curiosamente, quando decidi seguir a nutrição veterinária, muitas pessoas não acreditavam que aquela área teria espaço ou que eu conseguiria construir uma carreira nela. Hoje, olhando para trás, percebo que cada mudança de rota me aproximou exatamente de onde eu deveria estar.

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Isabella sempre foi apaixonada por cavalos. Créditos: Isabella Straceri Parra

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CV – Como foi a decisão de se mudar para Santos?

IP – A mudança para Santos também foi um momento de grande desafio na minha vida. Embora eu tenha vindo acompanhada da minha mãe e do meu marido, deixar São José do Rio Preto, onde cresci, construí minhas referências e iniciei minha trajetória profissional, não foi uma decisão fácil.

Eu sentia medo do desconhecido, de precisar recomeçar em uma cidade nova, construir minha carreira novamente e conquistar meu espaço profissional longe da realidade que eu conhecia. Depois de tudo o que havia enfrentado com o acidente, a mudança representava mais uma etapa de adaptação.

Ao mesmo tempo, eu entendia que precisava sair da zona de conforto para continuar crescendo. Santos trouxe novas oportunidades, novos aprendizados e me permitiu amadurecer tanto pessoal quanto profissionalmente.

Hoje vejo que essa mudança foi fundamental para a minha trajetória. Ela me mostrou que, mesmo diante das incertezas, vale a pena seguir em frente quando existe um propósito maior. Muitas das conquistas que tenho alcançado começaram com a coragem de aceitar esse recomeço.

 

CV – E na faculdade, como foi a questão de acessibilidade e da visibilidade da turma?

IP – O acidente aconteceu durante a graduação, então precisei retornar à faculdade já convivendo com minhas novas limitações físicas. Foi um período de adaptação, porque muitas atividades práticas da medicina veterinária exigem esforço físico e o uso dos dois membros superiores.

Ao longo do curso, precisei encontrar maneiras diferentes de executar algumas tarefas e compreender quais áreas se encaixavam melhor na minha nova realidade. Nem sempre foi fácil, mas procurei focar naquilo que eu ainda era capaz de fazer e não apenas nas limitações que haviam surgido.

Em relação aos colegas e professores, tive a oportunidade de conviver com pessoas que me apoiaram durante essa trajetória. A convivência com a turma foi importante para que eu continuasse acreditando no meu potencial e seguir em frente até a conclusão da graduação.

Essa experiência me mostrou que inclusão vai além de adaptações físicas. Ela também envolve acolhimento, respeito e a compreensão de que cada pessoa pode contribuir de maneira diferente dentro da profissão.

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O estímulo e o conforto emocional oferecido por Bolota foi e é fundamental na superação das dificuldades. Créditos: Isabella Straceri Parra

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CV – Como foi fazer a pós-graduação em patologia clínica com relação a acessibilidade e sua relação com os colegas e professores?

P – Quando iniciei a pós-graduação em patologia clínica, acreditava que seria uma área em que eu conseguiria atuar de forma totalmente independente, mesmo após o acidente. Por isso, enxerguei nela uma oportunidade de continuar construindo minha carreira dentro da medicina veterinária.

Ao longo da formação, porém, percebi que alguns procedimentos ainda apresentavam limitações para mim. Como sempre fui uma pessoa que gosta de ter autonomia e independência no trabalho, isso acabou gerando certa frustração e desânimo em alguns momentos. Foi quando comecei a refletir sobre quais áreas realmente se encaixavam melhor na minha realidade e nos meus objetivos profissionais.

Apesar disso, nunca pensei em desistir da pós-graduação. Pelo contrário, decidi concluí-la porque reconhecia o valor daquele conhecimento. A patologia clínica me proporcionou uma base muito sólida em fisiopatologia e interpretação de exames laboratoriais, conhecimentos que utilizo diariamente até hoje na minha atuação como nutricionista veterinária.

Em relação aos colegas e professores, sempre fui acolhida com muito respeito, empatia e profissionalismo. Tive a oportunidade de conviver com pessoas que enxergavam minhas capacidades antes das minhas limitações, o que tornou essa trajetória muito mais leve e enriquecedora. Sou extremamente grata por todo o aprendizado e pelas pessoas que fizeram parte daquela fase da minha vida.

 

CV – Como você adaptou sua atuação profissional na nutrição veterinária às limitações físicas decorrentes do acidente?

IP – A nutrição veterinária me permitiu continuar exercendo a medicina veterinária de forma independente, utilizando principalmente o raciocínio clínico, a interpretação de exames laboratoriais, a comunicação com os responsáveis e o planejamento nutricional individualizado de cada paciente.

Após o acidente, precisei me adaptar a uma nova realidade. Como era destra, tive que aprender a escrever com a mão esquerda. Hoje consigo escrever, mas com uma velocidade menor do que antes. Por isso, busquei alternativas que me permitissem manter a qualidade e a eficiência do meu trabalho.

A tecnologia teve um papel fundamental nesse processo. Utilizo softwares específicos para cálculos nutricionais, elaboração de dietas, digitalização de cardápios, prontuários e receituários, o que me proporciona mais agilidade e organização no atendimento. Essas ferramentas me permitem focar naquilo que considero mais importante: a avaliação clínica do paciente e a construção de estratégias nutricionais personalizadas.

Essa experiência também me ensinou que adaptação não significa limitação. Muitas vezes, significa apenas encontrar novas formas de alcançar o mesmo objetivo. Hoje consigo atuar com autonomia, oferecer um atendimento de qualidade e exercer a profissão que amo, sempre buscando o melhor para os meus pacientes e suas famílias.

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Isabela e Tequila realizam atividades esportivas juntas. Créditos: Isabella Straceri Parra

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CV – Você tem algum animal de estimação? Como eles surgiram na sua vida?

IP – Sim, tenho a Tequila, uma chihuahua de pelo longo que ocupa um lugar muito especial na minha vida. Ela chegou em um momento delicado, logo após o meu acidente, quando eu ainda estava passando pelo processo de adaptação física e emocional.

Naquela fase, eu enfrentava muitas incertezas sobre o futuro e precisava reaprender diversas coisas no dia a dia. A Tequila surgiu como uma companhia constante e acabou se tornando uma grande fonte de conforto e apoio emocional. Sua presença trouxe leveza para um período que foi bastante desafiador.

Com o passar dos anos, nossa conexão se fortaleceu ainda mais. Ela esteve presente em momentos importantes da minha recuperação, do término da faculdade, das pós-graduações e do início da minha carreira profissional. Costumo dizer que ela não é apenas minha paciente ou meu animal de estimação, mas parte da minha família.

A Tequila me lembra diariamente o motivo pelo qual escolhi a medicina veterinária: o vínculo único que existe entre os animais e as pessoas. Ela teve um papel muito importante na minha trajetória e continua sendo minha companheira em todas as etapas da vida.

 

CV – E o mercado de trabalho? Quais foram seus desafios para entrar no mercado?

IP – Um dos maiores desafios foi lidar com os questionamentos sobre minha capacidade profissional após o acidente. Em alguns momentos, percebi que as pessoas enxergavam primeiro a minha limitação física e só depois minhas competências, minha formação e minha dedicação.

A medicina veterinária é uma profissão que muitas vezes está associada a atividades que exigem esforço físico, e isso fez com que algumas pessoas duvidassem da minha capacidade de construir uma carreira sólida. Precisei provar, muitas vezes, que uma limitação física não determina o conhecimento, o comprometimento ou a qualidade do trabalho de um profissional.

Ao mesmo tempo, esses desafios me motivaram a buscar ainda mais qualificação e a encontrar áreas em que eu pudesse exercer todo o meu potencial. Foi nesse processo que encontrei na nutrição veterinária uma oportunidade de unir minha paixão pela medicina veterinária com uma atuação baseada em conhecimento técnico, raciocínio clínico e acompanhamento individualizado dos pacientes.

Hoje vejo que cada obstáculo enfrentado fortaleceu minha confiança e reforçou a certeza de que competência, dedicação e propósito são muito mais importantes do que qualquer limitação física.

 

CV – Na sua opinião, por que ainda em pleno século 21, de tanta tecnologia e informação, não existe esse espaço

para pessoas com deficiência?

IP – Acredito que ainda existe um grande desconhecimento sobre o potencial das pessoas com deficiência. Muitas vezes, a deficiência é vista primeiro do que a pessoa, sua formação, suas competências e sua capacidade de contribuir profissionalmente.

Embora tenhamos avançado em tecnologia, informação e inclusão, ainda existem barreiras culturais e preconceitos que dificultam o acesso a oportunidades. Em muitos casos, não faltam profissionais capacitados, mas sim ambientes dispostos a enxergar além das limitações físicas.

Como pessoa com deficiência, já vivenciei situações em que precisei demonstrar mais do que outros profissionais para provar minha capacidade. Isso mostra que ainda há um caminho importante a ser percorrido em relação à inclusão.

A verdadeira inclusão acontece quando as pessoas são avaliadas pelo seu conhecimento, dedicação e potencial, e não pelas limitações que possuem. Quando a sociedade compreende isso, todos ganham: os profissionais, as empresas e a própria comunidade.

 

CV – Você poderia compartilhar conosco algum desses desafios na medicina veterinária por ter uma limitação física?

IP – Sim. A medicina veterinária é uma profissão que, em muitas áreas, exige o uso simultâneo dos dois membros superiores. Após o acidente, precisei entender que alguns procedimentos se tornariam mais desafiadores para mim, como coleta de sangue sem auxílio, cateterização venosa, passagem de sonda uretral, intubação orotraqueal, suturas, procedimentos cirúrgicos, contenção de animais agitados, exames ortopédicos, punções, procedimentos odontológicos, posicionamento de pacientes para radiografias e, principalmente, o manejo e a contenção de grandes animais.

 

CV – Você está no início da carreira, mas demonstra objetivos bastante definidos. Onde pretende chegar?

IP – Meu objetivo é me tornar uma das principais referências em nutrição clínica de cães e gatos no Brasil. Quero contribuir para a valorização da nutrição dentro da medicina veterinária e ajudar cada vez mais animais a viver com saúde e qualidade de vida por meio da alimentação.

 

CV – Como imagina a medicina veterinária do futuro?

IP – Acredito em uma medicina cada vez mais preventiva, personalizada e integrativa. A tendência é que a nutrição ocupe um papel ainda mais estratégico, trabalhando em conjunto com outras especialidades para promover saúde e longevidade.

 

CV – E qual é a sua maior motivação hoje?

IP – Minha maior motivação hoje é a gratidão. Gratidão a Deus, que me sustentou nos momentos mais difíceis da minha vida e me deu forças para continuar quando eu mesma não sabia qual seria o meu futuro.

Também sou profundamente grata a todos os profissionais que fizeram parte da minha recuperação: médicos, cirurgiões, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e ao meu personal trainer. Cada um deles teve um papel fundamental para que eu pudesse reconstruir minha vida após o acidente.

Sou grata ao meu pai, que nunca mediu esforços para me proporcionar as melhores oportunidades de tratamento, cirurgias e todo o suporte necessário durante essa caminhada. E, principalmente, à minha mãe, que esteve ao meu lado em todos os momentos, literalmente 24 horas por dia quando eu mais precisei, oferecendo cuidado, apoio, força e amor incondicional.

Meu marido também foi fundamental nessa trajetória. Nos momentos de dor, insegurança e dificuldades do dia a dia, ele esteve ao meu lado, oferecendo apoio, paciência e incentivo. Sua presença foi essencial para que eu continuasse acreditando em mim.

Tudo isso me lembra diariamente que nenhuma conquista é construída sozinha. Hoje, quando consigo ajudar um animal a ter mais qualidade de vida ou orientar uma família em um momento difícil, sinto que estou retribuindo, através da minha profissão, todo o cuidado e apoio que recebi ao longo da minha jornada. Essa é a minha maior motivação e o que dá sentido ao meu trabalho todos os dias.

 

CV – Que mensagem gostaria de deixar para estudantes e jovens médicos-veterinários?

IP – Eu diria para não desistirem diante das dificuldades ou das mudanças de percurso. Nem sempre a carreira acontece da forma como planejamos, e isso não significa que ela será menos especial. Eu mesma precisei reconstruir meus sonhos profissionais mais de uma vez, mas cada desafio me levou a novos aprendizados e oportunidades.

Estudem, busquem conhecimento constantemente e acreditem no próprio potencial. A medicina veterinária é uma profissão que exige dedicação, mas também oferece a oportunidade de transformar vidas. Persistência, resiliência e paixão pelo que fazemos fazem toda a diferença ao longo da jornada.