No último artigo discorremos sobre o tema “viver são escolhas”. Vamos agora aprofundar este tema e falar daquelas escolhas que podem transformar sua vida ao vivê-la com uma consciência mais ampla, alimentada pelo poder da informação.
Para começar, é preciso refletir sobre o modo como cada um se vê em suas relações com o mundo à sua volta, isto é, com as outras pessoas, com o próprio corpo, o cosmos, com um Deus superior, com o tempo, o passado e o futuro.
Podemos chamar essas relações de “resiliência espiritual”, onde ciência e espiritualidade se encontram, o que vai além daquelas fronteiras tradicionais que no passado separavam a ciência da espiritualidade. Já vimos que a melhor sabedoria das nossas preciosas tradições espirituais antigas já oferecia técnicas cuja efetividade a ciência agora vem mostrando e comprovando.
Na vida não há nada de novo sem uma informação nova. Os mesmos pensamentos geram as mesmas informações, e se a informação é a mesma, as escolhas serão as de sempre, e repetiremos os mesmos comportamentos, e serão revividas as mesmas experiências, os mesmos sentimentos e emoções. Se não há informações novas, tudo permanece igual.
A epigenética é o estudo de mudanças funcionais no genoma que ativam ou desativam genes sem alterar a sequência do DNA. Ela indica que existe uma espécie de “interruptor” molecular, que é influenciado por fatores ambientais e pelo estilo de vida (dieta, estresse, exercícios), e que determina quais dos nossos genes serão expressos e quais serão silenciados.
Em outras palavras, a ciência concluiu que há fatores externos aos genes que exercem influência sobre eles. Este é um ponto extremamente relevante, pois durante muito tempo fomos condicionados a acreditar que os genes determinavam e controlavam 100% da nossa vida, e sabemos agora que não é assim, que não estamos totalmente à mercê dos nossos genes.
Essa é uma ótima notícia, pois quando começamos a integrar a física quântica à neurociência e à epigenética, constatamos que cada nova informação aprendida cria uma nova oportunidade, um novo caminho dentro do cérebro que, a partir de repetições, pode ser consolidado. Temos como atuar no sentido de promover a nossa transformação.
Novas informações são geradas a partir do momento em que expandimos nossa consciência e acessamos o campo invisível de energia que se estende além dos sentidos e conecta tudo o que existe no universo. E é o acolhimento dessas novas informações que nos permite despertar nada menos que a melhor versão de nós mesmos.
Então o que limita ou impede a expansão da nossa consciência? Essencialmente é o apego aos nossos pensamentos negativos. São eles o obstáculo a ser vencido para alcançarmos os maiores sonhos, são eles que distorcem nossa noção da realidade, nos fazem acreditar que somos menores do que realmente somos e que constroem prisões invisíveis.
As informações trazidas pela ciência moderna e pelas sabedorias antigas confirmam, no entanto, que a paz não é sabotada pelo mundo lá fora. O que dificulta alcançarmos a paz é o poder que entregamos inconscientemente aos próprios pensamentos.
Se refletirmos um pouco sobre a natureza de nossos pensamentos veremos o quanto são altamente influenciados pelos sentidos, pela nossa visão estreita das coisas, por aquilo que ouvimos e até por aquilo que dizemos, pelas nossas sensações olfativas, táteis. Tudo isso nos leva a criar uma sensação de realidade que é extremamente particular e limitada, mas que entendemos e projetamos como sendo a própria verdade. E está longe disso. Ou seja, para conseguirmos algum equilíbrio precisamos contrapor algo a essa noção corriqueira e cotidiana da realidade, e para isso, dizem os sábios há milênios e diz a ciência atual, precisamos cuidar de silenciar um pouco o poder dos sentidos e entrar em contato com a consciência e as conexões invisíveis do universo.
Para que seja possível alcançar a transformação positiva que desejamos alcançar em nossas vidas, temos que ampliar nossa consciência com informações que nos levem, certamente com muita dedicação, constância e atenção, a nos transformarmos em arquitetos conscientes da realidade, não dessa nossa realidade individual e particularíssima, mas de uma realidade mais abrangente e consistente, que inclua todos os outros seres e o nosso meio ambiente. Só assim contribuiremos de fato para criar um mundo melhor de paz, amor e harmonia.