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Associação Medicinal de Endocanabinologia Veterinária – Amec-Vet

UFV inaugura primeiro Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis de universidade pública do Brasil e abre perspectivas para a pesquisa veterinária

Matéria escrita por:

Clínica Veterinária

20 de set de 2026

Nana Lívia Pires Coelho na inauguração do Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa da Universidade Federal de Viçosa (BAGC/UFV). Créditos: Nana Lívia Pires Coelho Nana Lívia Pires Coelho na inauguração do Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa da Universidade Federal de Viçosa (BAGC/UFV). Créditos: Nana Lívia Pires Coelho

A Universidade Federal de Viçosa (UFV) inaugurou, em 18 de agosto de 2026, o primeiro Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa L. (BAGC/UFV) de uma universidade pública brasileira. Localizada no Vale da Agronomia, no campus Viçosa, em Minas Gerais, a estrutura ocupa uma área de quase um hectare e nasce com a proposta de conservar, caracterizar e estudar a diversidade genética da espécie.

A inauguração reuniu pesquisadores, estudantes, representantes do poder público, setor produtivo e associações. Entre os convidados esteve a Associação Brasileira de Endocanabinologia e Cannabis Veterinária (Amec-Vet), representada pela médica-veterinária Nana Livia Pires Coelho.

O banco já reúne 68 variedades da biodiversidade brasileira, e a expectativa da Universidade é alcançar 500 exemplares, incorporando futuramente materiais provenientes de outros países. A estrutura já dá suporte a 24 experimentos agronômicos em diferentes áreas do conhecimento.

Mais do que armazenar sementes ou manter plantas, um banco ativo de germoplasma funciona como um patrimônio genético destinado à pesquisa. Os diferentes materiais são identificados, catalogados, conservados e estudados, permitindo que pesquisadores conheçam características genéticas, agronômicas e produtivas e investiguem variedades de interesse para diferentes finalidades.

“Participar da inauguração foi, para mim, um momento muito especial e simbólico para a ciência brasileira e para a endocanabinologia veterinária”, relatou Nana Livia.

Segundo a médica-veterinária, um dos aspectos que mais chamaram sua atenção durante a visita foi compreender a dimensão científica existente por trás de uma estrutura dessa natureza.

“Um banco de germoplasma não é simplesmente um lugar onde se armazenam sementes ou plantas. Existe toda uma lógica de conservação, identificação, caracterização e estudo do material genético”, explicou.

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Nana Lívia Pires Coelho conheceu parte das variedades de Cannabis mantidas para conservação, caracterização e pesquisa, incluindo estudos sobre adaptação das diferentes genéticas às condições brasileiras. Créditos: Nana Lívia Pires Coelho

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Da genética ao conhecimento sobre a Cannabis

A criação do BAGC/UFV é resultado de uma trajetória construída ao longo de anos e envolve a experiência da Universidade com conservação de recursos genéticos vegetais. À frente do projeto está o professor Derly Henriques da Silva, que possui mais de duas décadas de experiência como curador do Banco de Germoplasma de Hortaliças da UFV.

A Universidade obteve, em 2024, medidas judiciais que possibilitaram legalmente a implementação da estrutura destinada à Cannabis. O projeto também conta com a participação da Cannabreed Technology Brasil, empresa fundada em 2021 a partir do Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento da própria UFV e posteriormente graduada no parque tecnológico da instituição, o tecnoPARQ.

A parceria entre UFV, Cannabreed Technology Brasil e Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) foi formalizada em 2023 e contempla tanto o Banco Ativo de Germoplasma quanto um programa de tropicalização da Cannabis.

É justamente a possibilidade de estudar o comportamento de diferentes genéticas nas condições brasileiras que chamou a atenção da representante da Amec-Vet.

“A parceria busca estudar diferentes genéticas em condições brasileiras, avaliando sua adaptação, características agronômicas e potencial para diferentes finalidades. Isso abre muitas possibilidades para pesquisas envolvendo genética, melhoramento vegetal, produtividade, biomassa, composição química e diferentes perfis de canabinoides”, afirmou Nana Livia.

Durante a visita, segundo ela, também foram apresentados diferentes tipos de plantas em estudo, incluindo materiais com diferentes perfis de canabinoides, como CBD, THC, CBG e THCV.

Para a médica-veterinária, entretanto, o principal valor do projeto não está apenas no número de variedades conservadas.

“O grande valor está na possibilidade de conhecer cada material geneticamente e agronomicamente, registrando suas características e seu comportamento nas condições brasileiras”, destacou Nana Livia.

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Nana Lívia Pires Coelho e professor Derly Henriques da Silva. Créditos: Nana Lívia Pires Coelho

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E o que isso pode representar para a medicina veterinária?

Embora o Banco Ativo de Germoplasma tenha sua origem diretamente relacionada às ciências agrárias, suas possibilidades de pesquisa são interdisciplinares.

A caracterização genética e química das diferentes variedades pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre a Cannabis como matéria-prima e sobre a diversidade de compostos produzidos pela planta. Para a medicina veterinária, essa construção científica pode ser particularmente relevante em um momento de crescimento das pesquisas envolvendo o sistema endocanabinoide e o uso terapêutico de canabinoides em animais.

Nana Livia destaca que, durante a inauguração, tanto o professor Derly Henriques da Silva quanto Renato Tonini, da Cannabreed, manifestaram abertura para o desenvolvimento de pesquisas na área veterinária.

“Como médica-veterinária, vejo uma perspectiva muito interessante na possibilidade de esse conhecimento contribuir futuramente para pesquisas relacionadas ao sistema endocanabinoide e às aplicações terapêuticas da Cannabis na medicina veterinária”, afirmou Nana Livia.

A aproximação pode ser especialmente importante diante de um dos desafios da pesquisa com Cannabis: conhecer precisamente o material estudado e sua composição.

“Acredito que precisamos avançar cada vez mais para uma Cannabis baseada em ciência: conhecer a genética, conhecer a composição química, entender a variabilidade dos produtos e, a partir daí, desenvolver pesquisas clínicas mais consistentes”, acrescentou.

 

A medicina veterinária também precisa ocupar esses espaços

Para a representante da Amec-Vet, estar presente na inauguração mostrou ainda como o desenvolvimento da Cannabis ultrapassa as fronteiras de uma única profissão ou área científica.

Agronomia, genética, biotecnologia, química, farmacologia e diferentes áreas da saúde podem encontrar no estudo da planta pontos de convergência. E a medicina veterinária, segundo Nana Livia, precisa participar dessa construção.

“Existe uma diferença muito grande entre simplesmente falar sobre Cannabis medicinal e compreender toda a cadeia de conhecimento que existe por trás dela. Quando estamos diante de uma estrutura dedicada à conservação genética, caracterização, pesquisa e melhoramento, percebemos que estamos falando de ciência em sua essência”, afirmou.

Para ela, pesquisas de qualidade, produtos adequadamente caracterizados, conhecimento sobre diferentes perfis químicos e produção de evidências científicas são fundamentais para o avanço responsável da aplicação dos canabinoides em animais.

A presença da Amec-Vet entre os convidados da inauguração também ganha um significado institucional nesse contexto: aproxima uma entidade dedicada à endocanabinologia veterinária de uma estrutura que poderá fomentar diferentes linhas de investigação científica nos próximos anos.

A presença da Amec-Vet entre os convidados da inauguração também ganha um significado institucional nesse contexto: aproxima uma entidade dedicada à endocanabinologia veterinária de uma estrutura que poderá fomentar diferentes linhas de investigação científica nos próximos anos.

“Saio dessa experiência ainda mais convencida de que precisamos aproximar universidades, pesquisadores, empresas, profissionais da saúde humana e veterinária”, diz Nana Livia.

E resume o significado do novo banco para a área: “Para mim, o Banco Ativo de Germoplasma da UFV representa uma oportunidade de construir conhecimento brasileiro sobre a Cannabis desde a sua base genética. Poder estar ali representando a Amec-Vet foi uma forma de reafirmar que nós também queremos e precisamos fazer parte dessa história, sempre com ciência, ética, responsabilidade e compromisso com a saúde e o bem-estar dos animais.”