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Inteligência artificial

Economizar tempo para cuidar melhor

O valor real da inteligência artificial na clínica veterinária

Matéria escrita por:

Abílio Rigueira Domingos, Gustavo de Castro Bregunci

27 de jul de 2026

Créditos: Chat GPT / ConnectVets Créditos: Chat GPT / ConnectVets

Introdução

Na rotina da clínica veterinária, o tempo é mais do que uma unidade de produtividade. Ele é parte da qualidade do cuidado. É o tempo que permite ouvir o responsável sem pressa, observar o paciente além da queixa inicial, organizar hipóteses diagnósticas, explicar escolhas terapêuticas, registrar adequadamente o atendimento e acompanhar a evolução depois que o animal deixa o consultório. No entanto, uma parcela crescente da jornada profissional é consumida por tarefas necessárias, mas repetitivas: preencher prontuários, produzir documentos, localizar informações dispersas, responder mensagens semelhantes, confirmar horários, enviar orientações, organizar retornos, conferir estoques e consolidar dados administrativos.

Nesse cenário, a discussão sobre inteligência artificial costuma ser conduzida a partir de uma pergunta grandiosa: a tecnologia será capaz de diagnosticar melhor do que o médico-veterinário? Embora essa questão desperte interesse, ela não representa o benefício mais próximo e mais concreto da IA na prática diária. O ganho mais imediato não está em substituir o raciocínio clínico, mas em reduzir o atrito existente ao redor dele. Em outras palavras, a primeira grande contribuição da IA pode ser permitir que o médico-veterinário dedique menos tempo ao trabalho mecânico e mais tempo às atividades que exigem julgamento, responsabilidade, comunicação e presença humana.

Este artigo propõe uma leitura positiva, porém prática, da inteligência artificial na clínica veterinária. O objetivo não é descrever exaustivamente cada ferramenta disponível, mas mostrar como diferentes aplicações podem se combinar para reduzir tarefas repetitivas antes, durante e depois da consulta, além de apoiar atividades laboratoriais, diagnósticas e gerenciais. A tese central é simples: a IA não precisa substituir o médico-veterinário para transformar a rotina. Basta que consiga devolver ao profissional parte do tempo hoje consumido pela burocracia e pelo retrabalho.

 

O tempo como recurso clínico

Falar em economia de tempo pode sugerir uma preocupação exclusivamente financeira, como se o único objetivo fosse aumentar o número de consultas. Essa é uma possibilidade, mas não deveria ser a única. O tempo recuperado pode ser convertido em maior acesso ao serviço, em consultas mais qualificadas, em melhor comunicação com o responsável, em revisão cuidadosa dos registros, em discussão de casos e em redução do trabalho realizado após o expediente. Portanto, o impacto da IA deve ser avaliado em pelo menos três dimensões: minutos efetivamente poupados, redução da carga cognitiva e diminuição do trabalho residual que invade o período de descanso.

Essa distinção é relevante porque nem toda ferramenta produz economia objetiva de minutos, mas algumas reduzem o esforço necessário para concluir uma tarefa. Em um estudo com 162 profissionais de saúde que utilizaram respostas preliminares geradas por IA para mensagens de pacientes, não houve redução significativa no tempo de leitura ou de escrita. Ainda assim, foram observadas diminuições nos escores de carga de tarefa e de exaustão profissional 1. O dado mostra que eficiência não deve ser entendida apenas como velocidade. Uma atividade pode continuar ocupando tempo semelhante, mas exigir menos energia mental, menos alternância de atenção e menor desgaste.

 

A documentação clínica como primeiro grande ganho mensurável

Entre as aplicações atuais, a documentação ambiental é uma das que apresentam resultados mais objetivos. Os chamados escribas de IA utilizam reconhecimento automático de fala, processamento de linguagem natural e modelos generativos para transformar a conversa clínica em uma minuta estruturada. O sistema pode organizar queixa principal, histórico, sinais relatados, achados do exame, avaliação e plano, geralmente em formatos compatíveis com o prontuário. O objetivo não é gravar mecanicamente tudo o que foi dito, mas sintetizar o encontro em um documento que possa ser revisado e validado pelo profissional.

Em um estudo prospectivo conduzido com 45 médicos de oito especialidades ambulatoriais, o escriba ambiental foi utilizado em 9.629 de 17.428 atendimentos, o que correspondeu a 55,25% das consultas avaliadas. Em comparação com o período anterior à adoção, o tempo mediano por nota diminuiu 0,57 minuto. A redução diária foi de 6,89 minutos na documentação, 5,17 minutos no trabalho após o expediente e 19,95 minutos no tempo total de uso do prontuário eletrônico 2. Isoladamente, menos de um minuto por nota pode parecer modesto. Quando o ganho se repete ao longo de dezenas de atendimentos e de centenas de dias de trabalho, o efeito acumulado torna-se relevante.

Uma análise multicêntrica mais ampla, realizada em cinco centros médicos acadêmicos dos Estados Unidos, incluiu 8.581 clínicos, dos quais 1.809 adotaram escribas de IA. A adoção foi associada a redução de 13,4 minutos no tempo total de prontuário e de 16 minutos no tempo de documentação, considerando oito horas programadas de atendimento. Também houve aumento médio de 0,49 consulta por semana, sem mudança significativa no tempo de prontuário fora do horário regular 3. O estudo é importante porque mostra que o tempo recuperado pode produzir ganhos de capacidade, embora o aumento de volume tenha sido discreto.

Resultados de um ensaio randomizado com 238 médicos de 14 especialidades reforçam que o benefício não é uniforme. Duas plataformas foram comparadas com o cuidado habitual. Uma delas reduziu em 9,5% o tempo por nota, enquanto a outra não apresentou diferença significativa nesse desfecho. Ambas, entretanto, produziram melhora potencial em alguns indicadores de carga profissional e exaustão. Os participantes também relataram imprecisões clinicamente relevantes de forma ocasional, o que confirma a necessidade de revisão humana 4.

O benefício mais valioso pode ocorrer durante a própria consulta. Ao reduzir a necessidade de olhar constantemente para o computador, o profissional consegue manter contato visual, observar melhor o comportamento do paciente e escutar o responsável com maior atenção. Revisões sobre escribas ambientais descrevem melhora percebida na interação clínica e redução da carga cognitiva, mas também relatam omissões, notas excessivamente longas e alucinações ocasionais 5. Por isso, o documento gerado deve ser tratado como minuta. A responsabilidade pela correção, completude e pertinência do prontuário permanece integralmente com o médico-veterinário.

 

Antes e depois da consulta: comunicação, agendamento e acompanhamento

A consulta representa apenas uma parte da jornada assistencial. Antes dela, há dúvidas, coleta de informações, confirmação de horário, orientações de preparo e organização de documentos. Depois, surgem instruções de tratamento, esclarecimentos sobre medicações, envio de resultados, lembretes de retorno e acompanhamento da evolução. Grande parte desse trabalho é repetitiva e pode ser parcialmente estruturada por sistemas de automação e IA.

No agendamento, a tecnologia pode identificar a natureza da demanda, solicitar informações mínimas, sugerir horários, confirmar consultas e direcionar situações potencialmente urgentes para avaliação humana. A vantagem não está em permitir que um chatbot defina diagnóstico ou tratamento, mas em organizar o fluxo inicial e reduzir trocas de mensagens que pouco acrescentam ao julgamento clínico. Ferramentas desse tipo podem permanecer disponíveis fora do horário comercial, registrar solicitações e preparar a equipe para responder de maneira mais rápida e consistente.

Os lembretes representam um exemplo simples de automação com impacto mensurável. Uma revisão sistemática e meta-análise de 12 estudos, dos quais 10 participaram da síntese quantitativa, avaliou 8.236 participantes e encontrou melhora significativa no comparecimento a consultas, com risco relativo agrupado de 1,11. Os lembretes por telefone apresentaram benefício significativo, e os sistemas por mensagem também mostraram tendência favorável 6. Esses resultados vêm da medicina humana, mas o princípio é diretamente relevante para clínicas veterinárias, nas quais faltas geram horários ociosos, atrasam acompanhamentos e exigem retrabalho da recepção.

A IA também pode auxiliar na elaboração de mensagens pós-atendimento. A partir de um prontuário já validado, o sistema pode gerar uma orientação em linguagem acessível, organizar horários de medicação, destacar sinais de alerta e preparar uma mensagem de acompanhamento. O profissional continua responsável por revisar o conteúdo e adequá-lo ao paciente. A vantagem é reduzir o tempo gasto para reconstruir informações já registradas e diminuir a inconsistência entre o que foi discutido no consultório e o que foi enviado ao responsável.

Uma revisão sistemática recente sobre chatbots de IA em saúde identificou quatro áreas centrais de avaliação: qualidade textual, eficácia clínica, engajamento e segurança. Os autores destacaram potencial para ampliar o acesso à informação e apoiar o atendimento, mas chamaram atenção para a necessidade de melhor validação, avaliação de vieses, proteção de dados e estudos controlados 7. Na prática veterinária, a regra deve ser clara: tarefas padronizáveis podem ser automatizadas; situações ambíguas, emocionalmente sensíveis ou clinicamente relevantes devem ser encaminhadas para pessoas.

 

Apoio a exames, laudos e integração de informações

Outra fonte importante de consumo de tempo é a necessidade de reunir informações clínicas dispersas. Resultados laboratoriais, laudos de imagem, evoluções anteriores, prescrições e documentos externos frequentemente estão distribuídos em diferentes telas ou arquivos. Sistemas de IA podem resumir históricos extensos, comparar resultados seriados, sinalizar alterações relevantes e preparar sínteses para revisão. O valor não está em decidir pelo profissional, mas em reduzir o tempo necessário para localizar e organizar dados antes da decisão.

Na patologia clínica veterinária, a IA apresenta potencial para classificar imagens, apoiar contagens celulares, reconhecer padrões e integrar conjuntos complexos de dados. Uma revisão específica da área destaca que essas aplicações podem melhorar o fluxo de trabalho, mas ressalta a necessidade de definir claramente o uso pretendido, qualificar o método, documentar o processo e monitorar seu desempenho após a implantação. O patologista veterinário precisa participar ativamente do desenvolvimento e da validação, pois a utilidade de um modelo depende do contexto em que será empregado 8.

Na radiologia, a promessa de rapidez é especialmente atraente. Algoritmos podem sinalizar achados, realizar medições, verificar qualidade técnica e priorizar exames potencialmente urgentes. Isso pode reduzir o tempo gasto em tarefas de triagem e aumentar a disponibilidade de apoio em locais com menor acesso a especialistas. A literatura veterinária aponta que a análise de imagens e a redução da carga administrativa estão entre os usos mais maduros da IA em pequenos animais 9.

Entretanto, velocidade não deve ser confundida com segurança. Um estudo comparou software comercial de IA com radiologistas na interpretação de radiografias caninas e felinas e concluiu que a tecnologia poderia complementar especialistas em determinadas tarefas descritivas 10. Posteriormente, um comentário científico destacou limitações metodológicas e alertou que conclusões excessivamente otimistas poderiam ultrapassar o que os dados permitiam afirmar 11.

Essa cautela ganhou força em um estudo de validação externa de seis plataformas comerciais, realizado com radiografias abdominais caninas provenientes da prática geral. O desempenho foi variável e, em grande parte, baixo a moderado. A sensibilidade para diferentes achados variou de 28% a 78%, e a obstrução de intestino delgado, um achado crítico, apresentou sensibilidade entre 23% e 69%. Os autores concluíram que nenhuma das plataformas avaliadas parecia adequada para uso clínico autônomo naquele estágio 12.

 

A automação silenciosa dos bastidores

Nem toda economia de tempo ocorre diante do paciente. Clínicas e hospitais veterinários convivem com grande volume de atividades administrativas: controle de estoque, conferência de consumo, emissão de cobranças, classificação de solicitações, organização de filas, busca de prontuários, consolidação de indicadores, identificação de retornos pendentes e acompanhamento de resultados. São tarefas que raramente recebem destaque, mas que consomem horas da equipe e afetam diretamente a experiência do atendimento.

Uma revisão sobre criação de valor pela IA em medicina veterinária de pequenos animais descreve que 40% dos veterinários apontaram a administração como seu principal problema profissional. Autores identificam aplicações já disponíveis para agendamento, registro de pacientes, produção de notas, acompanhamento de estoque, atendimento de dúvidas básicas, preenchimento de fluxos SOAP, faturamento e avaliação de desempenho da clínica 9. O dado reforça que a transformação mais relevante pode ocorrer por meio da soma de pequenas automações, e não por uma ferramenta única e extraordinária.

Esses usos parecem menos sofisticados do que um algoritmo diagnóstico, mas frequentemente entregam valor mais imediato. Eles reduzem duplicidade de trabalho, evitam que informações se percam e diminuem a dependência de controles paralelos. Uma revisão sistemática identificou aplicações de IA em múltiplas áreas da medicina veterinária e concluiu que a tecnologia deve ampliar a capacidade profissional, sem assumir o lugar do médico-veterinário 13. Essa lógica se aplica com especial clareza aos bastidores: a IA organiza, identifica padrões e prepara ações; a equipe define prioridades, revisa exceções e responde pelas decisões.

 

O que fazer com o tempo recuperado?

A pergunta mais importante talvez não seja quanto tempo a IA consegue economizar, mas o que será feito com esse tempo. Há uma tendência natural de converter todo ganho de eficiência em aumento imediato da agenda. Em alguns contextos, isso é desejável. Ampliar o número de atendimentos pode melhorar o acesso, reduzir filas e aumentar a sustentabilidade financeira do serviço. Um estudo multicêntrico encontrou pequeno aumento médio de consultas após a adoção de escribas 3.

Entretanto, se todo minuto recuperado for preenchido por uma nova demanda, parte do benefício pode desaparecer. A tecnologia que deveria reduzir sobrecarga passa a apenas elevar o volume de trabalho. Esse risco é especialmente relevante em ambientes já pressionados por agendas intensas, equipes reduzidas e alta complexidade emocional. A economia de tempo torna-se clinicamente valiosa quando é reinvestida de maneira consciente.

Uma possibilidade é pensar em um dividendo de tempo dividido entre três finalidades. A primeira é ampliar o acesso, permitindo que parte da capacidade recuperada seja convertida em atendimentos adicionais. A segunda é melhorar a qualidade, reservando tempo para explicações, prevenção, revisão de exames, conferência de prontuários e acompanhamento. A terceira é proteger a sustentabilidade do trabalho, reduzindo documentação após o expediente, intervalos constantemente suprimidos e acúmulo de tarefas no fim do dia.

Sob essa perspectiva, a IA pode contribuir para uma medicina veterinária mais humana. Parece paradoxal atribuir a uma tecnologia esse efeito, mas a lógica é coerente: quanto menos tempo o profissional dedica à digitação, à busca de dados e à repetição de tarefas, maior a possibilidade de estar verdadeiramente presente. A tecnologia não cria empatia, mas pode remover obstáculos que impedem sua expressão.

 

Quando a tecnologia deixa de economizar tempo

Nem toda implantação de IA produz eficiência. Uma ferramenta mal integrada pode aumentar o trabalho ao exigir que o usuário copie informações entre sistemas, corrija textos extensos, confirme alertas irrelevantes ou repita registros já realizados. Também pode gerar dependência de interfaces externas, dificuldade de rastrear alterações e insegurança sobre qual versão do documento é a correta. Nesses casos, a tecnologia adiciona uma nova camada de complexidade sem retirar nenhuma etapa anterior.

A qualidade do dado é outro ponto decisivo. Sistemas treinados com informações pouco representativas podem apresentar desempenho inferior diante de diferentes espécies, raças, faixas etárias, sotaques, ambientes ou padrões de documentação. A literatura veterinária aponta que a disponibilidade de bases confiáveis e bem organizadas é uma das principais limitações para criação de valor pela IA 9. Sem dados adequados, o sistema pode produzir respostas aparentemente bem escritas, mas pouco úteis para a realidade clínica.

Privacidade e segurança também precisam ser consideradas desde o início. A utilização de áudio, prontuários, exames e mensagens envolve dados sensíveis. A instituição deve saber onde as informações são processadas, por quanto tempo são armazenadas, quem pode acessá-las e como serão utilizadas. O consentimento e a transparência são particularmente importantes em sistemas que registram conversas ambientais. A economia de tempo não justifica a adoção de ferramentas que criem riscos desproporcionais de confidencialidade ou de uso secundário dos dados.

A implantação deve começar por tarefas de baixo risco e alto volume, com indicadores definidos antes do início. É possível medir tempo de documentação, trabalho após o expediente, taxa de correção dos textos, faltas, tempo de resposta, satisfação da equipe e ocorrência de erros. A tecnologia deve ser reavaliada periodicamente, porque modelos, integrações e padrões de uso mudam. A recomendação de revisões recentes é tratar a implementação como um processo sociotécnico, no qual ferramenta, pessoas, rotina, responsabilidades e cultura precisam funcionar em conjunto 5.

 

Uma adoção progressiva, responsável e positiva

Adotar IA de maneira responsável não significa utilizar a tecnologia com medo. Significa escolher problemas reais, definir limites claros e acompanhar resultados. O melhor ponto de partida costuma estar em tarefas que já são padronizadas, repetitivas e facilmente revisáveis: rascunho de prontuário, organização de orientações, lembretes, resumos de históricos, classificação de solicitações e consolidação de indicadores.

A partir daí, a instituição pode avançar para aplicações mais complexas, sempre com supervisão proporcional ao risco. Ferramentas de apoio a exames e decisão clínica exigem validação mais rigorosa do que automações administrativas. O mesmo princípio vale para o grau de autonomia. Quanto maior a possibilidade de impacto sobre diagnóstico, tratamento ou prognóstico, maior deve ser a participação humana e menor a tolerância a respostas não verificáveis.

A IA deve ser compreendida como infraestrutura de apoio, e não como protagonista do atendimento. Seu sucesso será menos visível quando estiver integrada de forma natural: um prontuário que fica pronto mais cedo, uma orientação que chega no momento correto, um retorno que não é esquecido, um estoque que não se rompe, um resultado que é localizado rapidamente e uma equipe que termina o dia com menos pendências. São ganhos discretos mas, sendo repetidos, são capazes de alterar de forma profunda a qualidade da rotina.

 

Considerações finais

A inteligência artificial não precisa alcançar autonomia diagnóstica para produzir impacto relevante na clínica veterinária. Seu valor mais próximo está na capacidade de retirar do profissional tarefas repetitivas, organizar informações e reduzir o tempo consumido por documentação, comunicação e administração. Estudos realizados na medicina humana já demonstram redução mensurável do tempo de prontuário e da documentação com escribas ambientais, além de melhora em indicadores de carga cognitiva e exaustão. Embora esses resultados não possam ser transferidos automaticamente para a realidade veterinária, eles oferecem fundamentos plausíveis para aplicações semelhantes.

Na medicina veterinária já existem oportunidades concretas ao longo de toda a jornada assistencial: coleta inicial de informações, agendamento, lembretes, elaboração de prontuários, produção de orientações, acompanhamento, análise de dados, suporte a exames, controle de estoque e gestão de indicadores. O benefício, entretanto, depende de integração, qualidade dos dados, supervisão humana, segurança da informação e avaliação contínua.

A verdadeira medida de sucesso não será a quantidade de tarefas automatizadas, mas a qualidade do tempo devolvido. Quando esse tempo é reinvestido em atenção, comunicação, decisão clínica, acompanhamento e sustentabilidade profissional, a IA deixa de ser apenas uma inovação tecnológica e passa a ser uma ferramenta de cuidado. A transformação provavelmente não ocorrerá por meio de uma aplicação extraordinária, mas pela soma de pequenas reduções de atrito que devolvem ao médico-veterinário aquilo que a rotina progressivamente lhe retirou: tempo para exercer melhor a medicina veterinária.

 

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