Guia de identificação de carcaças para vigilância de febre amarela no Estado de São Paulo
O Guia de identificação de carcaças para vigilância de febre amarela no Estado de São Paulo foi produzido com objetivo de apoiar a vigilância em saúde e os serviços de conservação da fauna para identificar a morte de animais, como os primatas neotropicais. Sabe-se que um evento de mortalidade acima do normal de primatas neotropicais é um importante indício da circulação do vírus da febre amarela. Quando o vírus da Febre Amarela se dispersa pelos fragmentos remanescentes de floresta, em especial na região Sudeste do Brasil, deixa um rastro de mortalidade nas populações de primatas neotropicais. O sistema de saúde precisa detectar a morte desses animais e identificar quais são as espécies afetadas. O problema é que, na maioria dos casos, os animais são encontrados mortos há alguns dias, e há uma grande chance de somente serem encontrados os ossos, em especial, o crânio. Assim, é importante haver um guia com imagens e apontamentos das principais características anatômicas, que permita a identificação dessas espécies.
O guia também traz mapas de ocorrência de cada uma das espécies de primata encontradas no Estado de São Paulo. Assim, é possível conferir quais animais ocorrem em um determinado município, o que direciona a análise. Em seguida, o guia traz uma série de imagens de crânios de outros tipos de animais, como canídeos e felídeos, para permitir saber se uma determinada carcaça é realmente um primata ou pode ser outro animal, como um gato. Vale ressaltar que o crânio de um sagui e o crânio de um gato são muito parecidos em tamanho e formato, e as principais diferenças são número, tipo e formato dos dentes.
Uma vez confirmado que se trata de um primata, é possível saber se o espécime é um animal de maior importância para o ciclo do vírus da febre amarela, como o bugio ou o sauá, ou um animal de menor importância epidemiológica, como é o caso do sagui e do macaco-prego.
Em 2026, o vírus da febre amarela tem se disseminado no estado de são Paulo em três frentes principais. Uma frente, com menor atividade, vem se propagando desde Ribeirão Preto no sentido da região de Botucatu.
Outra frente, com atividade moderada, tem se propagado desde Campinas, passando por Judiaí, Cabreúva, Itu, chegando a Araçariguama. Essa frente de propagação já avançou no sentido da região leste de Sorocaba e pode chegar à região de São Roque.
A frente com maior atividade tem seguido a vertente do vale do Paraíba, seguindo de Jacareí com sentido ao Rio de Janeiro. Em 2026, há casos humanos confirmados no município de Lagoinha, próximo a Lorena.
O médico-veterinário deve orientar a população para que ao encontrar animais mortos ou doentes procure a secretaria de saúde do seu município para comunicar o achado, a fim de que profissionais da saúde devidamente preparados possam recolher o animal ou o material o quanto antes, uma vez que as secretarias municipais de saúde têm a responsabilidade inicial dessas ações.
Informações atualizadas a respeito da situação da febre amarela e de para onde as frentes de propagação estão se desenvolvendo no estado de São Paulo, bem como dos pontos prioritários de vacinação, estão no site do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE), no link https://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/, que apresenta a situação epidemiológica praticamente em tempo real e as áreas com prioridade de vacinação da população.
Os profissionais de saúde, e principalmente o médico-veterinário, devem esclarecer e ressaltar que a agressão aos animais, principalmente saguis e bugios, além de crime ambiental, é péssima para a vigilância e o controle da doença, pois o encontro de animais doentes é o principal sinal de alerta para que as medidas de saúde possam ser implementadas pelas agências de saúde. Esses animais atuam como sentinelas da doença e precisam estar ativos nos locais para que se possa detectar o vírus, reconhecer que a doença está se espalhando e desencadear o processo de vacinação da população, bem como outras ações de mitigação e controle, naquela região onde animais portadores do vírus são localizados. Matar animais é matar sentinelas, eliminando a chance que o sistema de saúde tem de detectar a circulação precoce do vírus e atuar no controle da doença.
O Guia de identificação de carcaças para vigilância de febre amarela no Estado de São Paulo pode ser baixado pelo link:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1872
DOI: https://doi.org/10.11606/9786587778143
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