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Início Especialidades Neurologia Abordagem terapêutica de trauma cranioencefálico (TCE) em maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis)
Neurologia

Abordagem terapêutica de trauma cranioencefálico (TCE) em maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis)


Therapeutic approach to traumatic brain injury (TBI) in the great macaw (Diopsittaca nobilis)

Abordaje terapéutico de la lesión cerebral traumática (LCT) en el guacamayo grande (Diopsittaca nobilis)

 

Clínica Veterinária, Ano XXXI, n. 181, p. 24-35, 2026
Doi: 10.46958/rcv.2026.XXXI.n.181.p.24-35

 

Resumo: O presente trabalho teve como objetivo discorrer sobre a fisiopatologia do trauma cranioencefálico (TCE) em aves, abordando a anatomia cranial e cerebelar, seguido pela descrição do sistema nervoso central e periférico, os pares de nervos cranianos, exposição de diversos tipos de lesões, avaliação nos níveis de consciência pela escala AVDN e pela escala de Glasgow. Foi atendido em uma clínica particular, um exemplar de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis). A ave apresentava sinais de Glasgow moderado sugestivo em 10. Após o início do tratamento com infusão de manitol na dose de 10 mL/kg, morfina 2 mg/kg (IM), oxigênioterapia 3 L/h e aquecimento em UTA a 31,5 ºC, a ave apresentou importante melhora para estabilização de suas principais funções. Após 96 horas de internação e demais intervenções, o paciente apresentou melhora completamente satisfatória. Estudos sobre neuropatias envolvendo o trauma crânio encefálico na medicina de aves necessitam de maior conhecimento técnico, portanto, é necessário que haja mais pesquisas visando melhores protocolos e métodos diagnósticos no tratamento para que se tenha aumento na sobrevida desses pacientes.

Unitermos: aves, TCE, trauma cranioencefálico, escala de Glasgow, nervos cranianos, abordagem terapêutica

 

Abstract: The present study aimed to discuss the pathophysiology of traumatic brain injury (TBI) in birds, addressing cranial and cerebellar anatomy, followed by the description of the central and peripheral nervous system, the pairs of cranial nerves, exposure of various types of injuries, assessment of levels of consciousness using the ADLN scale and the Glasgow scale. A specimen of maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) was treated at a private clinic. The bird showed signs of moderate Glasgow suggestive in 10. After initiation of treatment with mannitol infusion at a dose of 10 mL/kg, morphine 2 mg/kg (IM), oxygen therapy 3 L/h and warming in UTA to 31.5 °C, the bird showed an important improvement in the stabilization of its main functions. After 96 hours of hospitalization and other interventions, the patient showed completely satisfactory improvement. Studies on neuropathies involving traumatic brain injury in bird medicine require greater technical knowledge, therefore, there needs to be more research aimed at better protocols and diagnostic methods in the treatment so that there is an increase in the survival of these patients.

Keywords: birds, TBI, traumatic brain injury, Glasgow scale, cranial nerves, therapeutic approach

 

Resumen: El presente trabajo tuvo como objetivo discurrir sobre la fisiopatología del trauma craneal encefálico TCE en aves, abordando la anatomía craneal y cerebelar, seguido por la descripcíon del sistema nervioso central y periférico, los pares de nervios craneales, exposición de los niveles de conciencia por la escala AVDN y la escala de Glasgow.  Fue atendido en una clínica privada, un ejemplar de maracanã nobre (Diopsittaca nobilis). El ave apresentaba signos de Glasgow moderado sugestivo en 10. Después del inicio del tratamiento con infusión de 10 mL/kg, morfina 2 mg/kg (IM), oxigenoterapia 3 L/h y calentamiento en UTA a 31,5 °C, el ave presentó importante mejoría para estabilizar sus principales funciones. Después de 96 horas de hospitalización y más intervenciones, el paciente presentó una mejoría completamente satisfactoria. Estudio sobre neuropatías que involucran traumatismo craneal encefálico en la medicina de aves requierem mayor conocimiento técnico, por lo tanto, es necesario que haya más investigaciones buscando mejores protocolos y métodos diagnósticos en el tratamiento para que se tenga aumento en la supervivencia de estos pacientes.

Palabras clave: aves, TCE, traumatismo craneal, escala de Glasgow, nervios craneales, enfoque terapêutico

 

Introdução

A maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) é uma ave psitaciforme pertencente à família Psittacidae, popularmente conhecida como arara-nanica, ararinha-nanica, maracanã ou maracanã-pequena. Seu estado de conservação é considerado de menor preocupação na escala de ameaça, e sua presença em cativeiro é relativamente pouco comum. Alimenta-se principalmente de coquinhos de palmeiras e frutos, especialmente dos caroços, que tritura com o bico enquanto utiliza as patas para segurar o alimento. A espécie nidifica em cavidades de árvores, palmeiras e cupinzeiros, entre os meses de fevereiro e junho. O casal permanece junto durante o período reprodutivo, e a fêmea realiza a incubação de dois a quatro ovos por aproximadamente 24 dias 1.

Se trata de uma espécie que apresenta hábitos versáteis e ocupa uma ampla variedade de ecossistemas, incluindo cerrado, buritizais, bordas de matas, caatinga e plantações. Costuma viver em pares ou em grandes bandos fora da época reprodutiva. Embora seja nativa de diversas regiões do Brasil, também pode ser observada em grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde ocorre como espécie introduzida 1.

Entre os anos de 2005 e 2011, as aves representaram 63% dos animais silvestres atendidos na rotina clínica veterinária, seguidos por mamíferos, com 27% e por répteis, com 10%. 94% das aves atendidas são pets não convencionais, 6% são encaminhadas por órgãos ambientais e apenas 1% encaminhado pela comunidade. As espécies mais atendidas pertencem aos grupos dos psitaciformes (psitacídeos), contabilizando 36% dos atendimentos, e passeriformes (pássaros), com 32% 2.

O alto índice de traumas nas diversas espécies de aves resulta frequentemente em indicações cirúrgicas. Por ser uma apresentação comum para pacientes aviários, traumas podem ser oriundos de causas diferentes, como traumas de origem predatória, ferimentos por agressão intraespecífica, colisões, quedas, estrangulamento de membro (podendo ocorrer em seu próprio recinto), perfurações, lacerações, fraturas, amputações de membros e ferimentos por esmagamento 3.

O trauma cranioencefálico (TCE) ocorre quando um evento leva a súbita movimentação do cérebro dentro do crânio, causando lesões. O TCE pode ser classificado como primário ou secundário. O primário é caracterizado pela reação inicial do organismo a um dano mecânico. O secundário diz respeito a consequência dessa lesão mediante a resposta orgânica, como a formação de edema cerebral, aumento da pressão intracraniana (PIC), hipoperfusão, hipóxia, danos oxidativos e inflamatórios, podendo evoluir para isquemia cerebral e morte 4.

 

Anatomia das aves

O crânio da maioria das aves é pneumatizado, apresentando cavidades de ar que reduzem o peso total da estrutura óssea, sem comprometer sua resistência. Essa característica contribui para a leveza necessária ao voo. No entanto, espécies submetidas a forças mecânicas intensas, como aves mergulhadoras e pica-paus, possuem crânios menos pneumatizados, conferindo maior resistência aos impactos e à pressão 5.

O formato externo do crânio é marcado por uma ampla cavidade craniana e órbitas oculares de grandes dimensões, que ocupam boa parte do espaço craniano. Essas adaptações anatômicas permitem melhor proteção do encéfalo e acomodação dos globos oculares, os quais são altamente desenvolvidos e especializados, refletindo a importância da visão na maioria das espécies aviárias 5.

O bico das aves é formado pelos ossos pré-maxila e mandíbula. Somente um côndilo occiptal delimita o movimento da cabeça, possibilitando uma rotação maior quando comparada a outras espécies. A cavidade timpânica é uma depressão semi-esférica na parte inferior nas laterais do crânio. A borda limita o meato acústico (canal que leva as ondas sonoras da orelha externa para a orelha média), fechado pela membrana timpânica. As aves possuem um arco jugal semelhante ao arco zigomático presente nas espécies domésticas ligando a maxila à mandíbula 6.

Estudos recentes sobre a neuroanatomia das aves sugerem que a capacidade cognitiva dessa classe pode ser comparada com a de mamíferos, refutando a crença anterior de que aves teriam um cérebro subdesenvolvido 6.

 

Sistema nervoso central e periférico em aves

O Sistema Nervoso Central (SNC) das aves, assim como os mamíferos, é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O cérebro se divide em prosencéfalo (telencéfalo e diencéfalo), mesencéfalo e rombencéfalo (metencéfalo e mielencéfalo). O telencéfalo apresenta desenvolvimento relativo elevado, refletindo a complexidade comportamental e cognitiva das aves. O cerebelo é particularmente desenvolvido, favorecendo o equilíbrio e a coordenação motora essenciais ao voo. A medula espinhal transmite sinais motores e sensoriais do SNC para o restante do corpo 7,8.

O Sistema Nervoso Periférico (SNP) conecta o SNC aos tecidos periféricos, sendo composto por nervos cranianos e espinhais, além de gânglios. Divide-se em: nervos somáticos: controlam músculos esqueléticos de forma voluntária; e nervos autonômos: regulam funções involuntárias de órgãos internos, glândulas e vísceras 8.

 

Pares de nervos cranianos em aves

As aves possuem 12 pares de nervos cranianos localizados no sistema nervoso periférico, numerados com algarismos romanos de I a XII (1 a 12), que se originam diretamente no encéfalo em sequência crânio-caudal. Estes nervos possuem funções sensoriais, motoras ou mistas, essenciais para percepção ambiental, alimentação, locomoção e equilíbrio durante o voo 7.

 

I. Nervo Olfatório (I)

Sensorial. Em aves, a função olfatória é geralmente menos desenvolvida que em mamíferos, mas algumas espécies apresentam olfato bem desenvolvido para localização de alimento ou navegação 8.

 

II. Nervo Óptico (II)

Sensorial. Transmite informações visuais da retina para o cérebro. As aves possuem visão altamente desenvolvida, incluindo percepção de cores e detalhes finos 8.

 

III. Nervo Oculomotor (III), IV. Troclear (IV), VI. Abducente (VI)

Nervos motores que coordenam os movimentos dos olhos. Nas aves, a mobilidade ocular é importante para caça, voo e orientação espacial 7.

 

V. Nervo Trigêmeo (V)

Nervo misto, sensorial e motor. Conduz sensações da face e bico, além de controlar músculos da mandíbula e bico, essenciais para alimentação 7.

 

VII. Nervo Facial (VII)

Nervo motor com função sensorial secundária. Inerva músculos faciais e regiões ao redor do bico, participando de movimentos associados à vocalização e manipulação de objetos 7.

 

VIII. Nervo Vestibulococlear (VIII)

Sensorial. Responsável pelo equilíbrio e audição. Nas aves, o controle vestibular é fundamental para voo estável 7.

 

IX. Nervo Glossofaríngeo (IX)

Nervo misto. Participa da percepção gustativa, deglutição e regulação de glândulas salivares. Nas aves, está relacionado à alimentação e manejo de sementes e frutos 7.

 

X. Nervo Vago (X)

Nervo misto. Inerva órgãos torácicos e abdominais, controlando funções viscerais, incluindo digestão e frequência cardíaca 8.

 

XI. Nervo Acessório (XI)

Motor. Inerva músculos do pescoço e parte dos músculos associados à movimentação da cabeça e asas, motor acessório com o vago 7,8.

 

XII. Nervo Hipoglosso (XII)

Motor. Controla a movimentação da língua, bico e estruturas associadas à alimentação 8.

 

A sequência numérica dos nervos indica a ordem de emergência do encéfalo do crânio para a região caudal, sendo essencial para a correta localização anatômica e funcional 8.

 

O uso de antiinflamatórios esteroidais (corticóides)

Os corticóides foram amplamente empregados no tratamento de pacientes com trauma, devido ao seu potente efeito anti-inflamatório e antiedematoso, que reduz a resposta inflamatória e a pressão intracraniana em situações agudas 9.

Entretanto, estudos clínicos e experimentais têm demonstrado que o uso desses fármacos está associado a diversos efeitos adversos, como hiperglicemia, imunossupressão, retardo na cicatrização de feridas, ulceração gástrica e aumento do catabolismo proteico 9.

O uso de corticosteroides em lesões cerebrais humanas e veterinárias é contraindicado. A sensibilidade das aves aos efeitos sistêmicos dos corticosteroides, particularmente à imunossupressão, torna seu uso também contraindicado em traumatismo cranioencefálico aviário 10.

 

Lesões cerebrais

A fisiopatologia do TCE é dividida em lesão primária e secundária. A lesão cerebral primária ocorre no momento do impacto, e sua gravidade é determinada pela magnitude das forças que atuam sobre ela. Essas lesões podem incluir rupturas durais, sangramento epidural e subdural, contusões ou lacerações corticais e lesão axonal traumática 10.

Esses tipos de danos parenquimatosos diretos às estruturas cerebrais estão além do tratamento clínico; portanto, o tratamento se concentra em reconhecer e minimizar a lesão secundária. O TCE secundário ocorre de minutos a dias após a lesão primária, quando fatores sistêmicos e locais se combinam para agravar o insulto primário e levar a uma disfunção neurológica mais grave. Os fatores sistêmicos podem incluir hipóxia, hipotensão, distúrbios ácido-básicos, anormalidades eletrolíticas e inflamação sistêmica 10.

 

Escala AVDN

A escala AVDN é uma escala de avaliação da consciência que pode ser usada para se classificar o estado clínico geral do animal. Esta apresenta pontuação de 1 a 4: 1- Alerta (A), 2- Responsivo a estímulo verbal (V), 3- Responsivo a estímulo doloroso (D), e 4- Não responde a nenhum estímulo (N). Existe uma relação significativa entre este parâmetro e a taxa de sobrevivência nas primeiras 24 horas, 7 dias e 28 dias após o trauma, em que quanto menor a pontuação, maior a taxa de sobrevivência 9.

 

Lesões traumáticas

Em aves selvagens, os tipos comuns de trauma incluem cortes, abrasões, fraturas, perfurações, entorses, luxações, concussões e danos em órgãos internos. As causas de trauma em aves são multifacetadas e podem ser amplamente categorizadas em fatores naturais e antropogênicos 11.

As causas naturais incluem ataques de predadores, disputas territoriais, condições climáticas adversas e colisões com árvores em voo. As causas antropogênicas abrangem uma série de atividades humanas, como eletrocussão em linhas de energia, colisões de veículos, emaranhamento em estruturas feitas pelo homem, como redes e cercas, ou colisões contra vidros ou janelas 11.

Traumas podem resultar em manifestações neurológicas em aves, levando a uma série de deficiências comportamentais, sensoriais, motoras e cognitivas. Apresentações neurológicas comuns em aves incluem capacidade de resposta alterada, postura ou movimento anormal, voo ou equilíbrio prejudicados, perda de coordenação, reflexos anormais e déficits sensoriais 10.

 

Escala de Glasgow

A escala de Glasgow modificada (Figura 1) é um recurso amplamente utilizado durante a avaliação neurológica na medicina de cães e gatos. Ela consiste na avaliação de três indicadores, a atividade motora, reflexo do tronco encefálico e nível de consciência 12,13,14.

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Indicador Critério/resposta Escore
Abertura ocular espontânea 4
  estímulo verbal/comando 3
  estímulo verbal/comando/grito 3
  estímulo doloroso 2
  sem abertura 1
Melhor resposta à vocalização latido/rosnado 5
  choramingo irritad 4
  choramingo à dor 3
  ganido à dor 2
  sem resposta 1
Melhor resposta motora movimento espontâneo e normal 6
  reação ao toque 5
  reação à dor 4
  flexão anormal – descorticação 3
  extensão anormal – descerebração 2
  nenhuma 1

Figura 1 – Escala pediátrica de coma de Glasgow modificada para cães 12,13,14

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A pontuação que o paciente recebe baseada nesses critérios sugere a gravidade da lesão e prognóstico, auxiliando o clínico na escolha do tratamento. A avaliação do tronco encefálico é feita majoritariamente pela observação da pupila do paciente 15,16. As aves possuem em sua íris musculatura lisa e estriada, o que as permite ter controle parcial sobre a pupila 16. Esse controle dificulta uma avaliação precisa da resposta neurológica pelo reflexo pupilar, o que restringe o uso adequado da escala de Glasgow modificada aplicada para aves.

Uma Escala de Coma de Glasgow Modificada para espécies de aves foi estabelecida para servir como um indicador prognóstico em aves de rapina com trauma cranioencefálico 17. Essa escala proposta demonstrou concordância de boa a excelente entre avaliadores de diversas origens na avaliação de aves de rapina com lesão cerebral traumática 1.

Além disso, foi correlacionado com a probabilidade de sobrevivência nas primeiras 48 horas após a apresentação em instalações de reabilitação para aves de rapina que sofrem de lesão neurotraumática. Apesar das limitações, segue como uma importante ferramenta para a medicina aviária.

 

Exames complementares

O hemograma, bioquímico, hemogasometria, lactato e glicemia são amplamente utilizados no monitoramento de pacientes com TCE 9. Entretanto, a coleta de sangue em uma ave sadia não pode exceder o volume correspondente a 1% do peso vivo 18. A variedade de espécies com tamanhos e pesos diferentes, torna a realização desses exames um desafio.

 

Intervenção hospitalar

Tanto na intervenção pré-hospitalar quanto na hospitalar é importante a localização da lesão pelos sinais clínicos. Ela pode ser feita do seguinte modo:

A) Síndrome cerebral: animal com alteração mental e comportamental pode apresentar déficits proprioceptivos contrários a lesão, cegueira com reflexo pupilar normal (amaurose), papiledema e respiração em Cheyne-Stokes. A descerebração dá-se por acometimento do cérebro rostral e mesencéfalo, sendo característica se houver opistótono com alteração mental, podendo haver espasticidade nos quatro membros 19,20,21.

B) Síndrome diencefálica: são semelhantes à síndrome cerebral. No entanto, são também observadas anormalidades no apetite, na ingestão de água, na regulação de temperatura e distúrbios endócrinos como diabetes insípido 2,23.

C) Síndrome mesencefálica: estado mental alterado, déficit do nervo III (estrabismo lateral, midríase, reflexo pupilar ausente), opistótono. Reflexos, tônus aumentados e déficits posturais nos quatro membros 24,25,26.

D) Síndrome ponto-bulbar: estado mental alterado, déficit do nervo craniano V (paralisia mandibular e diminuição da sensibilidade na face), diminuição do reflexo palpebral (nervos V e VII), paralisia facial (nervo VII), desvio de cabeça, quedas, andar em círculos, nistagmo, paralisia de faringe e laringe (nervos IX e X), e paralisia de língua (nervo XII) 23,27.

E) Síndrome vestibular: estado mental deprimido, desequilíbrio e queda, desvio de cabeça, andar em círculos, nistagmo, estrabismo ventrolateral, déficit dos nervos V, VI e VII e síndrome de Horner (ptose palpebral superior, miose, protrusão de 3ª pálpebra). É importante distinguir a lesão vestibular central e periférica 19,23.

F) Síndrome cerebelar: tremores intencionais de cabeça, nistagmo, anisocoria (uma pupila dilatada e a outra contraída), base de apoio aberta, hipertermia, reações posturais retardadas ou exageradas, opistótono e ausência de reflexo de ameaça com a visão normal.

Uma lesão cerebelar que pode ser confundida com a descerebração é a descerebelação. Esta se caracteriza por opistótono sem alteração mental. Os membros torácicos estarão espásticos e os pélvicos flácidos e flexionados 20,22,23.

 

Tratamento de lesões cerebrais

A utilização de furosemida para redução do edema cerebral é contraindicada no paciente com trauma cranioencefálico, pois o efeito deste fármaco causa hipotensão por hipovolemia e distúrbios eletrolíticos, agravando o quadro sistêmico e neurológico do paciente 9.

Para o tratamento correto do trauma crânio encefálico é necessário oxigenoterapia, acesso intraósseo (IO), elevação da cabeça em aproximadamente 30°C, administração de fluidoterapia com Ringer com Lactato, administração de ácido tranexâmico, analgesia, anti-inflamatório e acompanhamento com exames complementares 28.

O prognóstico veterinário é uma avaliação importante para que não haja evolução de uma  má condição de saúde, e é baseado em uma combinação de fatores, incluindo o histórico clínico do animal, resultados de exames laboratoriais e experiência do veterinário; além disso, o exame neurológico inclui a avaliação do estado mental e comportamento, postura, marcha, reações posturais, função dos nervos cranianos, tônus e massa muscular, reflexos espinhais e percepção da dor 18,29.

 

Relato de caso

Um maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis), sexo indeterminado, pesando 168g (gramas), jovem, foi atendida em uma clínica particular, após ter sido encontrada por munícipe em via pública abaixo de um grande vitral em ponto comercial da cidade. Ao exame físico a ave apresentava-se com sinais de incoordenação motora, olhos fechados, lateralização de cabeça, hematoma em face lateral esquerda e sangramento pelas narinas (Figuras 2 e 3), hipotermia leve 39,2°C graus, levando a suspeitas de trauma crânio encefálico. A ave apresentava sinais de Glasgow moderado sugestivo em 10.

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Figura 2 – Maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) com lateralização de cabeça, dificuldade de deambulação. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 3 – Sangramento em narina direita de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) após trauma. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Na primeira abordagem terapêutica procedeu-se à inserção de acesso intraósseo em ulna, com agulha 30 x 0,7 e fixação com uso de tala em “8”. Iniciou-se a infusão de manitol a na dose de 10mL/kg em 60 minutos em bomba de infusão de seringa (Figuras 4 e 5); morfina b 2mg/kg via intramuscular para analgesia. Durante as primeiras 24 horas a ave foi mantida em UTA a 31,5ºC, com oxigênoterapia c 3L/h.

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Figura 4 – Maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) mantida em acomodação com infusão de fluidoterapia via intraóssea. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 5 – Vídeo mostrando maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) em fluidoterapia intraóssea em razão de trauma cranioencefálico (TCE). Disponível em: https://youtube.com/shorts/psSLnrhWo7k?feature=share. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Também foi realizado como exame complementar a radiografia de crânio para investigar lesões intra e extracranianas (Figuras 6 e 7). O mesmo apontou edema em região de olho direito (Figura 8). Nessa radiografia de crânio não se evidenciaram lesões extracranianas. Após 24 horas a ave demonstrou melhora clínica do quadro neurológico conseguindo deambular, mímica de vocalização e parcial abertura dos olhos (Figuras 9 e 10).

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Figura 6 – Radiografia lateral de crânio de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) utilizada para avaliação de possível trauma cranioencefálico. Observa-se alteração da conformação craniana. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 7 – Radiografia ventrodorsal de crânio de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) demonstrando perda da simetria craniana, indicativa de trauma cranioencefálico. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 8 – Radiografia dorsoventral de crânio de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis), permitindo observar alterações estruturais em ossos cranianos e orbitários, compatíveis com fraturas associadas a trauma cranioencefálico. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 9 – Maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) com acesso intraósseo, sem fluidoterapia, mantendo-se em estação com leve instabilidade postural, apresentando discreta abertura das patas e inclinação da cabeça, sem apoio externo. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 10 – Vídeo mostrando maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) 24 horas após o tratamento inicial, já em estação e com olhos abertos. Disponível em: https://youtube.com/shorts/IXQBDL-Wd18?feature=share. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Seguiu-se ainda por 48 horas com fluidoterapia no uso de cristaloide isotônico (ringer lactato) d na dose de 30mL/kg/dia com uso de vitamina B12 (cianocobalamina) e via intraóssea  uso de AINE, meloxicam 0,2% 0,5mg/kg a cada 24 horas por via intramuscular e mantido o resgate de morfina b. Também foi instituído o manejo alimentar do paciente com uso de 8mL de alimentação enteral para filhotes de psitacídeos a cada 8 horas.

Após 48 horas a ave apresentou melhora do estado clínico geral, retornando a normalidade de deambulação, vocalização e abertura espontânea dos olhos (Figuras 11 e 12). Foi então realizada a retirada do acesso intraósseo e manteve-se a fluidoterapia com ringer lactato d por mais 48 horas via subcutânea. O uso de AINE, meloxicam 0,2% f 0,5mg/kg, foi mantido por mais 72 horas, assim como a alimentação enteral.

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Figura 11 – Maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) empoleirando após 48 horas de tratamento. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 12 – Vídeo mostrando maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) retomando capacidades de cognição e buscando empoleirar. Disponível em: https://youtube.com/shorts/K-YLbD19eJ0?feature=share. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Após 96 horas do início do tratamento a ave apresentou melhora clínica totalmente satisfatória (Figuras 13 e 14). Exames complementares não foram realizados devido a limitações financeiras do responsável pelo animal. Tratava-se de um animal de vida livre, resgatado por um munícipe que assumiu os cuidados imediatos. Considerando-se a evolução clínica favorável durante o período de observação, optou-se pela alta do paciente, que retornou ao lar sob monitoramento do cuidador.

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Figura 13 – Vídeo mostrando maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) ao final do tratamento com deambulação 100% recuperada. Disponível em: https://youtube.com/shorts/wzuWe4ajefo?feature=share. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Figura 14 – Vídeo mostrando alimentação espontânea e independente de maracanã-nobre (Diopsittaca nobilis) após 96 horas do tratamento. Disponível em: https://youtube.com/shorts/rYmrkO1krLE?feature=share. Créditos: Renato Rebecchi Bastos

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Resultados e discussão

A diversidade mundial das aves é enorme, há mais de 11 mil espécies catalogadas e descritas 30. Suas particularidades fisiológicas e anatômicas exigem a presença de um médico-veterinário especialista em animais silvestres e pets não convencionais. O uso da escala de Glasgow modificada é o maior recurso utilizado na rotina clínica desses animais, pois ela consiste na avaliação neurológica de três indicadores principais: atividade motora, reflexo do tronco encefálico e nível de consciência 13.

A pontuação que o paciente recebe baseada nos critérios da escala de Glasgow sugere a gravidade da lesão e prognóstico, auxiliando o clínico na escolha do tratamento. A avaliação do tronco encefálico é feita majoritariamente pela observação da pupila do paciente 13,14.

As aves possuem em sua íris musculatura lisa e estriada, o que lhes permite ter o controle parcial da pupila, dificultando uma avaliação precisa da resposta neurológica pelo reflexo pupilar, o que restringe o uso adequado da escala de Glasgow modificada aplicada para aves 15,16.

O relato de caso apresentado neste trabalho exemplifica as limitações frequentemente encontradas na medicina de animais selvagens. Não foram realizados exames hematológicos, uma vez que a colheita de sangue representaria um risco diante do quadro clínico do paciente 31. O único exame de imagem efetuado foi a radiografia. A infusão de manitol na dose de 10mL/kg, associada à administração de morfina 2mg/kg e à oxigenoterapia3 L/h, foi essencial para a manutenção da sobrevida do animal nas primeiras 24 horas.

A maracanã atendida na clínica veterinária foi um caso bem sucedido, onde a ave teve melhora significativa resultando em alta médica em poucos dias. Porém, muitas aves atendidas com suspeita de trauma cranioencefálico também apresentam outras lesões devido ao acidente. O politraumatismo constitui um importante agravante clínico, pois piora o prognóstico do animal e, em aves de vida livre, pode dificultar significativamente o tratamento, muitas vezes impedindo sua reabilitação e retorno à natureza.

 

Considerações finais

O paciente relatado recebeu alta após evolução clínica positiva, apresentando excelente resposta ao tratamento instituído. A clínica de pets não convencionais rotineiramente atende casos de trauma cranioencefálico em aves, condição que, assim como outras emergências, demanda intervenção rápida e precisa. No entanto, a medicina aviária ainda não se encontra plenamente desenvolvida, e o uso de protocolos baseados em modelos de cães e gatos nem sempre é o mais adequado.

 

Produtos utilizados

a) Manitol (solução de Manitol 20%, sistema fechado). Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda. Itapira, SP

b) Dimorf (sulfato de morfina). Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda. Itapira, SP

c) Oxigênio medicinal comprimido (oxigênoterapia). White Martins Gases Industriais Ltda. São Paulo, São Paulo.

d) Cristaloide isotônico (solução de Ringer Lactato). Eurofarma Laboratórios S.A. Itapevi, SP

e) Vitamina B12 (Cianocobalamina). Monovin B12. Bravet Saúde Animal. Taboão da Serra, SP

f) Meloxicam 0,2% (solução injetável). Maxicam. Ourofino Saúde Animal Ltda. Cravinhos, SP

 

Referências

01-SICK, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. Famílias e Espécies. cap.10 p.351-380. Disponível em: Ornitologia Brasileira 1997 Helmut Sick | PDF <https://www.scribd.com/document/696910439/Ornitologia-Brasileira-1997-Helmut-Sick#page=351>. Acesso em 23 de novembro de 2025.

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