Vivemos a anunciadíssima situação de calamidades generalizadas por todo o planeta. Derretimento das calotas, alterações nas correntes marítimas, acidificação dos oceanos, tempestades com temperaturas baixíssimas e ventos de velocidades assustadoras, enchentes e inundações, deslizamentos e soterramentos, incêndios e desertificações, vulcões, terremotos e muito mais. Enfim, o cardápio completo.
Que inclui ainda guerras e destruições em massa de populações humanas, de animais e de plantas, com a aniquilação de espécies e respectivos bancos genéticos, impossibilitando o conhecimento acumulado pela natureza em sua evolução.
Toda essa gama de alterações ambientais, como também há muito já é sabido, promove desequilíbrios nas populações em geral, em especial nas de vírus, bactérias, fungos, algas, entre outros, comprometendo ainda mais a saúde de todos os seres vivos do planeta.
A Saúde Única engloba a soma de todos os fatores que exercem influência na saúde de toda a vida no planeta, reconhecendo a interdependência e a integração das saúdes humana, animal, vegetal e do ambiente.
Os desastres naturais ou consequentes das ações humanas têm se tornado cada vez mais frequentes e a Medicina Veterinária de Desastres viabiliza a produção e a disseminação de conhecimento dos fatores envolvidos, das técnicas, das sequências de ações e cadeias de comando, enfim, do que é importante que o profissional que atua nessa área tenha como suporte para realizar seu trabalho da maneira mais adequada e bem embasada em evidências e pesquisas.
A Medicina Veterinária de Desastres somada à Medicina Veterinária do Coletivo e à Medicina Veterinária Legal englobam os conhecimentos de zoonoses, epidemiologia, saúde pública, controle populacional, prevenção epidemiológica – seja por meio de vacinações mas também por ações de análise e gerenciamento das populações –, bem-estar animal e humano, recenciamento e análise das populações e espécies, direito animal e direito humano, educação populacional e políticas públicas.
Os cenários atuais clamam por profissionais que tenham competência e habilidades para entender as interdependências e aplicar conhecimentos de maneira abrangente, visando o bem-estar da coletividade, que inclui todas as formas de vida. O momento atual, de intensa concorrência em áreas como a clínica de pequenos animais – que leva a salários míseros e horas exaustivas –, deve mover todos nós a estimular e exigir das diferentes esferas governamentais a inserção do médico-veterinário em áreas relacionadas com a Saúde Única, ampliando o mercado de trabalho.
Mais uma vez, clamamos aqui por ética, coragem e ações conjuntas para construir, em todas as esferas da nação, políticas públicas que abracem a sabedoria da Saúde Única e insiram o médico-veterinário na prevenção e nos atendimentos relacionados à educação da população humana, no registro, controle e atendimento da populações animais, no bem-estar animal, em situações de desastres, no direito animal e em todas as áreas correlatas.