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Impacto da dieta e manejo estruturado no tratamento da síndrome atópica felina com hipersensibilidade alimentar – relato de caso

Matéria escrita por:

Priscila Marcondes Toinaki, Amanda Novais Grecco

5 de nov de 2026

Créditos: Créditos: MASF Firefly Image 3 Créditos: Créditos: MASF Firefly Image 3

Impact of diet and structured management in the treatment of feline atopic syndrome with food hypersensitivity – a case report

Impacto de la dieta y del manejo estructurado en el tratamiento del síndrome atópico felino con hipersensibilidad alimentaria – reporte de caso

 

Clínica Veterinária, Ano XXXI, n. 185, p. 48-55 2026
Doi: 10.46958/rcv.2026.XXXI.n.185.p.48-55

 

Resumo: A síndrome atópica felina (SAF) é uma condição alérgica que afeta gatos, com manifestações que podem envolver a pele, o sistema gastrointestinal e as vias respiratórias. A hipersensibilidade alimentar (HA), uma reação imunológica contra certos alimentos, é um fator importante na SAF, com as principais causas sendo carne bovina, peixe e frango, enquanto alergias a trigo, milho, laticínios e coelho são menos frequentes. Este estudo descreve o caso clínico de um felino da raça sphynx, de quatro anos, que foi submetido a uma dieta livre de grãos (grain-free), associada ao manejo amigável para felinos (cat-friendly) para redução do estresse, e ao uso esporádico de anti-histamínico para controle dos sintomas. A combinação de dieta específica e manejo ambiental foi eficaz no controle dos sintomas da SAF e da hipersensibilidade alimentar (HA), com a dieta grain-free e a redução do estresse como intervenções principais, permitindo diminuir significativamente a necessidade de medicamentos.

Unitermos: manejo amigável para felinos, nutrição, dieta livre de grãos, hipersensibilidade alimentar, síndrome atópica felina

 

Abstract: Feline Atopic Syndrome (FAS) is an allergic condition affecting cats, with clinical manifestations involving the skin, gastrointestinal system, and respiratory tract. Food hypersensitivity (FH), an immune-mediated reaction to specific dietary components, is an important factor in FAS. The most common dietary triggers include beef, fish, and chicken, whereas allergies to wheat, corn, dairy products, and rabbit are less frequently reported. This study describes the clinical case of a four-year-old Sphynx cat that was managed with a grain-free diet, combined with cat-friendly handling practices aimed at reducing stress, and occasional antihistamine use for symptom control. The combination of a specific dietary regimen and environmental management proved effective in controlling the clinical signs of both FAS and food hypersensitivity. The grain-free diet and stress reduction were the primary interventions, allowing for a significant reduction in the need for medication.

Keywords: cat-friendly management, nutrition, grain-free diet, food hypersensitivity, feline atopic syndrome

 

Resumen: El Síndrome Atópico Felino (SAF) es una afección alérgica que afecta a los gatos y cuyas manifestaciones pueden involucrar la piel, el sistema gastrointestinal y las vías respiratorias. La hipersensibilidad alimentaria (HA), una reacción inmunológica frente a determinados alimentos, constituye un factor importante en el SAF. Los principales desencadenantes alimentarios son la carne de res, el pescado y el pollo, mientras que las alergias al trigo, al maíz, a los productos lácteos y al conejo se reportan con menor frecuencia. Este estudio describe el caso clínico de un felino de raza Sphynx, de cuatro años de edad, que fue sometido a una dieta libre de granos (grain-free), asociada a un manejo amigable para gatos (cat-friendly) orientado a la reducción del estrés y al uso ocasional de antihistamínicos para el control de los síntomas. La combinación de una dieta específica y un manejo ambiental adecuado resultó eficaz para controlar los signos clínicos del SAF y de la hipersensibilidad alimentaria, siendo la dieta grain-free y la reducción del estrés las principales intervenciones, lo que permitió disminuir significativamente la necesidad de medicación.

Palabras clave: manejo amigable para gatos, nutrición, dieta libre de granos, hipersensibilidad alimentaria, síndrome atópico felino

 

Introdução

A Síndrome Atópica Felina (SAF) é uma condição comum, porém desafiadora, cujo diagnóstico e manejo são frequentemente dificultados pela complexidade de sua apresentação clínica. Trata-se de uma enfermidade geralmente vitalícia e recorrente, que engloba um espectro de doenças alérgicas em felinos, incluindo manifestações cutâneas, gastrointestinais e respiratórias 1.

Essas condições estão relacionadas à hipersensibilidade a alérgenos ambientais e alimentares, podendo coexistir com outras alergias, o que torna o diagnóstico ainda mais complexo 2. A hipersensibilidade alimentar (HA) é um dos principais fatores contribuintes para a SAF, que inclui alergias alimentares, ambientais e asma. Na HA, observa-se uma ampla variedade de manifestações clínicas, incluindo aquelas associadas à SAF, decorrentes da reatividade imunológica aos alimentos ingeridos 2.

A alergia alimentar consiste em uma resposta imunológica contra proteínas ou aditivos alimentares. Em felinos, os principais alérgenos descritos são carne bovina, peixe e frango, enquanto trigo, milho, produtos lácteos e carne de coelho apresentam menor frequência como desencadeadores 3. A alergia alimentar é definida como uma reação de hipersensibilidade do tipo I, mediada por imunoglobulina E (IgE) específica para determinados alérgenos 4.

O diagnóstico da SAF também representa um desafio devido às semelhanças clínicas com outras dermatoses felinas, tanto alérgicas quanto não alérgicas. Dessa forma, a exclusão de enfermidades dermatológicas, como dermatite de contato, infecções fúngicas e reações a ectoparasitas, é indispensável para o estabelecimento de um diagnóstico preciso 5. A otite, frequentemente observada em cães com dermatite atópica, também pode ocorrer em gatos com SAF, tendo sido identificada em 20,9% dos casos avaliados 5.

A dieta de exclusão desempenha papel fundamental no diagnóstico diferencial entre alergias alimentares e síndrome atópica, uma vez que seus sinais clínicos são frequentemente semelhantes 6. O diagnóstico da alergia alimentar é complexo e, embora a dieta de eliminação seja considerada o padrão-ouro, o tempo necessário para a resolução dos sinais clínicos ainda não está completamente estabelecido. Foi observado que 27% dos gatos apresentaram sinais clínicos já no primeiro dia após a reexposição ao alérgeno 7. Entretanto, como essa proporção é relativamente baixa, recomenda-se que a dieta contendo proteína hidrolisada ou ingredientes inéditos seja mantida por aproximadamente oito semanas 8.

A HA pode contribuir para o desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais em gatos. Evidências indicam que a enteropatia crônica felina, frequentemente associada a diarreia e/ou êmese crônica, pode ser exacerbada por reações adversas aos alimentos, sugerindo participação de intolerâncias alimentares e respostas imunológicas na patogênese dessa condição 9. Um caso relatado demonstrou remissão total de sinais clínicos de enteropatia crônica em felino submetido à dieta livre de grãos (grain-free) 10.

Dietas livres de grãos também demonstraram eficácia no manejo da SAF. Em estudo clínico randomizado, observou-se redução significativa dos sinais clínicos após seis meses de dieta personalizada, com diminuição da necessidade de medicamentos e menor gravidade das lesões cutâneas em comparação ao placebo 11. Dietas desse tipo, quando formuladas conforme as diretrizes da Association of American Feed Control Officials (AAFCO), não contêm corantes artificiais, conservantes, antioxidantes sintéticos como BHA e BHT, nem flavorizantes, aromatizantes artificiais ou gorduras sintéticas.

Além do manejo nutricional, fatores ambientais e comportamentais podem influenciar a manifestação e a intensidade dos sinais clínicos da SAF. O estresse, a ansiedade e outros distúrbios comportamentais podem agravar o prurido e a inflamação, funcionando como gatilhos para exacerbações clínicas 12.

Nesse contexto, o manejo ambiental adequado constitui importante componente da abordagem terapêutica. Diretrizes da Feline Veterinary Medical Association (FelineVMA) e da International Society of Feline Medicine (ISFM) estabelecem cinco pilares para um ambiente felino saudável: local seguro, múltiplos recursos ambientais, incentivo ao comportamento predatório e às brincadeiras, interação humana positiva e consistente, e respeito ao olfato felino 13. A adoção desses princípios pode contribuir para a redução de fatores estressores e para o bem-estar do paciente felino durante o tratamento.

Como parte do manejo farmacológico, anti-histamínicos podem ser utilizados como terapia adjuvante no controle do prurido felino, embora apresentem resposta variável. A clorfeniramina demonstra taxa de resposta aproximada de 73% em gatos com prurido 14. A dexclorfeniramina corresponde ao isômero ativo purificado, com maior potência e menor incidência de efeitos adversos, incluindo menor sedação.

Ainda há escassez de estudos específicos sobre dexclorfeniramina em gatos, limitando sua padronização clínica e reforçando a necessidade de investigações adicionais sobre eficácia e segurança na SAF. Da mesma forma, a literatura disponível sobre a utilização de dietas livres de grãos associada a estratégias de manejo amigável para felinos (cat friendly) no contexto da SAF ainda é limitada, especialmente em relatos que descrevam uma abordagem terapêutica multimodal.

O presente trabalho relata um caso clínico de SAF associada à hipersensibilidade alimentar em um felino, com ênfase na abordagem terapêutica baseada no manejo nutricional com dietas livres de grãos e na adoção de estratégias de manejo amigável para felinos, associadas ao tratamento farmacológico. São discutidas a evolução clínica, a resposta ao manejo instituído e a importância da abordagem multimodal no controle dos sinais clínicos.

 

Relato de caso

Um felino macho, castrado, da raça sphynx, com quatro anos de idade, foi encaminhado à clínica apresentando quadro clínico caracterizado por prurido intenso, predominantemente nas regiões facial e cervical ventral, associado a otite bilateral, lacrimejamento intenso e episódios recorrentes de hematoquezia.

Ao exame físico, o paciente encontrava-se estável, sem sinais de febre ou manifestações sistêmicas. As lesões cutâneas apresentavam eritema e crostas hemáticas nas áreas acometidas pelo prurido, especialmente na face e na região cervical; além de edema periocular decorrente do lacrimejamento intenso (Figura 1). Observou-se também a presença de secreção ceruminosa bilateral, compatível com otite.

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Figura 1 – Felino apresentando lesões cutâneas caracterizadas por eritema e crostas hemáticas em região facial, evidenciando também o acometimento cutâneo em região cervical, com presença de eritema e crostas hemáticas decorrentes de prurido intenso. Observa-se ainda edema periocular secundário ao lacrimejamento acentuado. Créditos: Priscila Marcondes Toinaki

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Os testes para Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e Vírus da Leucemia Felina (FeLV) apresentaram resultados negativos. O hemograma não revelou alterações significativas. A citologia otológica bilateral identificou Malassezia sp. (Figura 2), enquanto a citologia das crostas hemáticas não demonstrou alterações relevantes.

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Figura 2 – Fotomicrografia de esfregaço citológico de secreção otológica corado pelo método Panótico Rápido, evidenciando leveduras compatíveis com Malassezia spp., com morfologia oval a elipsoide e aspecto característico de “pegada” (footprint), distribuídas entre células epiteliais e material ceruminoso. Achado associado ao quadro de otite externa observado clinicamente. Créditos: Amanda Novais Grecco

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A ultrassonografia abdominal evidenciou espessamento das paredes intestinais compatível com colite (Figura 3) e o exame parasitológico de fezes apresentou resultado negativo.

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Figura 3 – Imagens do exame ultrassonográfico abdominal demonstrando espessamento do cólon: 0,21 cm na região de duodeno; 0,24 cm no jejuno; 0,26 cm no íleo e 0,18 – 0,23 cm no cólon descendente. Créditos: Amanda Novais Grecco

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O tratamento inicial consistiu na administração de medicação tópica à base de cetoconazol a para tratamento da otite (a cada 12 horas, durante 21 dias), associada ao uso de prednisolona b (2 mg/kg, a cada 24 horas, durante 30 dias), famotidina c (0,5 mg/kg, a cada 12 horas) e suplementação com cianocobalamina d (vitamina B12; ¼ de comprimido, a cada 24 horas, durante 30 dias.

A ração seca comercial super premium anteriormente utilizada, a Castrados Gatos Adultos e foi substituída por uma formulação hipoalergênica da mesma marca, a Hypoallergenic Feline f, sendo também introduzido alimento úmido industrializado.

Após 15 dias de tratamento, observou-se melhora significativa da otite, do prurido e do lacrimejamento. Entretanto, o responsável relatou episódios de fezes pastosas coincidentes com a introdução do alimento úmido g, embora tenha negado novos episódios de hematoquezia. Considerando a associação temporal entre a introdução do sachê e o agravamento das alterações gastrointestinais, o alimento úmido foi retirado da dieta, mantendo-se exclusivamente a ração seca hipoalergênica.

Após 30 dias, iniciou-se o desmame gradual da prednisolona, concluído sem intercorrências. Ao término do protocolo, entretanto, ocorreu recidiva dos sinais clínicos, caracterizada por prurido facial, lacrimejamento e episódios esporádicos de hematoquezia.

Diante da recaída, optou-se por uma nova abordagem terapêutica. A dieta passou a ser composta por alimento comercial, Gatos Castrados h, livre de grãos, corantes e antioxidantes artificiais, formulada com proteínas de alta digestibilidade, visando reduzir a exposição a potenciais alérgenos e favorecer a recuperação clínica.

Após duas semanas, observou-se normalização das fezes (normoquesia). Contudo, o prurido facial persistia, principalmente durante situações de estresse.

Foi então instituído tratamento com ciclosporina i (7 mg/kg, a cada 24 horas, durante 90 dias), resultando em melhora expressiva dos sinais clínicos. Paralelamente, foram implementadas estratégias de enriquecimento ambiental para redução do estresse, além da introdução de alimentação úmida adequada. O paciente passou a receber alimentação natural em forma de patê j, mantendo-se a ração seca como parte da dieta.

Após 30 dias, o paciente retornou para reavaliação. As alterações gastrointestinais permaneciam controladas, porém ainda havia prurido facial. O responsável relatou dificuldades financeiras para manter o tratamento contínuo com ciclosporina. Também foi observado que a redução do prurido coincidiu com a introdução da dieta livre de grãos, sugerindo possível relação entre a alimentação e a melhora clínica.

Como alternativa terapêutica, foi prescrito maleato de dexclorfeniramina k (2 mg/gato, a cada 24 horas, durante cinco dias), a ser administrado sempre que ocorressem episódios de prurido. Após uma semana, o paciente apresentava-se clinicamente estável, sem manifestações compatíveis com síndrome atópica.

Posteriormente, um novo felino foi introduzido no ambiente domiciliar. Para minimizar o estresse e favorecer uma adaptação gradual, foram empregadas técnicas de introdução estruturada baseadas nos princípios do manejo amigável para felinos desde o primeiro dia. Após seis dias, ambos os felinos conviviam de forma harmoniosa e interagindo de forma lúdica.

Nos meses subsequentes, observou-se redução significativa da frequência e da intensidade do prurido, associada à melhora clínica das lesões cutâneas (Figura 4). O paciente passou a utilizar o anti-histamínico apenas de forma esporádica, quando necessário, para controle de sinais clínicos leves. A dieta livre de grãos foi mantida.

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Figura 4 – Paciente clinicamente estabilizado, apresentando pele íntegra, ausência de lacrimejamento e ausência de edema periocular secundário ao lacrimejamento acentuado. Créditos: Priscila Marcondes Toinaki

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Discussão

A introdução de dieta úmida, embora importante para a hidratação de felinos, deve ser cuidadosamente avaliada em pacientes com inflamação intestinal. No presente caso, a introdução desse tipo de dieta pode ter contribuído para a piora dos sinais gastrointestinais. Algumas formulações contêm goma guar, cuja alta viscosidade pode prejudicar a digestão proteica e a absorção de aminoácidos no intestino delgado. Como consequência, proteínas não digeridas podem chegar ao intestino grosso, aumentando a fermentação bacteriana e a produção de metabólitos, como ácido butírico e amônia, o que pode resultar em diarreia 15.

Medicamentos continuam sendo a principal abordagem terapêutica na SAF. Entretanto, custos elevados e dificuldades de adesão podem comprometer o tratamento, sendo frequentemente relatados como barreira clínica relevante 16. No presente caso, a interrupção da ciclosporina ocorreu por limitações financeiras, evidenciando a necessidade de alternativas terapêuticas mais acessíveis e sustentáveis.

Embora o uso de anti-histamínicos, como a dexclorfeniramina, tenha mostrado resultados positivos, sua utilização deve ser cuidadosa, levando em consideração potenciais efeitos adversos, como sedação excessiva. Dessa forma, a utilização de terapias farmacológicas deve ser considerada dentro de uma abordagem individualizada, especialmente diante das limitações relacionadas à adesão e aos custos do tratamento.

O manejo do estresse, por meio de rotinas estruturadas e ambientes com manejo amigável para felinos, é crucial para controlar o prurido e reduzir a inflamação, destacando a importância de proporcionar um ambiente seguro e estimulante. No presente caso, a introdução de um novo felino no ambiente contribuiu para a manutenção de rotinas de brincadeiras, auxiliando na redução do tédio e na atenuação dos sinais de prurido.

A combinação de alterações alimentares e estratégias comportamentais, como a introdução de um novo felino, coincidiu com melhora significativa do controle do prurido, evidenciando o potencial de abordagens não medicamentosas como parte do manejo multimodal da SAF. Embora não seja possível estabelecer uma relação causal isolada entre a introdução do novo felino e a melhora clínica, a manutenção de atividades de brincadeira e de um ambiente mais estimulante pode ter contribuído para a redução de fatores associados ao estresse e, consequentemente, para o controle dos sinais clínicos.

 

Considerações finais

A síndrome atópica felina (SAF) é uma condição multifatorial, que envolve hipersensibilidade alimentar, fatores ambientais e estresse. A dieta de exclusão é essencial para auxiliar na diferenciação entre alergias alimentares e atopia, enquanto as dietas livres de grãos têm sido descritas no manejo da hipersensibilidade alimentar (HA), enteropatias crônicas e dermatoses atópicas, podendo contribuir para o controle das manifestações gastrointestinais e dermatológicas dos felinos. A inclusão de dieta úmida pode ser benéfica, porém sua formulação deve ser cuidadosamente avaliada, especialmente em casos de inflamação intestinal.

No presente trabalho, a associação entre dieta específica e manejo comportamental, integrada à terapia farmacológica, esteve relacionada à melhora dos sinais clínicos e ao controle do prurido no paciente avaliado. O caso reforça a importância de uma abordagem individualizada e multimodal no manejo da SAF, considerando as necessidades nutricionais, ambientais e comportamentais do felino.

Por se tratar de um único relato de caso, os resultados observados não permitem estabelecer comparações com outras abordagens terapêuticas ou atribuir a melhora clínica isoladamente a uma das intervenções empregadas.

 

Produtos utilizados

a) Otoguard®. Cepav. São Paulo, SP
b) Predsim®. Mantecorp Saúde. São Paulo, SP
c) Famotidina (medicação manipulada)
d) Vitecol®. Avert/Biolab, Bragança Paulista, SP
e) Ração Castrados®. Royal Canin. Descalvado, SP
f) Ração Hypoallergenic Feline®. Royal Canin. Descalvado, SP
g) Sachê Whiskas®. Mars Incorporated. Mogi Mirim, SP
h) Ração Biofresh® Gatos Castrados. Hercosul Alimentos Ltda. Ivoti, RS
i) Cyclavance®. Virbac. Roseira, SP
j) Patê Pet Delícia®. Pet Delícia. Rio de Janeiro, RJ
k) Polaramine®. Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A. Anápolis, GO

 

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