O 1° simpósio PUC Minas sobre o Uso de Animais em Ensino e Pesquisa – em busca de uma ética franciscana –, realizado em Belo Horizonte, MG, no campus Coração Eucarístico da PUC Minas, nos dias 7 e 8 de agosto de 2015, inaugurou o desafio de discutir a temática da visão ética frente ao uso de animais em ensino e pesquisa, em sintonia com a missão institucional da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas.
Esse evento pioneiro buscou atrais toda a comunidade acadêmica, principalmente aquela envolvida com o uso de animais, seja nas salas de aula ou nos laboratórios, para refletir sobre como agir frente ao desafio cristão de preservar e respeitar a vida, não só a humana, mas de toda a criação. Há oito séculos Francisco de Assis compunha o Cântico das Criaturas e nele expressava seu amor por todos os seres vivos. Esse é o desafio. Como praticar esse preceito franciscano dentro do nosso ambiente acadêmico?
Assim, a Comissão de Ética no Uso de Animais da PUC Minas (Ceua PUC Minas) colocou em pauta, para debate e reflexão, a situação atual do uso de animais em nossa universidade e os novos rumos que podemos alcançar. Além de trazer à tona a questão ética sobre o uso de animais à luz da essência cristã e confessional da PUC Minas como educadora e produtora de conhecimento, o simpósio também procurou sensibilizar, esclarecer e orientar o corpo docente e discente sobre como se posiciona a instituição frente ao tema.

A PUC Minas possui uma pessoa ímpar e especial na presidência da CEUA: o prof. dr. Vitor Márcio Ribeiro, médico-veterinário de elevado pensamento crítico e que há anos compartilha o conhecimento científico de que o tratamento da leishmaniose visceral canina (LVC) é possível, exequível e de que as políticas públicas que focam o controle dessa zoonose através da eliminação de cães são ultrapassadas e não controlam o avanço da LVC. Ter um profissional dessa competência na presidência da CEUA, que valoriza e respeita a vida, facilita muito o acesso de qualquer aluno que se sinta constrangido a ter que participar de aula ou procedimento que, para os alunos, seria abusivo e desnecessário, e que necessita compartilhar esses sentimentos sem correr os riscos de passar a ser perseguido.
Algumas faculdades de medicina veterinária já adotam métodos substitutivos e alguns alunos utilizam como critério de seleção da faculdade que irão cursar o fato de adotarem ou não métodos substitutivos ao uso de animais.

Vale destacar que os métodos substitutivos são uma etapa do treinamento profissional. Os alunos que possuem interesse, por exemplo, em cirurgia, chegarão à etapa em que treinarão com animais vivos, mas isso pode acontecer através de um programa social, onde professores e alunos operam juntos, com a finalidade do aprendizado, mas também auxiliando comunidades que carecem, por exemplo, de ações de controle populacional de cães e gatos. Os pilotos de avião são obrigados a passar pela etapa de treinamento em simuladores antes de treinarem em aviões de verdade. Se alguém não passar na simulação como pode seguir adiante? Por que colocar a situação real para enfrentamento em vez de oferecer antes a simulação? No estudo da anestesiologia há vários simuladores que oferecem situações de risco que o anestesista enfrentaria, como, por exemplo, parada respiratória ou cardíaca. Estar bem treinado nesses simuladores fornece segurança para vivenciar a situação de risco real. Entre os simuladores para anestesia estão:
- VAM (Virtual Anesthesia Machine) http://goo.gl/GuDCxx;
- HumanSimAnesthesia http://goo.gl/ej8FyH.

Animais como modelos de pesquisa para a saúde humana
A crítica científica ao uso de animais como modelos de pesquisa para a saúde humana é muito bem discutida pelo prof. dr. Thales Tréz, do Instituto de Ciências e Tecnologia Campus Avançado de Poços de Caldas, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal – MG), em sua obra Entendendo a experimentação animal, disponível gratuitamente na internet:
Outra obra de referência sobre o tema é o livro Alternativas ao uso de animais vivos na educação, de Sérgio Grief, também disponível gratuitamente na internet:

O futuro do ensino e da pesquisa
Tanto o ensino quanto a pesquisa dependem do aluno, para transformarem os antigos padrões. Somente o pensamento crítico e o respeito pela vida poderão transformar e formar com conhecimento, atitudes e valores.