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Editorial

Afinal, o que é e para que serve Saúde Única?

Editorial 182

Matéria escrita por:

Maria Angela Sanches Fessel

6 de maio de 2026

Créditos: MASF Firefly Image 3 Créditos: MASF Firefly Image 3

Fala-se cada vez mais em Saúde Única, Uma Só Saúde, One Health. É uma questão abrangente, é claro, e complexa, mas uma boa síntese para começar a compreendê-la melhor é vê-la apenas como a convivência respeitosa e harmônica de todas as formas de vida neste mesmo planeta. Simples assim, e no entanto um desafio e tanto, com certeza.

É a própria vida no planeta que está cada vez mais ameaçada pelas ações humanas. Somos os responsáveis pela destruição de habitats, epidemias de zoonoses decorrentes da invasão e desequilíbrio de ambientes naturais, poluição, guerras, venenos tóxicos, deslocamentos de grandes populações, extermínios de seres humanos e de espécies endêmicas perdidas para sempre.

A natureza levou milhões de anos para alcançar a evolução atual, e nossa espécie dizima essas oportunidades sem questionar. Sem parar para tentar pelo menos limitar o padrão cada vez mais assentado em nossa cultura, aceito pela maioria, de continuar chafurdando em egoísmos, mesquinharias, competições e tantas outras formas estúpidas de lidar com a vida. É essa ausência de consciência e essa falta de ação que levam a destruições sem fim.

Expandir a consciência para o respeito inegociável com todas as formas de vida, ou pelo menos para conter a estupidez disseminada, é tarefa mais que urgente, pois já ultrapassamos os limites da sensatez há muito tempo.

As ações de Saúde Única, de Medicina Veterinária do Coletivo, de Medicina Veterinária de Desastres, de Medicina Veterinária Legal, de bem-estar animal, visam levar educação e amparo aos imensos desequilíbrios que enfrentamos. Visam evitar essa rota segura em direção um cenário cada vez mais sombrio.

As desigualdades sociais, a ausência de políticas públicas concretas e abrangentes, a desorientação intencional das populações, a fragilidade da educação, a aceitação passiva de tantas e tão variadas formas de violência, entre tantas outras falhas, tudo isso nos aproxima cada vez mais do ponto de não retorno (se é que este já não foi atingido, mas, sejamos esperançosos).

Precisamos com urgência de consciência, de muita consciência, desesperadamente de muita consciência.

Não basta um pouco, não basta uma ou outra ação. As pessoas precisam perceber o que está de fato em jogo, e que insistir em “ter razão” e nunca aceitar “ceder, negociar e abrir mão” nos torna, a todos, cegos à beira do precipício.

Este ano temos eleições novamente no Brasil. No mundo inteiro há oportunidades de escolher caminhos mais saudáveis. Há questões cruciais em jogo, temos diante dos olhos genocídios, exterminações de pessoas e de ambientes, a estupidez em todas as suas variantes, e novamente temos oportunidades, não somente em nosso país, mas em todo o planeta, de fazer escolhas melhores, mais conscientes, menos mesquinhas, mais empáticas e compassivas.

Se insitirmos na recusa de operar uma mudança radical em nossa percepção, se mantivermos os mesmos procedimentos e atitudes, a ilusão de esperar resultados diferentes será apenas mais uma manifestação de nossa triste estupidez.