Integridade científica
A produção de conhecimento com valores éticos, garantindo confiança e responsabilidade na ciência
Por definição, a integridade científica consiste em um compromisso firme com princípios éticos em todas as atividades relacionadas à ciência, abrangendo desde a concepção das pesquisas, sua execução e análise, até a redação, a publicação e os usos dos resultados. A principal relevância da integridade científica está em garantir que o conhecimento produzido seja confiável, respeite os participantes envolvidos e contribua efetivamente para a sociedade.
Os princípios fundamentais da integridade científica incluem, além de honestidade, transparência e responsabilidade, ainda imparcialidade e respeito. Honestidade ao relatar dados, métodos e resultados de maneira verdadeira, sem falsificação ou omissão. Transparência para tornar os processos de pesquisa claros e acessíveis, favorecendo a reprodutibilidade dos estudos. Responsabilidade ao assumir os impactos da pesquisa e cumprir normas éticas e legais. Imparcialidade para evitar conflitos de interesse e manter o julgamento científico livre de influências externas. Respeito para tratar com dignidade os participantes da pesquisa, colegas e o público.
A importância da integridade científica está na busca por uma ciência livre de fraudes e erros que possam comprometer descobertas, na preservação da confiança pública na ciência e nos pesquisadores, além do fortalecimento da produção científica, promovendo boas práticas e a reprodutibilidade dos resultados.
Os princípios que sustentam a integridade científica, comentados acima, fomentam uma cultura científica ética e colaborativa, essencial para o avanço do conhecimento. O processo de geração do conhecimento é cumulativo e coletivo, já que toda pesquisa se apoia em trabalhos anteriores. Dessa forma, é fundamental que os cientistas apresentem de maneira justa as ideias de outros pesquisadores, deixando clara sua própria contribuição.

A integridade científica envolve diversas responsabilidades, especialmente as dos autores e pesquisadores. A ciência é feita por pessoas, sujeitas a falhas e sentimentos como vaidade e competitividade, agravados por um cenário de produtivismo que exige cada vez mais produção científica. É fundamental refletir se tais pressões levam, de fato, às fraudes e más condutas na ciência. Particularmente, entendo que não, pois a idoneidade é uma característica do indivíduo.
Desvios, fraudes e más condutas científicas são caracterizadas por ações antiéticas ou fraudulentas durante a realização, a publicação ou a divulgação da pesquisa. Sem integridade científica, surgem resultados imprecisos ou enganosos, que trazem consequências negativas para a sociedade e minam a confiança pública na ciência e nos cientistas. É importante ressaltar que a má conduta decorre de falhas na formação ética e moral e está relacionada à índole do sujeito. Além da perda de credibilidade da ciência perante a sociedade, a má conduta pode trazer sérias consequências para quem a pratica, como retratação ou despublicação de artigos, perda de reputação, sanções institucionais ou legais, perda de títulos acadêmicos, exclusão de programas de financiamento ou bolsas e até a devolução de verbas recebidas.
Em síntese, a ciência é o meio mais eficaz de compreender o mundo e agir para melhorá-lo. Por isso, esse papel tão nobre deve ser exercido com total integridade científica. Nas próximas colunas, abordaremos a autoria científica, os impactos da inteligência artificial sobre a integridade científica, entre outros assuntos importantes.
Até breve!