2025 é um ano de comemorações! Vamos celebrar juntos os 30 anos da revista!

Menu

Clinica Veterinária

Início Opinião Bem-estar animal O cavalo como detector de emoções
Bem-estar animal

O cavalo como detector de emoções

Matéria escrita por:

Barbara Goloubeff

16 de set de 2016

Créditos: Francey Créditos: Francey

Situação

O catador C. A. J., 45 anos, declara: “Tenho mais compromisso com a minha família agora.” J. conta que: “A coisa mais importante é que as pessoas agora tratam a gente beleza.” E, para os catadores da Asmare a, nada satisfaz mais que a conquista da cidadania, pois eles, antes, eram marginais e mendigos para a maioria da população, e hoje, representam uma categoria de trabalho 1.

Na contramão dessa evolução social, temos o uso de tração animal. Cavalos de tração enfrentam intenso e diário sofrimento, com sérias implicações para o seu bem-estar do ponto de vista físico, mental e comportamental 2. Os motivos para que esses animais vivam em tal situação são diversos: a) sua força de trabalho é utilizada pela camada mais pobre da população, sem recursos para atende às suas necessidades básicas, inclusive alimentares e de assistência veterinária, e sem acesso à orientação devida; b) boa parte da população não é sensível em relação aos animais nem consciente de se dever para com eles, principamente no caso de animais explorados para o trabalho; c) em localidades onde as pessoas sobrevivem com recursos muito precários, em condições onde prevalece a injustiça social e a ausência de atendimento às próprias necessidades básicas humanas, tratar os animais da forma descrita pode parecer uma conduta natural; d) as autoridades responsáveis por presenvar a vida e o bem-estar desses animais são omissas e não tomas as medidas que lhes compete regulando e fiscalizando a atividade 2.

 

Crueldade

A combinação deletéria de cavalo + carroça + condutor e seu auxiliar repete com nuances de desdém a arcaica necessidade de transferir o trabalho ingrato para a mão de obra gratuita. Nesse caso, o componente escravo é um solípede, podendo ser um cavalo, jumento ou muar, que trabalha para um feitor de escravos que se mimetiza de carroceiro.

São comuns castigos desumanos, a qualquer pretexto, eventualmente por completa ignorância de que o cavalo sente, da mesma e idêntica forma que o ser humano, fome, sede, dor e emoções. Cavalos trabalham doentes, fracos, extenuados. Se caem ao peso da carga, são açoitados b sem dó. Cavalos são cegados do olho esquerdo, porque se assustam com o fluxo do trânsito em direção contrária. São feridos pelos arreios mal conservados, mal ajustados, ou deliberadamente por ação de chicotes, paus, pás, martelos, foices e machados. Têm pregos cravados no corpo… Têm arremedos de ferradura pregados aos cascos com pregos de carpintaria. São chicoteados no pênis ereto. São penetrados no ânus e vulva com objetos rombos de grande calibre com fins didáticos, para o animal aprender quem está no controle. Têm o corpo perfurado por aguilhões. Tem sua lingua amarrada na boca com fios de aço, arame ou fios elétricos, para que não tentem empurrar o freio. Isso causa cortes e amputações de língua, que impedem o animal de se alimentar apropriadamente. Têm a boca e os ossos nasais feridos profundamente pelo uso de embocaduras, autênticos aparelhos de subjugação. Desses, os piores tipos são os freios de uso externo, conhecidos como professora ou breque. Passam fome e sede como castigo por “mau comportamento”. Têm o esmalte dos seus dentes brutalmente limados para adulterar a idade.

Ao fim da vida, caso não sejam abatidos para consumo, são abandonados em via pública doentes, feridos, extenuados ou mutilados, para que morram de morte lenta e torpe, se de fome, ou muito dolorosa, atropelados por veículo automotor. Seu condutor, quando instado pela população ou pela polícia, foge ou não assume a propriedade 3.

­

­

Conceito de crueldade

Não resta dúvida de que o amplo conceito de crueldade abrange, progressiva e preocupantemente, numerosas e atuantes práticas cruéis c que, além de submeterem os animais a perversos d sofrimentos injustificadamente prolongados, desnecessários ou desmotivados, constituem grave violação tanto às leis inerentes como aos princípios jurídicos internacionais e nacionais ajustáveis aos bons costumes e asseguradores da proteção da integridade física, psíquica e ambiental dos seres vivos em geral, ou seja, da proteção da incolumidade e e da vida em todas as suas formas.

Em essência, na raiz destas quatro palavras (cruel, crueldade, perverso e incolumidade) o que temos? Um indivíduo muito mau, insensível, que vira as costas por completo às normas da sociedade, que corta, bate, golpeia, fazendo uso de varas e látegos até tornar a carne crua e sangrante, e que se compraz em atormentar e fazer sofrer aos demais, se divertindo com o sangue derramado, coagulado, em espetáculo rude e indigesto. A crueldade é assim a violência mais alguma coisa, um abuso sem nome introduzindo um gozo que todos fingimos desconhecer 4.

Cavalos sob responsabilidade humana podem apresentar estados de depressão profunda em seguida a um estresse crônico, dor ou isolamento social. Eles apresentam aspecto mental alheado e ficam desconectados do ambiente ao redor 5.

Desamparo aprendido é uma característica do comportamento humano e animal, que se adquire caso submetido a um efeito negativo sistemático, ao qual não pode escapar. Após tal experiência, o organismo muitas vezes não consegue aprender a fugir ou se evadir em novas situações onde tal comportamento seria eficaz. Nos seres humanos, é acompanhado de perda do sentido de liberdade e controle, descrença na possibilidade de mudança e na própria força, desânimo, depressão e até mesmo aceleração da morte. Em outras palavras, o organismo desiste de tentar 6,7. O fenômeno foi observado em cães enjaulados que recebiam choques. Posteriormente, mesmo tendo a oportunidade de es cape, eles continuavam na jaula, sem reação 8.

A percepção do grau de controle sobre os eventos da vida parece ser uma importante determinante do comportamento dos seres humanos. […] Os esquizofrênicos percebem o reforço como sendo controlado externamente (o reforço ocorre independentemente de suas respostas) em uma extensão maior que os normais. […] Tais provas, juntamente com os dados obtidos em animais, sugerem que a falta de controle sobre o reforço pode ser de ampla importância no desenvolvimento da psicopatologia em seres humanos e infra-humanos. […] Em conclusão, é possível especular que a experiência com eventos traumáticos, na qual o indivíduo nada pode fazer para eliminar ou atenuar o trauma, resulta em resposta passiva a futuros eventos aversivos nos seres humanos 8.

­

1- Moto colidiu com um jumento que se encontrava na pista próximo de Currais Novos, RN. A vítima foi encaminhada para Natal em estado grave com traumatismo crânio-encefálico. E o jumento, teve socorro? Disponível em http://goo.gl/ucBRbU (Serido Potiguar)
2- PM prende carroceiros por maus-tratos de animais em Imperatriz, MA, em 3 de julho 2014. Observar a extrema caquexia e olhar alienado típico de animal em depressão e desamparo. Disponível em http://goo.gl/ULE3TT (Asmoimp)

­

Trauma emocional

Atualmente, o trauma emocional é compreendido como um evento extremo e de risco de vida 9. O estresse pós-traumático f é definido como uma experiência emocional, cognitiva e comportamental de pessoas que foram expostas ou presenciaram eventos que são extremos e de risco de vida 10. A essa definição foram acrescentados os sintomas físicos, que vão de náusea e taquicardia ao estado de choque grave 11. Os sintomas cognitivos variam desde a diminuição da atenção até o estado de hiper-alerta, desorientação e confusão. Os emocionais são o pânico, choque, fobias e perda de controle, e dentre os comportamentais ocorrem rompantes de agressividade, choro, violência e hiperatividade.

Endoscopias realizadas sequencialmente, duas semanas antes do desmame, 24 horas após e duas semanas após este, permitiram visualizar erosões e gastrite um dia após o desmame, constatados de forma clara, e acompanhados de bruxismo, halitose e perda de peso. Foi também possível observar a maioria dos sintomas cognitivos, emocionais e comportamentais 11, com destaque para o aumento da agressividade, choro, desorientação e pânico nos potros que passaram pelo desmame abrupto e rotineiro aos cinco meses de idade 12.

Habitualmente, éguas de carroça trabalham durante todo o período da gestação e voltam para o trabalho ao segundo dia pós-parto, sem poder cuidar de seu potro adequadamente. Este, por sua vez, com cerca de duas a três semanas, perde de vez o pouco leite materno que recebe, pois a égua, debilitada, não consegue prolongar o aleitamento. Esse estresse pós-traumático, de memória duradoura, será gerador de di versos distúrbios físicos e comportamentais na vida adulta 13.

Cavalos são passíveis de sofrer outras causas de estresse pós-traumático. Durante o biênio 2001/2002, no município de Belo Horizonte, foram registrados os acidentes de trabalho decorrentes da atividade. A maioria destes é consequente a acidente de trânsito: colisão com outro veículo (38,71%), atropelamento (6,43%), moto bateu no cavalo (1,07%), seguidos de quedas (32%), estrutura da carroça (8,6%), acidente com o animal (4,3%) 14.

 

Substituição dos cavalos por bicicletas ou motocicletas equipadas com carretas

Existe o agravante de um elevado número de animais ser proveniente de furto qualificado. Como exemplo, a cidade de Belo Horizonte, que possui 13% da sua população em favelas: são 313.681 habitantes 15. Estima-se que habite ali uma população de 8.000 animais de tração, que não passam por nenhum tipo de controle oficial. As favelas possuem currais, áreas para doma e abatedouros clandestinos de equídeos, para produção de embutidos, principalmente.

Promovido pelos catireiros g, ocorre um intenso comércio de cavalos, muitos deles furtados de municípios do interior. A estimativa é da Polícia Militar e leva em conta ocorrências registradas nos últimos dez anos 16. Baseando-se apenas nestes dados, Belo Horizonte recebeu 5.000 cavalos furtados, revendidos aos carroceiros por preços mais baixos. Observam-se também nos animais apreendidos alterações nos símbolos dos reais proprietários, da mesma forma como se adultera o chassi de um veículo furtado.

O Projeto de Lei 2.107/2015, que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, busca estabelecer a substituição do animal por bicicletas ou motocicletas equipadas com carretas 16. Os carroceiros têm resistência ao projeto porque com um peso exorbitante o veículo não consegue subir pelas ruas íngremes. Mas o animal também não h

Para cavalos de cavalaria, em clima temperado, considera-se que seja mais racional o transporte de uma carga livre de 250 kg, transportada a uma velocidade média de 4 a 5 km/h, num percurso de 30 a 36 km/dia 17. Essas recomendações garantem uma economia de força e da capacidade de trabalho dos cavalos de carga. A recomendação, entretanto, deve ser seguida com cautela, pois é indicada para animais bem nutridos e cuidados, de peso e estatura padronizados, de instituição militar, devendo ser adaptada ao clima tropical e a condutores desinformados quanto ao bem-estar dos cavalos.

 

Qual o telos i dos equídeos?

Os cavalos são animais sociais que foram selecionados evolutivamente para percorrer amplos territórios, para se alimentar e periodicamente correr em explosões súbitas de velocidade para escapar de um perigo real ou suposto 18. A detecção precoce do predador e a fuga imediata são seus principais mecanismos de defesa. Em situações menos graves, eles também procuram evitar a agressão e incluir a afiliação. Em vez de ataques súbitos de agressão, os sinais se elevam gradualmente, como p. ex. um relativamente inócuo murchar de orelhas 19.

Sabe-se que cavalos domesticados que se tornam ferais mantêm alta frequência de comportamentos sociais e uma organização social bem estruturada. Portanto, é questionável se animais domesticados são capazes de lidar de forma suficiente com a criação moderna nas quais os cavalos são mantidos solitários, às vezes apenas com contato social à distância por longos períodos 20.

E o que o cavalo quer da vida? De forma decrescente, em primeiro lugar ele busca segurança (40%), seguida de conforto (30%). Apenas então, satisfeitos estes requisitos, ele irá buscar diversão (15%) e comida (15%) 21.

A domesticação é a única forma de mutualismo que se desenvolveu entre a população humana e animal. A domesticação animal permitiu criar um efeito tampão contra as incertezas do meio ambiente, providenciando uma base mais segura e previsível da subsistência 22, ainda que no seu primórdio possa ter tido um papel menor na economia das sociedades de coletores e caçadores.

A domesticação do cavalo ocorreu junto com a evolução humana, com fortes indícios de que os seres humanos domesticaram os cavalos e os cavalos domesticaram os seres humanos, cedendo sua força e velocidade para os objetivos do ser humano, em troca de defesa contra os predadores 22,23. Esta domesticação ocorreu em diversos locais e tempos, como bem demonstrado pela etnoarqueologia 24.

Por anos, os seres humanos têm relatado vínculos emocionais com os animais. Cavalos são com frequência usados terapeuticamente com adultos e crianças emocional e mentalmente doentes e deficientes 25. Os cavalos têm sido reconhecidos por sua sensibilidade aos seus ambientes.

Como um animal de rebanho e presa, a segurança de um cavalo depende da sua capacidade de se relacionar e mover-se em harmonia com a manada. Os cavalos não têm as habilidades verbais nem tempo para descrever um perigo potencial para seus companheiros de manada antes que todos eles corram em disparada. Perceber, interpretar e responder a um campo de energia parece ser uma maneira muito mais eficiente de se comunicar.

Pesquisa inovadora no campo de neurocardiologia estabeleceu que o coração é um órgão sensorial e um centro sofisticado de processamento de codificação e informações, que toma decisões sobre seu controle independentemente do sistema nervoso central. Sem dúvida, pode ser denominado “cérebro do coração”, um sistema complexo e auto-organizado que mantém um diálogo contínuo de duas vias com o cérebro e o resto do corpo 26.

Atualmente, existem aparelhos de grande sensibilidade, como o Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica j, que pode detectar campos electromagnéticos a 2,5-3m de distância do corpo humano. Com esse tipo de equipamento descobriu-se que esses campos eletromagnéticos são pulsáteis, em forma de toro e emitidos pelo coração, sendo estes sinais electromagnéticos 5 mil vezes mais fortes do que aqueles emitidos pelo cérebro. Mais ainda, as pesquisas mostram que o coração não só emite um campo eletromagnético forte, como também pode afetar as frequências de ondas cerebrais de outra pessoa. E ainda que não seja possível comprovar cientificamente neste momento, parece que cada campo cardíaco pode estar respondendo a outros corações/campos eletromagnéticos. Parece que o coração percebe esses campos electromagnéticos e direciona a outros órgãos para responder, segundos antes do cérebro ser envolvido 25.

As pesquisas utilizando esta aparelhagem indicam que a maneira com que se cuida e se trata os cavalos pode ter um impacto direto no seu bem-estar físico e mental. Cavalos recebem informação da linguagem corporal e dão retorno. Eles não pensam muito, eles sentem. Eles são muito emocionais e honestos. O projeto de investigação preliminar “Energética de cavalos e seres humanos: O estudo da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) entre cavalos e seres humanos” é o primeiro passo para provar que os cavalos são igualmente sensíveis aos seres humanos dentro do seu ambiente 27.

Eletrocardiogramas de 24h traçaram a variabilidade cardíaca de cavalos em repouso, movimento, interagindo entre si e com humanos. Os ECG registraram aumento no padrão da taxa cardíaca coerente tanto para os cavalos quanto para os humanos durante interações calmas entre eles e com humanos. Esses padrões coerentes são resultado de emoções positivas e facilitam as funções cerebrais 25.

Mais ainda, foi possível observar que cavalos amigos, quando estão juntos, entram em um estado de união ou arrasto k em que suas frequências cardíacas ficam no mesmo ritmo. As pesquisas informam que a coerência, se não o próprio arrasto, é possível entre cavalos e pessoas. Essas pesquisas iniciais também demonstram que cavalos vivem em estado coerente quase todo o tempo 27.

A aguda capacidade do cavalo, assim como de todos os animais sociais, em “ler” e corretamente interpretar os sinais sociais, talvez seja a chave mais importante para a subordinação surpreendentemente pacífica aos seres humanos no relacionamento de domesticação 28.

Reconhecer que os cavalos não são mágicos, ainda que possam nos parecer como tais, é importante, pois o cavalo continua a fazer o que sabe fazer melhor – ser um cavalo 28.

Os cavalos possuem o instinto de se nutrir. Um cavalo pastando está tomando conta de si próprio no sentido mais primal. Os cavalos instintivamente englobam todos os sentidos contidos na palavra “nutrir”. De hábito eles se alimentam, protegem, sustentam, suportam, treinam e se condicionam todos os dias. Após milhares de anos de negligência, nós humanos perdemos o instinto para nos nutrirmos de forma inata e autossatisfatória como faz o cavalo ao pastejar 29.

­

Rio de Janeiro, RJ, 11/11/2013 – Centro de equoterapia da PM. Andrey, de 5 anos, possuidor de microencefalia, passou a andar depois das aulas de equoterapia, no Regimento de Polícia Montada do Rio de Janeiro. Na foto, as professoras de educação física, soldados Mônica Godoi e Roberta Rodrigues, e o voluntário Cleber Schrapett. Seja em situações de restrição física ou mental, a equoterapia oferece às pessoas condições peculiares para o desenvolvimento do processo psicoterapêutico

­

Hodiernamente, existe a psicoterapia facilitada ou assistida por cavalos, graças a sua senciência l com qualidades muito especiais. Pois cavalos são especialmente efetivos em ajudar as pessoas a entender e superar medo e agressão, trazendo harmonia e alinhamento entre a mente consciente e inconsciente, e desenvolvendo atenção sobre o nosso comportamento com relação aos outros. Por meio da sua habilidade de “espelhar” m os cavalos clareiam um maior entendimento do nosso comportamento 25.

Muitas vezes os cavalos reagem negativamente às pessoas estressadas. É como se os cavalos não quisessem esta energia incoerente próxima a eles. Para seres que passam a maior parte do tempo em estado coerente, estar próximo de quem rompe esse estado deve ser no mínimo desagradável 25.

Em relação aos animais, a maioria dos nossos padrões de comunicação com outras pessoas é inapropriada e fútil. Por serem livres de ego e suas maquinações psicológicas, os animais respondem ao que está abaixo da superfície. Nós não conseguimos disfarçar nossos sentimentos, porque oferecemos dicas verbais, de movimento e odores que transmitem nosso estado real. Os sentimentos produzem alterações químicas que podem produzir feromônios. Os animais cheiram nosso medo, raiva, alegria etc. Para estabelecer uma relação de confiança, precisamos nos embasar em honestidade, respeito mútuo e compaixão. Caso contrário, eles saberão e vão agir de acordo 25.

Valores de taxas cardíacas indicam que taxas diurnas e noturnas de baixa e alta frequência não foram significativamente diferentes em cavalos que estão envolvidos em terapia com humanos, havendo necessidade de avaliar melhor se esta atividade afeta de alguma forma o bem-estar dos cavalos 30.

Podemos concluir que o uso que os humanos fazem dos cavalos são altamente questionáveis. Alguns usos são claramente criminosos: absolutamente nada justifica a tração animal nos dias atuais. Mesmo porque o cavalo não é responsável pelas mazelas humanas e suas consequências sociais.

O uso ético para lazer e esporte depende da consciência ética do desportista. A aplicação mais bela das qualidades equinas é no auxílio aos inválidos e na psicoterapia, descortinando a nós, pobres humanos, um mundo mais verdadeiro e iluminado.

­­

http://youtu.be/yDY7zCyyj7k

­

a) Asmare (Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável), em Belo Horizonte, MG

b) Chicote, símbolo máximo de poder e incompetência

c) Cruel vem do latim crudelis e significa “aquele que se compraz fazendo sofre aos demais”. Seus componentes léxicos são crudus (“que sangra”) mais o sufixo –alis (“relativo a”). A palavra crueldade vem do latim credilitas, –tatis, de mesmo significado. Deriva do adjetivo crudelis com um sentido originário de “divertir-se com sangue” 31. Provém do francês antigo crualté (século 12), do latim crudelis, “rude, sem sentimentos, coração-duro”, etimologicamente relacionado a crutus, “o que contém sangue, sangrento, ensanguentado, cru, encruado e não cozido.” Etimologicamente ambos os termos provêm do proto-indo-europeu *kreue- “carne crua” 32.

d) Perverso vem do latim perversus e significa “muito mau, totalmente voltado contra as normas da sociedade.”Seus componentes léxicos são: o prefixo per- (“através de, por completo”) e versus (“dando voltas”). O prefixo “per-” expressa “fazer algo desde o princípio até o fim, por completo” e é encontrado nas palavras “percutir, perpétuo, perspicaz”. A palavra latina versus se associa à raiz indo-europeia *wer- (“dar voltas, dobrar”), que dá origem a uma série de verbos latinos (vertere, versare, vergere) e aos substantivos vermis (“verme”) e verber (“vara, látego”).

e) Incólume (adj.) significa “sem dano, sadio, sem lesão”, e vem do latim incolumis, adjetivo de mesmo significado. Tem a mesma raiz que calamidade (do latim calamitas, calamitatis, que significa “dano, golpe ou perda”. Procede de uma raíz indo-europeia kel– que significa “cortar” e “bater” e que também deu em latim a palavra gladius (“espada”), de onde provém também “gladiador”. Essa raiz indo-europeia se manifesta no verbo grego κλαω (“romper”), que nos dá alguns compostos técnicos como iconoclasta (“destruidor de imagens”) ou osteoclastia (“ruptura provocada de um osso”), assim como o vocábulo κολαφος (“bofetada”), que foi emprestado ao latim na forma colaphus e deformada no latim vulgar com a forma colupus, que gerou a palavra “golpe” 31.

f) TEPT (Transtorno por Estresse Pós-Traumático) é definido pela American Psychiatric Association (1994) como “transtornos de ansiedade que se manifestam pelo desenvolvimento de sintomas característicos após um evento psicologicamente traumático que está fora da gama normal da experiência humana. Os sintomas incluem a revivência do evento traumático e o embotamento ou redução do envolvimento com o mundo externo”.

g) Aquele que faz catira, troca, permuta. Nas favelas, é como se autodenominam os comerciantes de cavalos.

h) 1m3 de entulho de obras pesa em média 1.500 kg. Na carroça habitualmente cabem 2 m3, ou seja, 3 toneladas.

i) Estudo filosófico dos fins, isto é, do propósito, objetivo ou finalidade.

j) SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) é um magnetômetro muito sensível que permite medir campos magnéticos sutis, principalmente em biologia: magnetoencefalografia (MEG), para inferir sobre a atividade neural e, em cardiologia, para visualização do campo magnético cardíaco (MFI) em diagnóstico e estratificação de risco.

k) Estado no qual dois ou mais sistemas oscilatórios do organismo, tais como os padrões de respiração e frequência cardíaca, entram em sincronia e operam na mesma frequência.

 

Referências

01-ASMARE. Asmare mudou vida de catadores e de BH. 2015. Disponível em: <http://professoradarlenecarvalho.blogspot.com.br/2015/08/asmare-catadores-de-bh.html>. Acesso em 12 de janeiro de 2016.

02-ALMEIDA e SOUZA, M. F. Implicações para o bem-estar de equinos usados para tração de veículos. Revista Brasileira de Direito Animal, ano v. 1, n. 1, p. 191-198, 2006.

03-GOLOUBEFF, B. Maus-tratos a animais de tração em área urbana. In: Encontro do Ministério Público em Proteção à Fauna, 1., 2013, Belo Horizonte. Anais… Belo Horizonte: PGJMG, 2013. p. 67-94. Disponível em: <http://www.mpmg.mp.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A91CFA94FBB6B7F014FBDC006564F02>.

04-ROSA, M. E. M. A estética da crueldade em judeu de malta. Porto Alegre: EdiPUCRS, s/d. 5 p. Disponível em: <http://www.pucrs.br/edipucrs/online/vsemanaletras/Artigos eNotas_PDF/Maria Eneida Matos da Rosa.pdf> Acesso em 24 de fevereiro de 2016.

05-FUREIX, C. ; BEAULIEU, C. ; ARGAUD, S. ; ROCHAIS, C. ; QUINTON, M. ; HENRY, S. ; HAUSBERGER, M. ; MASON, G. Investigating anhedonia in a non-conventional species: do some riding horses Equus caballus display symptoms of depression? Applied Animal Behaviour Science, v. 162, p. 26-36, 2015. Doi: 10.1016/j.applanim.2014.11.007.

06-SELIGMAN, M. E. P. Helplessness: on depression, development, and death. 1. ed. San Francisco: W. H. Freeman, 1975. 250 p. ISBN: 9780716707523.

07-MILLER, W. R. ; SELIGMAN, M. E. P. Learned helplessness, depression and the perception of reinforcement. Behaviour Research and Therapy, v. 14, n. 1, p. 7-17, 1976. Doi: 10.1016/0005-7967(76)90039-5.

08-SELIGMAN, M. E. P. ; MAIER, S. F. ; GEER, J. H. Alleviation of learned helplessness in dogs. Journal of Abnormal Psychology, v. 73, n. 3, p. 256-262., 1968. Doi: 10.1037/h0025831.

09-OLIVEIRA, M. S. Gerenciamento do estresse do trauma operacional. Aprenda a proteger-se de um mal que afeta muitas pessoas: inclusive você. Curso de capacitação de psicólogos em ocorrências de alta complexidade. Belo Horizonte: CTP/PM, 2000.

10-LERNER, M. D. The many faces of traumatic stress. The American Academy of Experts in Traumatic Stress, 1996. Disponível em: <http://www.aaets.org/index.htm>. Acesso em 9 de abril 2006.

11-MITCHELL, J. T. ; BRAY, G. P. Emergency services stress: guidelines for preserving the health and careers of emergency services personnel. 1. ed. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1990. 183 p. ISBN: 9780893036874.

12-GOLOUBEFF, B. Alterações gástricas em potros submetidos ao estresse do desmame. 195 f. 2006. Tese (Doutorado em Ciência Animal) – Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

13-KILEY-WORTHINGTON, M. The behaviour of horses: in relation to management and training. 1. ed. London: J. A. Allen, 1987. 265 p. ISBN: 9780851313979.

14-ALMEIDA, V. Acidente de trabalho e perfil sócio econômico de carroceiros em Belo Horizonte nos anos 2001 e 2002. 33 f. 2003. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.

15-BELO HORIZONTE. Disponível em <http://gestaocompartilhada.pbh.gov.br/estrutura-territorial/vilas-favelas-e-conjuntos-habitacionais-de-interessesocial>. Acesso em 25 de setembro de 2013.

16-BAETA, J. BH pode ter recebido 5.000 cavalos furtados do interior. O Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.otempo.com.br/cidades/bh-pode-ter-recebido-5-000-cavalos-furtados-do-interior-1.1209470>.

17-LOGINOV, G. G. ; AFANACIEV, P. E. ; BOGOMOLOV, T. M. ; DOLOTOV, R. A. ; LEPECHKIN, N. S. ; LEBEDEV, Y. U. V. Bota-sela! Material de ensino para cavalarianos. Moscou: Granitsa, 1993.

18-HENDERSON, A. J. Don’t fence me in: managing psychological well being for elite performance horses. Journal of Applied Animal Welfare Science, v. 10, n. 4, p. 309-329, 2007.

19-DAVIDSON, H. P. B. The impact of nutrition and feeding practices on equine behaviour and welfare. In: Doroothy Russel Havemeyer Foundation Workshop: Horse Behavior and Welfare, 2002.

20-VanDIERENDONCK, M. C. ; SPRUIJT, B. M. Coping in groups of domestic horses – review from a social and neurobiological perspective. Aplied Animal Behaviour Science, 138:194-202, v. 138, n. 3-4, p. 194-202, 2012. Doi: 10.1016/j.applanim.2012.02.007.

21-BIRD, J. Keeping a horse the natural way: a natural approach to horse management for optimum health and performance. 1. ed. New York: Barron’s Educational Series, 2002. 206 p. ISBN: 978-0764154119.

22-ZEDER, M. A. ; EMSHWILLER, E. ; SMITH, B. D. ; BRADLEY, D. G. Documenting domestication: the intersection of genetics and archaeology. Trends in Genetics, v. 22, n. 3, p. 139-155, 2006. Doi: 10.1016/j.tig.2006.01.007.

23-KUZMINA, E. E. Difusão da equideocultura e do culto ao cavalo entre os povos de língua persa na Ásia Central e outros povos do Mundo Antigo. Moscou: Drevneia Anatólia, 1985.

24-LEVINE, M. A. Botai and the origins of horse domestication. Journal of Anthropological Archaeology, v. 18, n. 1, p. 29-78, 1999. Doi: 10.1006/jaar.1998.0332.

25-HALLBERG, L. Walking the way of the horse: exploring the power of the horse-human relationship. 1. ed. New York: Universe, 2008. 664 p. ISBN: 978-0595479085.

26-ARMOUR, J. A. Neurocardiology: anatomical and functional principles. 1991. 19 p. E-book. Disponível em: <http://store.heartmath.org/s.nl/it.A/id.109/.f>.

27-GEHRKE, E. K. The horse-human heart connection: results of studies using heart rate variability. NARHA’s STRIDES, p. 20-23, 2010.

28-BUDIANSKY, S. The nature of horses: their evolution, intelligence and behaviour. New York: Phoenix, 1997. 256 p. ISBN: 978-0753801123.

29-MIDKIFF, M. D. She flies without wings: how horses touch a woman’s soul. New York: Delta, 2002. 288 p. ISBN: 978-0385335003.

30-GEHRKE, E. K. ; BALDWIN, A. ; SCHILTZ, P. M. Heart rate variability in horses engaged in equine-assisted activities. Journal of Equine Veterinary Science, v. 31, n. 2, p. 78-84, 2011. Doi: 10.1016/j.jevs.2010.12.007.

31-ANDERS, V. Etimologias de Chile. 2016. Disponível em: <http://etimologias.dechile.net/>. Acesso em 24de fevereiro de 2016.

32-HARPER, D. Douglas. Online etymology dictionary. 2016. Disponível em: <http://www.etymonline.com>. Acesso em 24 de fevereiro de 2016.

33-BUENO, F. S. Grande dicionário etimológico-prosódico da língua portuguesa. São Paulo: Saraiva, 1968.