Menu

Clinica Veterinária

Início Especialidades Integrativa Moxabustão na clínica de pequenos animais
Integrativa

Moxabustão na clínica de pequenos animais

Matéria escrita por:

Arthur de Vasconcellos Paes Barretto

5 de mar de 2018


Segundo a Federação Mundial de Sociedades de Acupuntura e Moxabustão (WFAS), mais especificamente em seu manual de Manipulações padronizadas de moxabustão: “Moxabustão é uma terapia que trata e previne doenças utilizando principalmente lã de moxa. A combustão da lã de moxa permite a transmissão de calor para os pontos de acupuntura e outras partes do corpo com várias mudanças patológicas. É uma terapia externa para o tratamento e/ou a prevenção de doenças e para promover a saúde do corpo”.

A moxabustão baseia-se nos mesmos princípios e conhecimentos dos meridianos de energia utilizados na acupuntura. Trata-se de técnica milenar que faz parte da medicina chinesa. No Brasil, é comum que a prática da moxabustão seja vista de forma preconceituosa em função do odor característico proveniente da sua queima, que tem como base a Artemisia vulgaris.

­

Vídeo pelo produzido pela Unesco, com legenda em português: “…o corpo humano atua como um pequeno universo
conectado por canais, e, que ao estimular fisicamente esses canais, o praticante pode promover as funções
autorreguladoras do corpo humano e trazer saúde ao paciente…” – http://youtu.be/AqN-NT94gG8

­

Vídeo publicado no YouTube por Alejandro Lorente, que ilustra o trajeto dos meridianos regulares –
http://youtu.be/_ad9_BZ9_m4

­­

Vídeo mostrando a boa aceitação da queima de bastão de moxa pelos cães – http://youtu.be/jXEwYk06s0U

­­

Aplicativos para iOs para identificação dos pontos nos meridianos – http://goo.gl/sVtpfB

­

Sistema Jing Luo

Para entender como funciona a moxabustão, é importante conhecer o sistema Jing Luo. Por meio dele a medicina chinesa identifica alterações no organismo e também promove tratamentos. A expressão Jing Luo define toda a rede de circuitos dos meridianos e seus vasos secundários.

A função desses meridianos e colaterais é efetuar conexões entre os órgãos (Zang) e as vísceras (Fu), comunicando-os com as extremidades, os tecidos e os órgãos sensoriais, e regular a função de cada parte do corpo.

O sistema Jing Luo é divido em Jing Mai e Luo Mai. Fazem parte do Jing Mai os 12 meridianos regulares e mais 8 meridianos extraordinários. No Luo Mai estão os meridianos colaterais e as ramificações.

Para o entendimento dos princípios da moxabustão, estão detalhados no Quadro 1 os meridianos regulares – os mais comumente usados pelas técnicas chinesas que atuam neles: a acupuntura e a moxabustão. Eles se interligam energeticamente, formam pares e se acoplam num relacionamento Yin/Yang, garantindo a comunicação entre um órgão (Zang-Yin) e uma víscera (Fu-Yang).­

­

Quadro 1 – Os 12 Meridianos regulares

­­

História da medicina chinesa

O conhecimento e o estudo desses meridianos faz parte da história da medicina chinesa. Inclusive, antigos registros também mostram a aplicação da acupuntura e da moxabustão em animais – principalmente em cavalos, que eram essenciais nas guerras e na agricultura. Os primeiros registros de acupuntura e moxabustão datam do período da dinastia Xi Zhou (1111-771 a.C).

As dinastias Qin e Han (221 a.C a 220 d.C) foram marcadas por grande desenvolvimento da medicina chinesa. Destaca-se na dinastia Qin o general Sun Yang, que exercia a medicina veterinária e escreveu o primeiro livro de acupuntura veterinária.

No século XVII, por meio dos jesuítas, propagou-se o termo acupuntura, derivado dos radicais latinos acuspungere, que significam “agulha” e “puncionar”. Originalmente, o vocábulo chinês que a define – Zhenjiu – tem sentido mais abrangente: literalmente, significa “agulha-moxabustão”.

Desde 1974, a Associação Internacional de Acupuntura Veterinária (International Veterinary Acupuncture Society – IVAS), vem trabalhando para o desenvolvimento de um padrão internacional, que inclui a padronização dos mapas dos pontos de acupuntura veterinária, bem como a descrição anatômica de todos os pontos presentes em cada meridiano.

No Brasil, esse trabalho vem sendo multiplicado pela Associação Brasileira de Acupuntura Veterinária – (Abravet), que desde 2014 é responsável pela avaliação de candidatos ao título de especialista em acupuntura veterinária.

 

Moxa direta e indireta

Há diversas variações nas formas de moxabustão, mas, basicamente, é importante ter em mente dois tipos básicos: a direta e a indireta. A direta é feita queimando-se um cone de moxa diretamente sobre a pele. Na medicina veterinária, ela é pouco praticada, pois envolve a tricotomia do animal. A indireta é feita inserindo-se uma fatia de alho ou gengibre entre a pele e o cone de moxa ou por meio da queima suspensa de bastões de moxa, que pode ser feita manualmente, segurando-se o bastão ou por meio de diversos aparatos elaborados com a finalidade de transmitir o calor da queima da moxa sem que ela esteja em contato direto com a pele. Além disso, há diversos utensílios criados para a aplicação da moxa indireta: caixa para moxabustão, thermies e cachimbo de moxa, entre outros.

­

Utensílios para moxabustão indireta. 1) base para moxa palito, 2) moxa cachimbo, 3) thermies e 4) caixa de moxa

­

1) Detalhe do cone de moxa para moxabustão direta, 2) moxa botão, 3) bastões de moxa, 4) lã de moxa para produzir os cones

­

Pesquisa

Uma análise dos trabalhos publicados na China sobre moxabustão durante o período de 1954 a 2007 mostrou que a técnica pode tratar até 364 tipos de doenças.

O mecanismo de ação da acupuntura sob o enfoque da neurociência tem revelado uma clara relação entre o sistema nervoso e os conceitos dos antigos chineses. Um dos pioneiros no estudo do mecanismo neuro-humoral da acupuntura é Ji-Sheng Han, que em 1986 publicou um resumo das vias neurais implicadas na ação da acupuntura. Pesquisas posteriores vieram corroborar a asserção sobre o envolvimento de neurotransmissores no seu mecanismo de ação.

Os trabalhos modernos de pesquisa envolvendo os mecanismos de ação da moxabustão levam em conta a comparação dos efeitos térmicos produzidos pela moxabustão direta e indireta, os efeitos de radiação infravermelha e os farmacológicos, gerados por meio da combustão da moxa e seus produtos.