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Clinica Veterinária

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Editorial

Paz, respeito, vida e amor

Editorial 180

Matéria escrita por:

Maria Angela Sanches Fessel

22 de jan de 2026

Créditos: Matt Antonino Créditos: Matt Antonino

E lá se foi 2025. Abrimos um novo ano com os habituais votos de paz, respeito, vida e amor. Nossa humanidade, para alguns a maior inteligência do planeta, vive uma revolução tecnológica que aponta para cenários inimagináveis, avanços que nos fazem crer que somos o ser mais inteligente do universo. Bem, não é assim que seríamos vistos por uma suposta inteligência extraterrestre que tentasse compreender as manifestações de arrogância, ganância, violência e morte que marcaram 2025. Recordes de genocídio no exterior, de chacina em nosso país, de violência de gênero, a gigantesca poluição ambiental de terras, mares e ares, a celebração de “paz” com fogos de artifício que matam e apavoram, a surpreendente “interdição” pela própria Igreja de um padre dedicado a ações de caridade com moradores de rua – sim, é isso mesmo – para citar apenas alguns tristes exemplos. 

Como médicos-veterinários, somos linha de defesa fundamental do bem-estar animal. E sabemos que não é fácil ter esperança de uma consciência mais ampla nesse sentido quando vemos boa parte da população indiferente ao genocídio, à miséria que preenche nossas calçadas, apoiando a chacina de seres humanos vulnerabilizados, celebrando a invasão militar de um país latino-americano pela maior potência militar do planeta, com bombas, mortes e sofrimentos de pessoas e animais, e sequestro de seu presidente e recursos naturais. Guerras e violências que afetam a todas as espécies.   

O sofrimento que seres humanos causam à natureza é prova da nossa limitação intelectual, o que popularmente chamamos de “burrice”. Pobres equídeos, tão melhores que muitos de nós, e carregando a fama de pouco lúcidos. 

Vivemos a era da Inteligência Artificial, que se oferece a alguns como um recurso de valor inestimável para cumprir nossas responsabilidades, e a outros como algo que veio para nos eximirmos dela e abrir mão de vez do comando.  É difícil ter esperança de alguma lucidez e sabedoria quando vemos o quanto é denso o véu de arrogância e ganância, o quanto esse véu é sustentado por uma elite de poder, o quanto contribui para perpetuar o medo, a vingança, a mentira, a inveja, a raiva e a violência.  

A humanidade ainda vive na escuridão. Ainda tem muito a aprender, apesar de tantos mestres empenhados há milênios em espalhar luz e despertar consciência. Empatia, acolhimento, doçura, tudo isso nos falta. Milênios de sofrimentos, que persistem como “fantasmas” no presente e ameaçam nosso futuro, arrastando a humanidade “morro abaixo”. Resta-nos o que nos trouxe até aqui. O empenho de parte das gerações passadas em não desanimar diante dos piores cenários. Esperança e fé na evolução emocional e intelectual na nossa espécie, principalmente em tempos de conflitos e ameaças, tempos de violência contra a natureza, contra nossos irmãos, recebendo de volta a ação recíproca da natureza, com seus transtornos e catástrofes climáticas.

Mais do que nunca é essencial alimentar essa fé e esperança, agir e lutar. Afastar o desânimo, buscar apoio mútuo. Não perder de vista o olhar compassivo, amoroso.  Iniciamos um novo ano, e podemos nutri-lo com amor, compaixão e gratidão. E essa talvez seja nossa única chance de reinfundir vida, de conseguir realizar nosso trabalho com competência. Sem raiva. Sem buscar bodes-expiatórios. Fazendo nossa parte. 

Bem-vindo 2026. Que tenhamos em mente essa busca de desenvolver atenção, coragem e sabedoria. Não depende exclusivamente de nós, mas sem nossa ação não há evolução possível.