AHSA – Entrevista com Ricardo Duarte

AHSA – Entrevista com Ricardo Duarte

Ricardo Duarte

 

Como você se interessou pela área de gastrenterologia?

O interesse pela gastrenterologia se deu quase por acidente. Eu era clínico geral e trabalhava no hospital da USP, e depois saí para fazer mestrado e doutorado em cetoacidose diabética. Mas durante esse período algumas pessoas me encaminharam casos de gastrenterologia; comecei a atender mais, e as pessoas passaram a achar que eu entendia do assunto, então acabei abraçando a causa, e estou bastante feliz, pois é uma área bem interessante. Continuo trabalhando com endocrinologia, mas hoje mais com atendimento de gastro.

Enfermidades gástricas, duodenais ou de intestino distal? Quais são as de manejo mais complicado?

Na verdade, isso não depende tanto do local e do órgão afetado, mas principalmente do tipo de doença. Algumas doenças envolvem mais do que a inflamação; envolvem, por exemplo, a destruição da arquitetura do órgão, e essas em geral são as mais complicadas de tratar.

Qual a origem das hepatites crônicas nos cães? E nos gatos?

A origem da hepatite crônica em cães é o tema das minhas palestras aqui, e há muita evidência nos estudos de que tenha uma etiologia imunomediada, para não dizer autoimune ainda.

 

De forma geral, quais são os mais difíceis de tratar: os gatos ou os cachorros? Por quê?

As doenças dos gatos já são mais conhecidas; temos a lipidose hepática e a colangite hepática, que pode ser aguda, neutrofílica ou crônica linfocídica, além de outras doenças menos comuns. Ou seja, nos gatos elas são mais bem estabelecidas do que nos cães.

 

Qual o manejo mais adequado para esses animais?

Esses animais precisam ter uma abordagem individualizada para a sua enfermidade, sejam cães ou gatos, e muitas vezes no cão isso depende de uma biópsia hepática para conseguirmos seguir um tratamento individualizado para o paciente.

Perante a suspeita de uma doença duodenal, qual a sequência diagnóstica mais indicada?

Aqui no Brasil temos facilidade para usar o ultrassom, maior disponibilidade de ultrassonografia do que em outros países, onde ela é bem mais cara. E depois de uma avaliação ultrassonográfica, ao se detectar uma alteração duodenal, o próximo passo é, sem dúvida – se o paciente estiver bem e não houver suspeita de doença grave –, uma dieta de eliminação ou uma dieta hipoalergênica ou hidrolisada; se isso não funcionar ou houver suspeita de doença grave, indicamos a endoscopia com biópsia, para poder fazer o diagnóstico e determinar o melhor tratamento para aquele paciente.

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