Editorial

Coragem e compaixão para enfrentarmos os desafios

Editorial 159


Os anos de Covid-19 parecem ser parte de um grande movimento das placas tectônicas da ordem mundial, em todas as esferas. Há uma repolarização global em curso, acelerada pelo conflito na Ucrânia, que anuncia tempestades para a economia mundial. Vemos a fragmentação e a banalização das estruturas políticas, com o crescimento do extremismo e de um discurso político autoritário que se vale da força e de recursos espúrios em detrimento da ordem democrática. Aumentam a violência e a criminalidade em todos os níveis da vida nacional, e há em escala planetária uma grande indiferença diante da monstruosa desigualdade social e da destruição do meio ambiente. Há uma grande crise de valores, e, apesar de algumas ilhas de aparente estabilidade e crescimento, apesar do avanço da ciência e da revolução digital, vivemos de fato uma grande crise humanitária.

Diz o sábio que o que Deus espera de nós é coragem para seguir em frente, apesar do que houver no caminho. A violência é uma marca da nossa espécie, e infelizmente está em todo lado. A esperança de uma sociedade mais equilibrada, feliz e saudável é um estímulo para aqueles que desejam responder à violência com alguma solução criativa e não com mais violência.

A resiliência para enfrentar tempos violentos, bem como o cultivo de leveza e a escolha de pensamentos positivos, nos auxiliam a ter a tal coragem para seguir em frente. Gratidão, perdão e a busca constante por clareza também são importantes.

Nosso planeta tem sofrido com as ações humanas, e, por mais que se conheçam os efeitos desastrosos dessas ações, continuamos fazendo escolhas que nos arrastam cada vez mais fundo no para o caminho das extinções em massa de tantas espécies, além da violência contra seres da nossa própria.

O interesse cego de uma minoria nos deixa cegos a todos. A busca de uma supremacia mesquinha em relação ao nosso semelhante, o estímulo disseminado pela mídia de buscar um estilo de vida baseado em obter bens de consumo e índices de status - financeiro, intelectual ou existencial -, tudo isso faz parte hoje do campo de ilusões almejadas pela maior parte da população humana.

Enquanto o bem-estar e uma vida saudável e digna para todos os seres não fizerem parte do campo de desejos da maior parte de nós e continuarmos aceitando viver apenas com a ilusão dessa condição ingênua, estaremos fadados a continuar adormecidos, assistindo à continuidade de toda destruição e violência que temos presenciado.

O solstício de inverno passou, e a segunda metade do ano se inicia. Temos muitos desafios pela frente ainda este ano, e a cada dia se torna mais fundamental apoiarmos uns aos outros, seja profissionalmente, seja entre familiares e amigos ou mesmo entre desconhecidos.

A coragem de apoiarmos uns aos outros pode nos alimentar e nos trazer ainda mais coragem. É o que se espera de nós: que possamos todos seguir atentos a nós mesmos e ao mundo, com coragem, amor, perdão e compaixão. De olhos abertos para o outro.


Maria Angela Sanches Fessel

CRMV-SP 10.159


Editorial publicado na revista Clínica Veterinária, Ano XXVII, n. 159, julho/agosto, 2022


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Creditos: Magdanatka