CBDV – Entrevista com Mary Marcondes

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Leishmaniose

Qual a importância da leishmaniose do ponto de vista zoonótico no mundo? Qual a situação atual do Brasil?

A leishmaniose é uma zoonose negligenciada, de grande importância mundial, que infecta de 700 mil a 1 milhão de pessoas por ano em todo o mundo. No Brasil, a leishmaniose visceral (LV) já foi identificada em seres humanos em todos os estados e no Distrito Federal, exceto no Acre, Amapá, Amazonas e em Rondônia.  Em cães, casos autóctones de LV só não foram identificados no Acre e no Amazonas.

Quais as formas de apresentação mais frequentes da doença em cães e gatos?

Tanto cães como gatos podem apresentar leishmaniose visceral (LV) ou tegumentar (LT). A LV é a mais frequentemente observada; no entanto, dependendo da região do país, identifica-se a ocorrência de ambas. A LV causa lesões de pele em 50 a 90% dos cães que desenvolvem quadro clínico da doença – o que pode gerar confusão com a LT. Além disso, a LV causa alterações renais, oftálmicas, gastrintestinais, neurológicas, cardíacas e poliartrites.

Quais os passos diagnósticos que o médico-veterinário deve seguir para confirmar a leishmaniose?

Inicialmente, se existe suspeita clínica de LV, pode-se iniciar realizando uma sorologia quantitativa (ensaio imunoenzimático – Elisa – ou reação de imunofluorescência indireta – Rifi) ou qualitativa (testes rápidos). A sorologia é apenas um teste de triagem. Pode confirmar o diagnóstico somente quando o título da Rifi for 4 x acima do ponto de corte, ou o do Elisa for 150% acima do ponto de corte. Normalmente, na presença de sintomas, realiza-se uma citologia de linfonodos, medula óssea ou lesão de pele. Se forem identificadas formas amastigotas de Leishmania spp., o diagnóstico está confirmado. Caso contrário, podemos realizar técnicas mais sensíveis, como imuno-histoquímica e reação em cadeia da polimerase em tempo real (qPCR).

Quais os kits diagnósticos disponíveis hoje no Brasil?

Temos laboratórios particulares que realizam as técnicas de Elisa e Rifi, e também alguns testes rápidos que podem ser usados em clínicas veterinárias como triagem. 

Qual o critério em relação às vacinas contra leishmaniose no Brasil?

As vacinas contra LV canina são consideradas opcionais, isto é, o médico-veterinário decide se existe ou não necessidade de aplicá-las. O mais importante a saber é que elas podem impedir o desenvolvimento de sintomas, mas o cão vacinado pode ser infectado e, nesse caso, transmitir a leishmaniose para um flebotomíneo caso seja novamente picado. Por essa razão, todo cão vacinado precisa fazer uso de inseticidas tópicos, preferencialmente coleiras impregnadas por piretroides.  As vacinas são uma ferramenta a mais para proteger os cães, mas o mais importante é quebrar o ela da cadeia de transmissão por meio do uso de coleiras tanto em cães vacinados como tratados.

Quais as recomendações em caso de o tutor ser HIV positivo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem demonstrado preocupação pela elevada associação entre leishmaniose visceral e HIV. Se o indivíduo HIV positivo é dono de um cão que vive em área endêmica, corre o risco de se infectar porque viaja para áreas endêmicas ou já se encontra infectado, é imprescindível o uso de coleiras impregnadas com piretroides, associado ao tratamento desse animal por um médico-veterinário, se estiver doente, e um acompanhamento veterinário frequente, a cada quatro meses, para uma avaliação minuciosa. Cães tratados também podem infectar vetores, portanto, necessitam do uso de inseticidas tópicos.

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