[Artigo na íntegra] Hipospadia e onfalocele em neonato da raça buldogue francês – relato de caso

[Artigo na íntegra] Hipospadia e onfalocele em neonato da raça buldogue francês – relato de caso

Hypospadia and omphalocele in a French Bulldog – case report

Hipospadia y onfalocele en un neonato de Bulldog Francés – relato de caso

 

Clínica Veterinária, Ano XXIV, n. 143 p. 54-58, 2019

 

 

 

Resumo: Dentre as más-formações congênitas em neonatos, a hipospadia e a onfalocele são relatadas em filhotes de cães de algumas raças como pinscher, buldogue inglês, buldogue francês, basenji e dálmata. Essas afecções caracterizam-se respectivamente por um defeito na fusão do prepúcio, acompanhado de falha no fechamento do sulco uretral ventral e por um defeito na região umbilical que pode levar à evisceração de órgãos abdominais.  A literatura relata o caráter hereditário dessas afecções em algumas raças de cães; contudo, sua etiologia ainda é pouco esclarecida, sendo atribuída a causas multifatoriais. Este artigo relata um caso de onfalocele e hipospadia em um neonato da raça buldogue francês que passou por eutanásia.

Unitermos: cadela, gestação, filhote, má-formação congênita, acetato de megestrol

Abstract: Hypospadia and omphalocele are rare congenital defects reported in various breeds, including the Doberman Pinscher, English Bulldog, French Bulldog, Basenji, and Dalmatian. Hypospadia is characterized by a defect in the fusion of the penile foreskin associated with persistent opening of the  ventral urethral sulcus. Omphalocele is an abdominal wall defect, most common at the umbilical site, that may lead to evisceration of abdominal organs. Some dog breeds are suspected  to have an hereditary predisposition to these conditions, but the etiology is still poorly understood, and believed to be multifactorial. We report a case of omphalocele and hypospadia in a French Bulldog neonate on which euthanasia was performed.

Keywords: bitch, gestation, puppies, congenital malformation, megestrol acetate

Resumen: Dentro de las malformaciones congénitas de los perros, se han relatado casos de hipospadia y onfalocele en cachorros de algunas razas como Pinscher, Buldog inglés, Buldog francés, Basenji y Dálmata. Estas alteraciones se caracterizan por una falla en la fusión del prepucio y en el cierre del surco uretral ventral (hipospadia), y por una falla en región umbilical que puede llevar a la evisceración de estructuras abdominales (onfalocele). La literatura relata un cierto carácter hereditario en algunas razas; no obstante se desconoce su etiología, generalmente atribuida a múltiples factores. Este artículo relata un caso de onfalocele e hipospadia en un neonato de Bulldog francés que fue finalmente eutanasiado..

Palabras clave: perra, gestación, cachorro, malformación congénita, acetato de megestrol

 

 

Introdução

A hipospadia é uma má-formação de desenvolvimento que pode ser encontrada nos órgãos genitais em cães machos e se caracteriza por uma falha no fechamento do sulco uretral ventral 1,2. É considerada rara, e muitos animais com essa afecção também podem apresentar outras má-formações congênitas ou de desenvolvimento 3. A abertura anormal do orifício uretral externo pode ocorrer em qualquer local da face ventral do pênis, desde a abertura normal até a região perineal, sendo classificada quanto ao local de abertura em: hipospadia glandular, peniana, escrotal, perineal e anal 2,3.

A hipospadia geralmente está associada à falha na fusão do prepúcio e ao subdesenvolvimento peniano. Quando o fechamento embriológico normal das dobras genitais sobre o pênis não ocorre, o prepúcio se torna hipoplásico ou ausente 2. De acordo com a literatura, as raças que apresentam essa afecção com maior frequência são pinscher, cocker spaniel, collie, dobermann, dinamarquês, buldogue inglês e buldogue francês 4, com comprovada predisposição genética também em boston terriers 3 e em dálmatas 5.

Ainda há poucos estudos que descrevam dados epidemiológicos dessas condições no Brasil, e esses estão mais relacionados à predisposição racial a essas enfermidades congênitas. Nos Estados Unidos, em 17 hospitais universitários de medicina veterinária observou-se uma incidência de 66 casos em 2,2 milhões de internações, considerada baixa pelos pesquisadores 6.

A onfalocele é um defeito na linha média do abdômen ventral, na região umbilical, que permite a eventual saída dos órgãos abdominais 3,7. Nessa má-formação, o conteúdo abdominal se encontra coberto pela membrana amniótica; no entanto, essa membrana pode ser facilmente rompida em razão de ser um tecido extremamente delicado. As causas que levam a essa anomalia ainda são desconhecidas em animais. Em seres humanos, as causas postuladas incluem fatores ambientais teratogênicos, métodos contraceptivos orais, aspirina, drogas ilícitas, tabagismo e agentes vasoconstritores 7. Essa deformidade é considerada hereditária nas raças de cães airedale, basenji e pequinês. É difícil determinar a incidência dessa afecção pelo fato de ela acometer neonatos que naturalmente vêm a óbito ou passam por eutanásia a pedido dos tutores 7.

O objetivo deste artigo é relatar um caso de onfalocele e hipospadia em um neonato da raça buldogue francês, já que na literatura consultada não há menção a essas afecções nessa raça.

Relato de caso

Uma cadela gestante da raça buldogue francês, de quatro anos de idade, foi atendida em uma clínica particular. De acordo com as informações oferecidas pelo tutor, a paciente havia passado por uma cesariana no primeiro parto, no qual nasceram nove filhotes saudáveis. As duas gestações foram a partir do cruzamento com o mesmo cão da raça buldogue francês. O tutor relatou ainda que havia administrado 1 comprimido ao dia de acetato de megestrol a de 20 mg durante 9 dias, quatro meses antes do parto, fato esse não ocorrido na primeira gestação. A gestação estava sendo acompanhada por meio de exame ultrassonográfico realizado rotineiramente, no qual foi evidenciado que a paciente apresentava tamanho reduzido do canal pélvico para a passagem dos fetos. De acordo com a idade gestacional ultrassonográfica, a cesariana foi marcada aos 60 dias. No dia da cesariana, a paciente foi pré-oxigenada com máscara, e iniciou-se a fluidoterapia com Ringer com lactato b. A indução anestésica foi feita por via endovenosa, com propofol c (5 mg/kg), seguida de anestesia epidural com cloridrato de lidocaína d sem vasoconstritor (0,2 mL/kg), associado a sulfato de morfina e (0,1 mg/kg). A manutenção da anestesia foi feita com isoflurano em circuito anestésico semiaberto.

Após ter sido realizada a tricotomia ampla na região abdominal ventral, a paciente foi posicionada em decúbito dorsal e recebeu antissepsia local com álcool f 70% e clorexidina g a 2%. Como antibioticoterapia profilática, administrou-se cefalotina h (20 mg/kg) por via endovenosa. Deu-se início então ao procedimento cirúrgico com uma incisão na linha medioventral, da região cranial ao umbigo até próximo ao púbis, seguida de incisão na linha alba. Os cornos uterinos gravídicos foram exteriorizados e isolados cuidadosamente com compressas cirúrgicas umedecidas com solução de Ringer com Lactato. Em seguida realizou-se uma incisão no corpo uterino ventral com bisturi, estendida com tesoura Metzenbaum.

Os fetos foram removidos por meio da ordenha de cada corno uterino em direção à incisão, seguida do rompimento do saco amniótico e do pinçamento do cordão umbilical com uma pinça Halstead. No total, foram entregues sete neonatos ao assistente. A incisão uterina foi suturada com fio de náilon i 3-0, usando um padrão invaginante em camada dupla do tipo Cushing e seguida de omentalização. Procedeu-se em seguida ao fechamento da linha alba, do tecido subcutâneo e da pele.

Durante a limpeza e a desobstrução das vias aéreas dos neonatos, notou-se que um havia nascido com hipospadia escrotal e onfalocele (Figura 1). O tutor optou pela eutanásia, realizada seguindo as normas de ética da Resolução nº 1.000/2012, que dispõe sobre procedimentos e métodos de eutanásia em animais. Foi utilizada uma sobredose anestésica (cloridrato de cetamina j 10% + cloridrato de xilazina k 2%, aplicados por via intraperitoneal) seguida da administração de cloreto de potássio l 19,1% pela veia umbilical.

 

Discussão

Em medicina humana, a associação de má-formações congênitas em neonatos é caracterizada como síndrome. Ainda não está totalmente elucidado se há um gene específico que esteja relacionado a defeitos congênitos na parede abdominal, porém algumas síndromes têm sido associadas a esses defeitos. A síndrome de Beckwith-Wiedemann é a mais comumente associada a defeitos congênitos da parede abdominal, caracterizando-se por onfalocele e gastrosquise em recém-nascidos.

Ainda em seres humanos, outras síndromes – como as de Gerishoni-Baruch, Donnai-Barrow e Fryn – já foram classificadas como autossômicas recessivas, e em todas essas condições a onfalocele é relatada como uma das enfermidades congênitas 8. Em medicina veterinária, ainda não está totalmente esclarecido se há mutações em genes que possam ser fatores de risco para a geração de defeitos na parede abdominal de neonatos, como as onfaloceles, em conjunto com alterações de desenvolvimento ligadas ao sistema urogenital, como a hipospadia 9.

No presente trabalho, o neonato foi identificado com hipospadia escrotal, caracterizada pela presença de pênis vestigial, abertura ventral do prepúcio e fístula uretral perineal. A hipospadia pode ser classificada como glandular, peniana, escrotal, perineal e anal; no entanto, essa alteração ainda pode ser classificada como discreta, quando o orifício urinário está localizado na glande peniana; moderada, quando o orifício está localizado no corpo peniano; ou grave, quando o orifício urinário se localiza na junção do pênis com o escroto, no escroto ou no períneo 2,3,10; portanto, o caso relatado pode ser classificado como grave.

O acetato de megestrol é um fármaco indicado em altas doses no tratamento de mulheres portadoras de câncer do endométrio e câncer de mama metastático. O uso desse fármaco em mulheres gestantes levou ao nascimento de neonatos com hipospadia 11,12. Na medicina veterinária, é utilizado em cadelas e gatas com a finalidade de retardar ou bloquear o cio 13. A paciente objeto deste trabalho havia sido tratada com esse fármaco antes do início da gestação, e mesmo com as deformidades encontradas no neonato, a literatura veterinária ainda não esclarece se a administração do acetato de megestrol em cadelas antes ou durante a gestação pode influenciar o aparecimento das anomalias relatadas 14-16.

A partir da análise citogenética de um paciente neonato apresentando hipospadia, presumiu-se provisoriamente que a presença de um conjunto de cromossomos sexuais masculinos (78, XY) na raça buldogue francês poderia estar associada à manifestação dessa anomalia congênita. No entanto, os autores afirmam que há necessidade de mais estudos para a detecção de marcadores genéticos envolvidos com esses defeitos 9.

Outras alterações congênitas já foram relatadas na raça buldogue francês, como as má-formações vertebrais 17, má-formações de conchas nasais na síndrome obstrutiva das vias aéreas dos braquicéfalos 18,19, hipospadia ,9 e lábio leporino 20. No entanto, até o momento, não há relatos na literatura a respeito do aparecimento de onfalocele concomitante à hipospadia nessa raça.

Conclusão

A ocorrência de onfalocele e hipospadia em cães neonatos é pouco frequente, e em buldogues franceses ainda não se documentou a presença da associação dessas duas alterações. Ainda há poucos esclarecimentos quanto à etiologia atribuída a essas deformidades, e muitas delas demonstram ser de caráter complexo e multifatorial.

Produtos utilizados

a) Preve-Gest. Biovet. Vargem Grande Paulista, SP, Brasil

b) Solução Ringer com Lactato. Frenesius Kabi. Aquiraz, CE, Brasil

c) Provive 1% ®. Claris. Barueri, SP, Brasil

d) Xylestesin 2,0% ®. Cristália. Itapira, SP, Brasil

e) Sulfato de morfina. União Química. Brasília, DF, Brasil

f) Álcool 70%. Prolink. Guapiaçu, SP, Brasil

g) Riohex 2% ®. Rioquímica. São José do Rio Preto, SP, Brasil

h) Cefalotil ®. Pharma Limirio. Anápolis, Goiás, Brasil

i) Procare ®. Lamedid. Osasco, SP, Brasil

j) Cetamin ®. Syntec. Santana de Parnaíba, SP, Brasil

k) Xilazin ®. Syntec. Santana de Parnaíba, SP, Brasil

l) Cloreto de Potássio 19,1%. HalexIstar. Goiânia, Goiás, Brasil

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