Filhotes de harpia são monitorados no mosaico de Carajás

Filhotes de harpia são monitorados no mosaico de Carajás

O gavião-real – Harpia harpyja (Linnaus, 1758) – é considerado o rapinante mais possante do mundo e também a maior ave de rapina da região neotropical (Sick, 1997). A espécie habita florestas preservadas e ocorre no sul do México, na América Central e na América do Sul (Ferguson-Lees & Christie, 2001; Oliveira & Silva e Silva, 2006)

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 100, setembro/outubro, 2012

Inconfundível pelo tamanho e em situação de ameaça, o gavião-real (Harpia harpya) é uma das espécies que são monitoradas nas unidades de conservação do Mosaico de Carajás. Desde dezembro de 2011, um filhote vem sendo acompanhado pela equipe do Programa de Conservação do Gavião-real (PCGR), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em abril de 2012 o filhote recebeu dispositivos de marcação e monitoramento. O ninho onde o filhote foi marcado está no entorno do Mosaico de Carajás e encontra-se em situação de vul nerabilidade. O animal pesa 4,750kg e recebeu anel de alumínio do PCGR letra O, anilha n. Z01016, e um microchip do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (Cemave/ICMBio) do ICMBio.

Essas identificações servirão para determinar a distância de dispersão do filhote em futuros avistamentos tanto pela equipe que desenvolve o programa quanto por agricultores ou outros moradores da região que tiverem a sorte de avistá-lo. O monitoramento desse ninho terá continuidade semanal. O objetivo da equipe é coletar vestígios para identificar as espécies presas e consumidas pela harpia na região e também efetuar registros do comportamento do filhote em desenvolvimento nas habilidades de voo e dos adultos no cuidado parental.

Em 2010, um filhote com cerca de um ano de idade foi alvejado e abatido nesse mesmo ninho. Normalmente, o tempo de geração dessa espécie é de um filhote a cada três anos, mas quando ocorre a perda da prole, o casal se prepara para uma nova postura, normalmente utilizando o mesmo ninho. Na região sudeste do Pará, o PCGR estuda atualmente cinco ninhos de harpia em atividade.

Floresta Nacional de Carajás

Enquanto no entorno do Mosaico de Carajás a situação do ninho é instável, outro ninho monitorado no interior da Floresta Nacional de Carajás, unidade de conservação sob gestão do ICMBio, apresenta bons resultados. Monitorado desde 2008, o ninho está localizado na área do igarapé Bahia e acaba de receber um novo morador.

O filhote nasceu entre 28 de fevereiro e 5 de março. A mãe não sai de perto do pequeno gavião, garantindo seu conforto com folhas verdes, enquanto o pai se encarrega de trazer o alimento a cada dois dias. O monitoramento constante desse ninho pode confirmar o tempo de geração de três anos para a espécie. Em 25 de fevereiro de 2009 nasceu no mesmo local um filhote que foi acompanhado até a emancipação definitiva. Mesmo voando, o jovem gavião-real ainda depende dos pais para se alimentar até 2,5 anos. Só a partir daí tem início um novo ciclo que acarreta uma baixa taxa de recrutamento na natureza – motivo de preocupação para a conservação da espécie.

Para o chefe da Floresta Nacional de Carajás, Frederico Drumond Martins, o acompanhamento é importante para a unidade de conservação e para a espécie, e indica se o território é ambientalmente sustentável. “Programas de conservação como este e o da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), em desenvolvimento na Floresta Nacional de Carajás, permitem que a UC cumpra sua função social primordial, a conservação da biodiversidade.

Além disso, a harpia ou gavião-real é uma espécie guarda-chuva, pois, para garantir a sua conservação, teremos necessariamente que conservar outras espécies”, explica Frederico. Mesmo sob pressão de caça, a área ainda abriga esse grande predador da Amazônia, que essencialmente precisa de grandes áreas florestadas para se reproduzir, ou seja, a floresta sustenta a bio massa de presas que garantem a permanência da espécie na região Por meio do monitoramento constante dos ninhos a sobrevivência e o desenvolvimento desses dois filhotes poderão ser avaliados. Estudos genéticos poderão demonstrar ou não o comportamento monogâmico da espécie, além de trazer dados importantes para a avaliação da variabilidade genética desses indivíduos, contribuindo para o conhecimento do status de conservação da harpia no Brasil.

Fonte: Thaís Lima – ICMBIO – http://www.icmbio.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=2740&Itemid=171

Natan Chaves

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