CBDV – Entrevista com Alejandro Blanco

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Farmacodermias

Qual a melhor definição de um processo de farmacodermia?

A farmacodermia pode ser definida como qualquer efeito não desejado na estrutura da pele, originado pela utilização de um ou mais fármacos.

Quais os passos a seguir para obter o diagnóstico de um quadro de farmacodermia?

Primeiramente, é fundamental a realização de uma profunda anamnese, indagando sobre qualquer medicamento que o paciente possa ter recebido nos últimos três meses, a dose, a via de administração, a época em que apareceram as lesões e se existe informação relacionada com a evolução do quadro uma vez suspendida essa medicação. Em seguida devem ser avaliados os sinais clínicos. Devem ser levadas em consideração todas as possíveis formas de apresentação dos diferentes quadros clínicos de reação adversa a medicamentos em cães e gatos, desde uma reação maculopapular leve da pele até uma necrólise epidérmica tóxica. Existem casos nos quais é conveniente tomar uma amostra de biópsia. Em outros, esse procedimento não aporta nenhum elemento significativo. Outro passo fundamental é suspender a medicação e avaliar a resposta. Caso haja melhora, o ideal seria voltar a dar a medicação para avaliar a resposta, porém isso é  contraindicado do ponto de vista ético, já que o paciente poderia sofrer uma reação grave.

Quais os fármacos mais comuns que podem desenvolver esse tipo de enfermidade?

Os fármacos mais comuns são os antibióticos, como as sulfonamidas, a cefalexina e a penicilina, e também os produtos de aplicação tópica e o fenobarbital.

As farmacodermias são mais frequentes em cães ou em gatos?

As farmacodermias são mais frequentes em cães.

A supressão do medicamento é suficiente? O senhor recomenda algum tipo de tratamento para esse tipo de caso?

A maioria das farmacodermias são benignas, e na maioria dos casos a supressão do medicamento agressor costuma ser suficiente; porém, em alguns pacientes pode ser necessário indicar prednisolona (2 mg/kg/dia) durante 5 dias. Nas farmacodermias graves, como na necrólise epidérmica tóxica, a suspensão da medicação deve acompanhar tratamentos sistêmicos como fluidoterapia, analgésicos e antibióticos.

Manejo de feridas

Qual a origem mais comum das feridas que o senhor costuma tratar no seu consultório?

As mais frequentes são as feridas provocadas por mordeduras, por acidentes com veículos ou por queimaduras.

O que fazer com as feridas provocadas por automutilação?

É fundamental primeiro encontrar a causa da automutilação, já que podem se apresentar quadros que vão de uma lambedura intensa por dermatite atópica até quadros neurológicos, como uma parestesia. Não adianta fazer tratamento local se não se resolve a causa “de base”.

No caso de feridas de origem traumática, qual seria sua recomendação mais importante?

É fundamental conhecer a origem do trauma, já que numa queimadura a fase inflamatória é diferente da provocada por um corte feito por vidro. Perante uma ferida traumática, é fundamental sempre priorizar a estabilização do paciente, verificar se existe risco de morte, fazer uma correta analgesia, avaliar todos os órgãos e sistemas envolvidos e, uma vez cumpridas essas premissas, dedicar-se ao cuidado das feridas cutâneas.

Qual a sua opinião em relação aos efeitos das pomadas cicatrizantes? Em que momento o senhor aplica esse tipo de tratamento?

O problema mais importante no tratamento das feridas cutâneas é que não existem estudos comparativos, e, em muitos casos, relata-se a evolução do “antes” e do “depois”, sem que seja possível comparar como elas evoluiriam com outros tratamentos. De qualquer forma, existem pomadas que favorecem o processo de cicatrização e podem ser úteis no tratamento. O momento da aplicação depende da composição da pomada, mas de uma forma geral elas podem ser utilizadas após a remoção dos tecidos desvitalizados e necróticos.

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