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Edição N. 65

novembro/dezembro - Ano XI, 2006

Clínica médica

Autor(es): Viviane Gonçalves Vieira ; Pedro Luiz de Camargo


Abordagem clínica e manejo conservativo do gato constipado

A constipação - problema comum em gatos de estimação -, caracteriza-se pela pouca freqüência ou dificuldade de defecação e pelo acúmulo de fezes que se tornam endurecidas e volumosas. A retenção fecal pode ocorrer por diferentes motivos, por vezes não relacionados a doenças, mas como conseqüência do tipo de alimentação ou da retenção voluntária decorrente de fatores ambientais. Essa afecção também pode ser decorrente de processos que tornam a defecação dolorosa, de doenças neuromusculares, metabólicas ou fármacos que alteram a motilidade do cólon, bem como de obstruções mecânicas que impedem a progressão do bolo fecal. Embora a lista de causas de constipação em gatos seja vasta, usualmente o diagnóstico da doença primária é simples. Neste artigo são revistos os meios de diagnóstico e a avaliação do paciente felino constipado, além dos métodos atuais de tratamento descritos na literatura.

Unitermos: disfunção colônica, problemas da defecação, megacólon, obstipação, terapia do cólon


Clínica médica

Autor(es): Michelle de Carvalho Hohlenwerger ; Alexandre Dias Munhoz


Tosse em cães e gatos: o que pensar?

O reflexo da tosse, sinal clínico freqüente em cães e gatos, normalmente está associado ao sistema cardiorrespiratório e deve ser levado em consideração, pois pode se constituir em alerta de doenças importantes. Há várias caracterizações da tosse: a freqüência, a sensibilidade, a intensidade, o tempo, a distribuição, o timbre e a natureza. Embora muitas vezes insuficientes para o estabelecimento do diagnóstico definitivo, algumas características da tosse, juntamente com fatores reconhecidamente predisponentes - como raça e idade -, podem apresentar algum valor. A causa específica da tosse pode ser identificada após a cuidadosa inspeção e o exame físico completo embora, muitas vezes, sejam necessários testes diagnósticos específicos, como radiografia torácica, lavado traqueal, traqueobroncoscopia, eletro/ecocardiograma, biópsia por aspiração e exames laboratoriais, de acordo com a suspeita clínica.

Unitermos: Tosse, diagnóstico, cão, gato


Clínica médica

Autor(es): Jairo Ramos de Jesus ; Sandra Márcia Tietz Marques


Esporotricose cutânea em gato - relato de caso

A esporotricose é uma zoonose causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que ocorre sob três formas clínicas: cutaneolinfática, cutânea e disseminada. É adquirida, via de regra, pela inoculação do fungo diretamente na pele através de traumatismos com fragmentos de vegetais, por arranhadura ou mordedura de animais. Nos felinos, a forma cutânea é a mais freqüente. O presente trabalho relata a esporotricose em gato macho, adulto, que apresentava lesão ulcerativa, crostosa, com secreção purulenta no membro anterior direito. A cultura micológica e a citologia por “imprint” permitiram o diagnóstico do fungo Sporotrix schenckii. Foi instituído o tratamento antifúngico sistêmico com itraconazol, associado a antibioticoterapia sistêmica e local por 60 dias, o que resultou na completa cicatrização da lesão.

Unitermos: gato, Sporohtrix schenckii, zoonose, micose profunda subcutânea


Clínica médica

Autor(es): Carla Cristina Machado ; Hugo Leonardo Riani Costa, Cynthia de Assumpção Lucidi, Michiko Sakate, Denise Saretta Schwartz, Regina Kiomi Takahira


Alterações clínicas, laboratoriais e achados de necropsia decorrentes de acidente crotálico em um gato - relato de caso

Acidentes crotálicos em felinos são extremamente raros. A peçonha crotálica possui várias ações (neurotóxica, miotóxica e coagulante) que causam alterações clínicas como prostração, depressão, paralisia flácida, midríase, mialgia, insuficiência respiratória, êmese, diarréia e insuficiência renal aguda. As alterações laboratoriais mais freqüentes são leucocitose por neutrofilia, tempo de coagulação aumentado e azotemia. A soroterapia é o único tratamento curativo eficaz para a neutralização do veneno circulante. A fluidoterapia e a terapia de suporte são fundamentais para evitar o agravamento de lesões renais agudas e para a melhora do quadro. Relata-se o caso de um gato que apresentou sinais compatíveis com acidente crotálico, tendo o diagnóstico confirmado por meio de exames clínicos, laboratoriais e de necropsia.

Unitermos: Envenenamento, venenos de crotalídeos, Crotalus durissus terrificus, felino


Saúde pública

Autor(es): Isabella Dib Ferreira Gremião ; Sandro Antonio Pereira, Amary Nascimento Júnior, Fabiano Borges Figueiredo, Jéssica Nunes Silva, Luiz Rodrigo Paes Leme, Tânia Maria Pacheco Schubach


Procedimento operacional padrão para o manejo de gatos com suspeita de esporotricose

A esporotricose é causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schenckii, que infecta humanos e animais. O gato apresenta elevado potencial zoonótico pela riqueza parasitária encontrada nas lesões cutâneas, diferentemente de outras espécies. A transmissão pode ocorrer pelo contacto com exsudatos de lesões, mordeduras ou arranhaduras de gatos. Desde 1998, o Serviço de Zoonoses da Fiocruz vem acompanhando uma epidemia de esporotricose envolvendo gatos, cães e humanos no Rio de Janeiro. Os cuidados adotados na rotina de atendimento de gatos com suspeita de esporotricose foram padronizadas pelos médicos veterinários desse serviço, com o intuito de garantir o mínimo de segurança para os profissionais e seus auxiliares uma vez que, nessa epidemia, a maioria das infecções em humanos ocorreu após acidentes com gatos.

Unitermos: segurança, Felis catus, micoses, Sporothrix schenckii


Oncologia

Autor(es): João Paulo Pereira Amadio ; Kleber Moreno, Mirian Siliane Batista de Souza


Síndrome da lise tumoral

A compreensão da biologia dos tumores avançou significativamente nos últimos anos, o que possibilitou o desenvolvimento e o aprimoramento de protocolos terapêuticos antineoplásicos em medicina humana, os quais vêm sendo adaptados para a medicina veterinária. Esta revisão tem como propósito alertar os clínicos sobre as complicações comuns decorrentes do tratamento antineoplásico denominada síndrome da lise tumoral, caracterizada por distúrbios metabólicos desencadeados pela rápida e maciça liberação de metabólitos celulares na circulação sistêmica em virtude da lise de células tumorais. Isto determinará hiperuricemia, hipercaliemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia, que freqüentemente desencadeiam insuficiência renal aguda.

Unitermos: Cães, oncologia, quimioterapia, insuficiência renal aguda


Oncologia

Autor(es): Durval Baraúna Júnior ; Eduardo Alberto Tudury, Cláudio Roehsig, Leandro Branco Rocha, Ana Paula Monteiro Tenório


Compressão da cauda eqüina em cão fila brasileiro com mieloma múltiplo - relato de caso

O mieloma múltiplo é o mais importante neoplasma de plasmócitos quando se consideram incidência e severidade. As lesões compressivas da medula espinhal decorrentes de extensão tumoral advinda do corpo vertebral geram sinais neurológicos. O objetivo deste trabalho é relatar um caso (tratamento e evolução) de compressão da cauda eqüina em cão fila brasileiro com mieloma múltiplo. O diagnóstico foi realizado por meio dos achados clínicos, de biópsia excisional e citologia de medula óssea. A descompressão da cauda eqüina e a quimioterapia (melfalano, prednisona e ciclofosfamida) induziram melhoras na qualidade de vida e nas funções neurológicas, embora o cão tenha vindo a óbito 13 meses mais tarde, devido à progressiva disfunção renal gerada pelas alterações neoplásicas e metabólicas que acompanham o neoplasma.

Unitermos: Oncologia, coluna vertebral, neurologia, neoplasma


Oncologia

Autor(es): Henri Donnarumma Levy Bentubo ; Renata Afonso Sobral, Rodrigo Ubukata, Suzana Terumi Honda, José Guilherme Xavier


Carcinoma inflamatório de mama em cadela - relato de caso

O carcinoma inflamatório de mama (CIM) é o tipo mais agressivo de tumor maligno de surgimento espontâneo que acomete a glândula mamária da cadela. Apenas em um estudo recente foi possível determinar o valor do gato doméstico como novo modelo animal para o CIM. Dadas as recentes descrições e os poucos relatos existentes na literatura médico-veterinária, as taxas de incidência e a prevalência da doença não são claramente estabelecidas, sendo alvos de considerações especulativas. Clinicamente, o CIM caracteriza-se por rápido crescimento associado a eritema, calor, dor e edema, e apresenta um alto potencial metastático. Histologicamente pode estar associado a diferentes tipos de carcinomas, principalmente os adenocarcinomas. A presença de infiltrado celular neoplásico nos vasos linfáticos da derme poderia ser considerada determinante no diagnóstico patológico do CIM em cadelas. Embora pouco freqüente, sua evolução é geralmente fatal. Não existe tratamento satisfatório até o momento.

Unitermos: Cadela, glândula mamária


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